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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Alessandro Lyra Braga</title>
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		<title>Líbia na mira da OTAN</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Sep 2011 03:03:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em 2011, após toda uma sequência de eventos contestatórios que se abateram sobre o mundo árabe, grandes manifestações populares também ocorreram na Líbia, resultando numa contundente ação militar da OTAN, sob o argumento de estar agindo em defesa da liberdade e contra a opressão de Muammar Khadafi ao povo líbio, “numa verdadeira ação humanitária”, como argumenta a OTAN. Assim, navios e aviões de diversos países, sob a égide da OTAN, empreenderam uma série de bombardeios ao território líbio, no intuito de derrubar o ditador Muammar Khadafi e estabelecer um novo regime governamental, ao exemplo do que foi feito no Iraque. Para tornar o processo ainda mais rápido, rebeldes opositores ao regime receberam armas e organizaram-se em milícias e puseram-se a lutar contra o governo. Uma verdadeira guerra civil se instalou no país, onde bombas lançadas pelos aviões da OTAN, com alto grau de destruição, não só destruíram alvos militares, mas abalaram grande parte das estruturas urbanas das cidades bombardeadas, ou seja, estas cidades literalmente terão que ser reconstruir suas redes elétricas, de água e saneamento,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Líbia-na-mira-da-OTAN.jpg" alt="Líbia na mira da OTAN" title="Líbia na mira da OTAN" width="200" height="160" class="aligncenter size-full wp-image-13641" />A Líbia, como país, teve sua independência aprovada pela ONU em 01 de janeiro de 1952, adotando, a partir de então, o nome Reino Unido da Líbia. Inicialmente, o poder político passou a ser exercido pelo líder religioso dos sanusis, o emir Sayyid Idris al-Sanusi, que foi então coroado rei, adotando o nome de Idris I (1951-1969).</p>
<p>Em 1953, a Líbia passa a integrar a Liga Árabe, e, em 1954, firma vários acordos militares com os Estados Unidos e a Inglaterra, em troca de auxílio na edificação do país e na realização de obras de infraestrutura. Convém lembrar que a Líbia havia sido palco de severas batalhas no decorrer da Segunda Guerra Mundial. No entanto, estes acordo, que propiciaram a construção de várias bases militares norte-americanas e britânicas em seu território, também abriram caminho para os estas nações se impusessem no controle político do país, influenciando-o imensamente. Em 1959, é descoberto petróleo no território líbio, gerando toda uma reversão na condução da política externa do país, pois o governo líbio exigiu a retirada de todas as tropas estrangeiras de seu território, causando sérios atritos os Estados Unidos, a Inglaterra e o Egito. Assim, o governo da Líbia pretendia ter uma posição não subserviente aos ditames estrangeiros, visto que teria os recursos financeiros necessários à edificação do país oriundos da exploração e exportação do petróleo, que começaria a ser realizada em 1961.</p>
<p>Em 1969, um grupo de militares ultranacionalistas, alicerçada com a idéia do pan-arabismo, destitui a monarquia e implanta um governo socialista, criando a Jamairia, República Árabe Popular e Socialista da Líbia. Este novo regime tinha base muçulmana e era extremante militarizado e seguia uma ideologia dita socialista. O poder centra era exercido pelo Conselho da Revolução e era presidido pelo coronel Muammar Khadafi. </p>
<p>Muammar Khadafi, ao se tornar chefe em 1970, promoveu significativas mudanças internas na Líbia. Expulsou os últimos efetivos militares estrangeiros ainda presentes no país, decretou a nacionalização das empresas, dos bancos e dos recursos petrolíferos da Líbia. Além disso, Muammar Khadafi implantou uma nova postura política externa na Líbia, projetando-se junto ao mundo árabe e ainda promoveu uma verdadeira revolução cultural, social e econômica que provocou graves tensões políticas com os Estados Unidos, Inglaterra e os países árabes ditos moderados (Egito, Sudão), mas que na verdade eram países fortemente influenciados pelas potências ocidentais. </p>
<p>Com o poder absoluto nas mãos, uma vez que não há outro partido político na Líbia, principalmente de oposição, Muammar Khadafi, em nome da União Socialista Árabe, e, aproveitando-se dos imensos recursos financeiros que a exploração proporciona ao país, assume uma postura altamente belicista, fortalecendo seu aparato militar e interferindo em diversos outros países vizinhos, como fez com o Sudão e o Chade (Tchad), invadindo este último em 1980.</p>
<p>Por ocasião da Guerra do Yom Kippur (guerra ocorrida entre Israel, Síria e Egito, ocorrido de 6 de Outubro a 26 de Outubro de 1973), Muammar Khadafi convenceu os países árabes aos quais possuía maior influência a boicotarem, deixando de exportar petróleo, os países que apoiaram Israel nesta guerra. Muammar Khadafi ainda se opôs à iniciativa do presidente egípcio Anwar al-Sadat, que pretendia restabelecer a paz com Israel</p>
<p>Muammar Khadafi dedicou forte à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), colaborando e ainda expandindo sua rede de influências a outros grupos revolucionários de países não árabes, alguns até praticantes de ações terroristas, que passaram a receber constante ajuda econômica da Líbia.</p>
<p>Assim, por conta de sua política externa de rejeição a Israel, de reiteradas declarações e ações anti-americanas e de uma política de fortes laços com a União Soviética, país que fornecia a maioria dos armamentos líbios, as relações entra a Líbia e os Estados Unidos tornaram-se as piores possíveis. Tanto que em 1982, os Estados Unidos impuseram um embargo às importações de petróleo líbio. </p>
<p>Em abril de 1986, a Sexta Frota da Marinha e a Força Aérea norte-americanas bombardearam vários alvos supostamente militares em Trípoli (capital) e Benguaze, matando uma filha adotiva do dirigente Muammar Khadafi. Alegava-se que a Líbia promovia o terrorismo internacional, principalmente contra soldados norte-americanos. Esta iniciativa norte-americana, ocorrida em pleno governo Ronald Reagen, foi severamente condenada pela comunidade internacional. Tanto que alguns países, como Espanha e França, negaram-se a permitir que os aviões norte-americanos cruzassem seus espaços aéreos, obrigando-os a contornarem a península ibérica, uma vez que vários aviões bombardeios F-111 utilizados pela força aérea norte-americana decolaram de bases aéreas inglesas e tiveram que realizar vários abastecimentos no ar para poderem atingir o território líbio.</p>
<p>Após o advento do bombardeio norte-americano, a Líbia passou a ter uma posição de isolamento no mundo. Somente a partir do final de década, em 1989, que a Líbia incrementou suas ações diplomáticas, primeiramente associando-se à União de Magreb, que vinha a ser um acordo comercial firmado entre países do norte da África. Posteriormente, a partir de 1990, Muammar Khadafi ensaiou melhorar suas relações com as potências ocidentais, até porque a própria União Soviética e o mundo da “cortina de ferro” estava ruindo, e estes eram pilares importantes na manutenção de seu governo. Aina, apesar de se manter praticamente neutra por ocasião da Guerra do Golfo, em 1991, a Líbia sofreu outra derrota no cenário político e diplomático internacional, quando em 1992, o Conselho de Segurança da ONU, aprovou um embargo comercial ao país, sob a alegação da Líbia ainda proteger terroristas internacionais. </p>
<p>Já durante a década de 1990, o regime de Muammar Khadafi encontrava crescente resistência interna por parte de alguns grupos islâmicos, fazendo com que Khadafi tivesse que reagir com rigor a estes movimentos. Também nesta época, Muammar Khadafi percebeu ser interessante, face às mudanças políticas do cenário internacional, tentar mudar sua imagem como sendo um líder político moderno e dinâmico. </p>
<p>Quanto à liberdade de expressão, por exemplo, esta praticamente inexiste na Líbia, sendo considerada pela ONU como o país africano de maior censura, inclusive com intervenções governamentais no uso ao telefone e da internet. O regime de Khadafi sempre exerceu violenta repressão a qualquer tipo de oposição, e focava todas as propagandas governamentais a divulgar sua imagem como a figura do líder perfeito.</p>
<p>No entanto, o período de Muammar Khadafi à frente do governo líbio, resultou em alguns avanços importantes para o progresso do país. De acordo com relatórios da ONU, divulgados em ONU em 2007, a Líbia possuía o maior Indice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África. Além disso, o ensino é gratuito até a conclusão da universidade, sendo ainda que até 10% dos alunos universitários estudam na Europa e nos Estados Unidos com bolsas pagas pelo governo.</p>
<p>Ainda no aspecto das melhorias sociais do país, a Líbia proporciona aos casais recém casados até cinqüenta mil dólares para adquirir seus bens essenciais á formação de seus núcleos familiares. O sistema de saúde do país é inteiramente grátis e eficaz. O sistema financeiro líbio é totalmente controlado pelo governo e, quando uma família líbia obtém um empréstimo para obras que resultem no aumento de sua moradia, por exemplo, este empréstimo é concedido pelo banco estatal e sem juros. Além disso, em 2007, foi inaugurado o maior sistema de irrigação do mundo, visando irrigar parte do deserto (95% da Líbia), aumentando enormemente a produção agrícola do país.</p>
<p>Porém, mesmo com tais conquistas, no decorrer da década de 2000, pequenos movimentos de contestação e oposição ao regime ocorreram, sem o conhecimento da mídia internacional. Em 2011, após toda uma sequência de eventos contestatórios que se abateram sobre o mundo árabe, grandes manifestações populares também ocorreram na Líbia, resultando numa contundente ação militar da OTAN, sob o argumento de estar agindo em defesa da liberdade e contra a opressão de Muammar Khadafi ao povo líbio, “numa verdadeira ação humanitária”, como argumenta a OTAN. Assim, navios e aviões de diversos países, sob a égide da OTAN, empreenderam uma série de bombardeios ao território líbio, no intuito de derrubar o ditador Muammar Khadafi e estabelecer um novo regime governamental, ao exemplo do que foi feito no Iraque. Para tornar o processo ainda mais rápido, rebeldes opositores ao regime receberam armas e organizaram-se em milícias e puseram-se a lutar contra o governo. Uma verdadeira guerra civil se instalou no país, onde bombas lançadas pelos aviões da OTAN, com alto grau de destruição, não só destruíram alvos militares, mas abalaram grande parte das estruturas urbanas das cidades bombardeadas, ou seja, estas cidades literalmente terão que ser reconstruir suas redes elétricas, de água e saneamento, por exemplo. </p>
<p>Na verdade, o que se encontra por parte das ações da OTAN na Líbia em nada se refere à situação do povo líbio. São dois os principais motivos que fomentaram tal atitude quanto á Líbia: </p>
<p>•	As grandes reservas de petróleo de excelente qualidade, que somam mais de quarenta e cinco bilhões de barris. Estima-se que as reservas norte-americanas sejam de, no máximo, dez bilhões de barris. Além desse petróleo, grande parte do território da Líbia está situado sobre o Sistema Aquífero Arenito da Núbia, a maior reserva subterrânea de água doce existente no mundo, que abrange uma enorme área, que, segundo as estimativas, contém 150.000 km³ de água; e,</p>
<p>•	A não adesão da Líbia ao sistema financeiro internacional, tendo um banco central inteiramente independente. Além disso, a Líbia possui grandes reservas de ouro, que dão cobertura, lastro, ao valor de sua moeda, o dinar, e permite ficar imune às flutuações do dólar. Assim, o sistema financeiro internacional sentiu-se inseguro com tal independência, pois Khadafi tentou persuadir alguns países africanos a se desatrelarem do dólar como moeda internacional de negócios e estabelecerem uma moeda única. Tal idéia não é nenhum exagero, pois até mesmo a China já questionou os Estados Unidos neste sentido.</p>
<p>Então, pergunta-se quais os reais motivos que levaram a OTAN a empreender toda uma guerra contra a Líbia? Teriam sido motivos realmente humanitários? Ou, para variar, os motivos são econômicos e o povo continua sendo apenas um detalhe? </p>
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		<title>A partilha da África e os movimentos africanos de resistência à colonização</title>
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		<pubDate>Thu, 31 Mar 2011 03:03:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Colonização]]></category>
		<category><![CDATA[Lutas de resistência]]></category>
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		<description><![CDATA[Para os europeus, colonizar significava relacionar-se com os países novos para deles tirar todo o proveito e desfrutar dos benefícios de seus recursos, de qualquer natureza, aproveitando-os no interesse nacional de suas metrópoles, e ao mesmo tempo, levar às populações primitivas as vantagens da cultura intelectual, social, científica, moral, artística, literária, comercial e industrial, já na visão da metrópole, estas populações se encontravam privadas de tais vantagens. Assim sendo, seria a cultura e modo de viver europeu se sobrepondo às culturas e modos de vida de seus colonizados, impondo-se assim, no caso dos povos do continente africano, a concepção de superioridade racial, com a “ração branca européia” se considerando superior à “raça negra” africana. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/África1.jpg" alt="África" title="África" width="217" height="233" class="aligncenter size-full wp-image-10666" />Para os europeus, colonizar significava relacionar-se com os países novos para deles tirar todo o proveito e desfrutar dos benefícios de seus recursos, de qualquer natureza, aproveitando-os no interesse nacional de suas metrópoles, e ao mesmo tempo, levar às populações primitivas as vantagens da cultura intelectual, social, científica, moral, artística, literária, comercial e industrial, já na visão da metrópole, estas populações se encontravam privadas de tais vantagens. Assim sendo, seria a cultura e modo de viver europeu se sobrepondo às culturas e modos de vida de seus colonizados, impondo-se assim, no caso dos povos do continente africano, a concepção de superioridade racial, com a “ração branca européia” se considerando superior à “raça negra” africana. </p>
<p>Apesar de alguns territórios africanos já pertencerem a países europeus antes de 1870, é só a partir desse ano que começa de fato o imperialismo em África. Em 1876, apenas 10,8% do território africano estava dominado por povos colonialistas. Em 1900 a porcentagem era de 90%. Um dos pioneiros da dominação sobre a África foi o rei belga, Leopoldo II, que em 1886, tomou posse para si de todo o território do rio Congo. Essa região, aproximadamente dez vezes maior que a Bélgica, foi conservada sob seu domínio pessoal, até 1909.</p>
<p>A França, por sua vez, em 1830 conquista Argel, terminado por conquistar toda a Argélia em 1832, a Tunísia em 1881 e logo depois o Marrocos. Até 1884 realizou uma seqüência de apropriações, formando a África Ocidental Francesa. A Inglaterra tornou o Egito seu protetorado em 1882 e pouco depois apossou-se do Sudão. Em 1902, o sul da África também seria colocado sob sua tutela.</p>
<p>Em 1885, quatorze países europeus, junto com os Estados Unidos e a Rússia, celebraram um acordo na Conferência de Berlim, estipulando entre si princípios reguladores do que se convencionou chamar <strong>“Partilha da África”</strong>. A conferência estimulou a corrida sobre o que restava de territórios livres no continente africano.</p>
<p>Este processo de colonização ocorreu de duas formas: por meio de conquista militar e política, onde, nesses casos, a imigração e o estabelecimento de colonos, em terras estrangeiras, resultam de uma relação de força, de poder, de dominação imperial. Ou então por intermédio de colônias que se estabeleceram antes de uma conquista militar e da própria dominação política, ocorrendo nesses casos quando antes havia uma corrente de imigração, uma marcha pioneira, precedendo a instalação de império, da autoridade e da soberania, sendo em geral um modelo mais pacífico de colonização.</p>
<p>No entanto, ao longo do século XIX, o processo de colonização em África apresentou certas particularidades, tais como:</p>
<p>•	Na primeira metade do século, caracterizada pelo Capitalismo liberal, a expansão européia foi mais moderada, como já dito anteriormente.<br />
•	 Já a partir da segunda metade do século XIX, com o grande desenvolvimento da civilização industrial e suas conseqüências (tais como expansão demográfica e procura por novos mercados consumidores dos produtos europeus), a exacerbação dos nacionalismos burgueses, a competição entre os países capitalistas (como a Inglaterra, a França e a Alemanha), a busca não somente de mercados consumidores e de matérias-primas, mas também de campos para investimentos de capitais, levaram os governos europeus a assumirem uma postura mais expansionista.<br />
•	Neste momento, houve a passagem de uma expansão até então “espontânea”, liderada por eméritos colonizadores, pioneiros da colonização e exploradores, missões religiosas e empresas coloniais, com esporádicas intervenções políticas e militares, para uma política deliberada, que levará à constituição de Impérios e a uma nova partilha do mundo, que deve ser entendida a partir das transformações pelas quais o Capitalismo passava neste momento.</p>
<p>Este processo de partilha da África, que começou a ser posto em prática em meados do século XIX e começou a dar bons frutos por volta de 1880, entrou em declínio após a Primeira Guerra Mundial.</p>
<p>No início do século XIX, pouco restava dos antigos impérios mercantilistas de outrora, sendo que somente a Inglaterra permanecia como a grande potência marítima e imperial, embora não tivesse preferido evitar novas anexações até 1874, com exceção de alguns territórios na Índia. O fenômeno do desemprego industrial incentivará uma acelerada imigração de colonos paras as colônias de povoamento, que conseguirão uma relativa autonomia em pouco tempo. Com a primeira crise de superprodução do sistema industrial em 1874, a Inglaterra viu-se obrigada a buscar novos mercados consumidores, levando-a a buscar novos territórios, começando uma verdadeira corrida expansionista. </p>
<p>A França, com um império menos grandioso que o da Inglaterra, também se lança em busca de novos territórios, começando, na África, por conquistar a Argélia, seguida do Gabão. Após 1850, o país acelera seu processo de expansão colonial, chegando a ter, em 1939, 25% de seu comércio exterior realizado com suas colônias. Em África, a França chegou a dominar além da Argélia, a Tunísia, o Marrocos, além de regiões do Saara e a ilha do Madagascar. A França dependia muito menos que a Inglaterra de suas colônias, investindo muito menos em suas colônias do que outros países, exigindo que estas se autofinanciassem.</p>
<p>A a Bélgica, também participou da partilha da África, inicialmente pelo domínio do Congo pelo rei Leopoldo II, que era dono, pessoalmente, da colônia. No Congo ocorreu uma das mais cruéis e devastadoras colonizações que se tem notícia na história. A Bélgica investiu grandes somas no Congo, implantando “métodos científicos” de exploração econômica e de agricultura.</p>
<p>Quanto ao império português, este ainda estava presente dominando Moçambique, Angola, Cabo Verde e Guiné.</p>
<p>A colonização se revestia ainda de formas variadas de dominação direta e indireta, podendo ser colônias de comércio ou entrepostos, as de plantagem ou de exploração e as de povoamento. Ou então colônias-reservatório, que forneceriam matérias-primas e mão de obra à metrópole, ou de escoamento (que absorviam produtos da metrópole e mão de obra) ou as de administração. Sendo que as características de dominação de cada colônia dependeriam de uma série de fatores, de acordo com cada colônia ou região, sempre atendendo, em primeiro lugar, aos interesses da metrópole, geralmente não respeitando ou preservando as culturas e estruturas de poder locais.  </p>
<p>Ainda quanto às formas de colonizar praticadas em África estão:<br />
•	<strong>Colônia tribal</strong>, com segregação racial e eliminação do tribalismo, além da ocupação branca, como ocorreu na África do Sul, por exemplo.<br />
•	<strong>Colônia de “autoridade tribal”</strong>, onde existiam laços protofeudais, que eram sociedades mistas tribais e feudais. Nestas colônias houve a introdução da monocultura comercial, regressão ao nível cultural, apropriação das terras tribais, e ainda a prática de governo indireto, com aas chefias tribais a serviço da manutenção da administração dos governos locais. Observa-se o racismo branco ao lado das autoridades nativas europeizadas.<br />
•	<strong>Colônia feudal</strong>, representada pelo norte da África, onde chefias locais se aliavam com o imperialismo, numa forma de dominação interposta.</p>
<p>Resumindo, os invasores, países europeus dominadores da África, mudaram os velhos padrões das sociedades tribais, impuseram o trabalho forçado e o racismo ao continente. O regime colonial africano era um regime de brutal exploração do homem pelo homem. No entanto, ocorriam movimentos de luta contra a colonização. Por exemplo, houve resistência e persistente luta contra os franceses no Níger (1881 a 1890), na Argélia, no Senegal, no Sudão, na Costa do Ouro, onde tinham um caráter popular, sob liderança militar.</p>
<p>Também ocorreram movimentos de resistência de caráter religioso, quando entram em choque as culturas religiosas de colonizados e colonizadores.</p>
<p>Ocorreram ainda os movimentos “modernistas” ou “ocidentalistas”, patrocinados pelas novas camadas sociais que emergiram com o colonialismo. Eram as idéias européias influenciando as elites locais. Com o advento das crises econômicas surgidas após a Primeira Guerra Mundial, as economias exportadoras africanas sofreram com a queda do comércio internacional e dos preços dos produtos agrícolas e minerais que exportavam. Além disso, as nações européias estavam se reconstruindo dos estragos causados pela guerra, tendo reduzido seus investimentos nas colônias. Com a Segunda Guerra Mundial, as colônias passarão por momentos de crise e mal-estar social, que as levará, após a guerra, com toda uma nova situação de mundo, verem surgir vários movimentos nacionalistas que promoveram a descolonização da África.</p>
<p>Neste contexto, as metrópoles, em especial a Inglaterra, desde o fim da Primeira Guerra Mundial, começam por promover pequenas mudanças e concessões, e até mesmo, pequena autonomia administrativa às colônias, como ocorrida na África do Sul. Ou adotando um sistema de governo indireto, como ocorreu na Nigéria e em Serra Leoa. Na França existiam opiniões divergentes sobre qual das doutrinas adotar no tocante às colônias: a assimilação ou a associação. Ainda na França, os ideais da Revolução Francesa não se aplicavam às suas colônias, onde estatutos especiais eram aplicados, outorgando fortes poderes disciplinares.</p>
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		<title>História da Revolução Francesa</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Mar 2011 03:03:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revolução francesa significou a tomada de poder político na França pela burguesia, que, apesar de anteriormente já deter o controle das finanças, do comércio e da indústria, não possuía o controle do poder político. Ainda restava na França, no fim de século XVIII, muitos resquícios do feudalismo e sua estrutura política ainda era completamente aristocrática, emperrando o desenvolvimento do país, num momento que outras nações, como a Inglaterra, se industrializavam e buscavam novos mercados, numa postura muito mais ágil e eficaz para o mundo de então.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Revolução-Francesa01.jpg" alt="Revolução Francesa01" title="Revolução Francesa01" width="260" height="206" class="aligncenter size-full wp-image-10253" /><em>Acima, famoso quadro <strong>&#8220;A liberdade guiano o povo&#8221;</strong>, de Eugène Delacroix.</em></p>
<p><strong>Antecedentes da revolução</strong></p>
<p>A revolução francesa significou a tomada de poder político na França pela burguesia, que, apesar de anteriormente já deter o controle das finanças, do comércio e da indústria, não possuía o controle do poder político. Ainda restava na França, no fim de século XVIII, muitos resquícios do feudalismo e sua estrutura política ainda era completamente aristocrática, emperrando o desenvolvimento do país, num momento que outras nações, como a Inglaterra, se industrializavam e buscavam novos mercados, numa postura muito mais ágil e eficaz para o mundo de então.</p>
<p>A burguesia francesa aumentava em número, em cultura, em poder econômico e, principalmente, em consciência de sua importância para o país, influenciada pelas idéias iluministas e construindo e consolidando novos valores burgueses. Por esta razão, a burguesia acreditava representar os interesses do povo, uma vez que emergira, como classe social em ascensão, das classes populares e não da falida aristocracia, propondo ações transformadoras e progressistas, que geravam grande satisfação junto à população, já descontente com os condutores aristocráticos da política nacional francesa da época. Interessante frisar que mesmo entre a aristocracia encontravam-se simpatizantes pelas propostas burguesas, pois todos sabiam que a mentalidade aristocrática de então barrava, por intermédio de leis, instituições e costumes, as mudanças econômicas e sociais que eram absurdamente necessárias de serem implantadas.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Burguesia.jpg" alt="Burguesia" title="Burguesia" width="287" height="176" class="aligncenter size-full wp-image-10270" /></p>
<p>Na segunda metade do século XVIII a grande maioria da população francesa era formada por camponeses que, de certa forma, ainda estavam submetidos a um regime feudal de servidão. Estes laços de servidão, entendia a burguesia, eram um sério obstáculo ao desenvolvimento do capitalismo. Assim sendo, era mister que esta relação de trabalho migrasse para um regime assalariado, visando a criação de um mercado consumidor interno para os produtos industrializados produzidos pela própria burguesia. Também convém frisar que a produção agrícola nos moldes feudais encarecia o preço dos gêneros alimentícios consumidos nas cidades, onde estavam localizadas as indústrias. Além disso, a estrutura feudal do campo não conseguia suprir as necessidades de matérias-primas suficientes a alimentar o crescente processo de industrialização do momento. Somando a isto, ainda existiam tarifas, pedágios e sistemas alfandegários internos nos feudos da França, que eram cobrados aos comerciantes dos produtos industrializados, encarecendo seus preços finais. Nas cidades também haviam dificuldades quanto ao livre comércio, uma vez que as regulamentações das corporações de ofício também estabeleciam barreiras ao desenvolvimento das grandes indústrias, favorecendo a produção artesanal em pequena escala.</p>
<p>Assim, sabia-se que as modificações necessárias para que o capitalismo pudesse se desenvolver na França só seriam possíveis com a derrubada da monarquia absolutista que controlava o poder político no país, cabendo à burguesia, em estreita aliança com os camponeses, fomentar e liderar o processo de tomada de poder, pondo fim ao antigo regime.</p>
<p><strong>Estrutura social e política do antigo regime francês</strong></p>
<p>	A hierarquia social da França anteriormente à revolução francesa estruturava-se em três estamentos: o <strong>Primeiro Estado</strong>, composto pelo clero; o <strong>Segundo Estado</strong>, composto pela nobreza; e o <strong>Terceiro Estado</strong>, que era composto pelo restante da população francesa.</p>
<p>Quanto ao <strong>Primeiro Estado</strong>, um pouco antes da própria revolução, percebia-se uma nítida divisão interna neste estamento, onde ocorriam antagonismos e choques entre o alto e o baixo clero, que, por estar mais próximo das classes populares e sem os muitos privilégios que o alto clero possuía, simpatizava com a revolução que se aproximava. Frisando que o alto clero era basicamente constituído por elementos oriundos de famílias nobres e influentes. </p>
<p>Já o <strong>Segundo Estado</strong> também estava dividido, devido aos vários interesses divergentes de seus componentes. A nobreza palaciana residia em Versalhes e era formada por aproximadamente quatro mil pessoas, sendo todas financiadas pelo Estado francês. No interior do país residia a nobreza provincial, que viviam dos antigos privilégios feudais. Existia ainda a nobreza de toga, que eram burgueses que ganhavam ou compravam títulos nobiliárquicos, e se dedicavam aos negócios administrativos ou judiciários.</p>
<p>	Quanto aos benefícios e privilégios dos dois estamentos anteriores, estes eram o de serem isentos da maioria dos impostos, além de terem direito a pensões, doações e outras benesses do poder real. Ainda possuíam tribunais próprios e monopolizavam os postos de oficiais do exército e da marinha.</p>
<p>	O <strong>Terceiro Estado</strong> era composto pelo restante da população, ou seja, os camponeses, a burguesia e as camadas populares das cidades, com um número de aproximadamente 25 milhões de pessoas. Para se comparar, o Primeiro e o Segundo Estados tinham, juntos, cerca de 480 mil indivíduos. Fica fácil de perceber porque este estamento reivindicava o estabelecimento da igualdade civil, com o fim dos privilégios concedidos aos outros dois estamentos.</p>
<p><strong>Características da monarquia absolutista francesa</strong></p>
<p>	No decorrer do século XVIII, a França era governada por uma monarquia absolutista que não fazia nenhuma concessão nem se abria ao diálogo quanto aos anseios e interesses da burguesia. Vale frisar que já no século XVII, na Inglaterra havia sido implantado um regime político no qual a burguesia tinha representatividade, pois havia a <strong>Câmara dos Lordes</strong>, destinada aos representantes da nobreza, e a <strong>Câmara dos Comuns</strong>, destinada à burguesia e demais representantes da sociedade, e este fato despertava na burguesia francesa o desejo de ter uma expressão política verdadeira.</p>
<p>O absolutismo fundamentava-se na teoria de que os reis possuíam o “direito divino” de governar. Assim sendo, este poder “dado” por Deus, era inquestionável, não estando os monarcas obrigados a prestar conta de suas ações ou atos, não havendo limites legais que impedissem que criassem quaisquer leis e ainda aplicassem a justiça e administrassem seus estados da maneira que bem entendessem. O absolutismo francês se apoiava no clero e na nobreza, e marginalizava o Terceiro Estado, que era a grande maioria, com cerca de 96% da população francesa da época. Assim, começavam a surgir insatisfações e um verdadeiro repúdio às ultrapassadas e decadentes instituições francesas, dado o total descompasso da estrutura de poder da França se comparada com outros países da Europa, em especial com a Inglaterra, onde a burguesia já havia conquistado espaço no cenário do poder. Na França, este repúdio se fazia notar em vários artigos de jornais e em inúmeros panfletos que denunciavam os ditames monárquicos, gerando uma profusa discussão política, estremecendo a cada dia os alicerces da monarquia vigente em prol de um regime de igualdade social, sem opressão política, privilégios e desvarios administrativos.</p>
<p><strong>Crise Econômica</strong></p>
<p>	No período do rei Luís XIV, o Rei Sol (1643-1715), a França era considerada a maior potência européia, porém já sendo ameaçada em sua superioridade pela Inglaterra. Um dos fatores que mais contribuíram para a derrocada da França face à Inglaterra foi seu desempenho pífio em três guerras consecutivas. A primeira foi a Guerra de Secessão da Austríaca (1740-1748), quando a Prússia saiu-se extremamente fortalecida. A segunda guerra foi contra a Prússia, que já havia sido fortalecida pela própria França. Esta guerra ficou conhecida como a Guerra dos Sete Anos (1756-1763) e a Prússia saiu-se vitoriosa, trazendo ainda benéficos à Inglaterra, pois, por ser aliada da Prússia, conseguiu conquistar a parte francesa do Canadá e os portos franceses na Índia.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Luís-XIV-o-Rei-Sol.jpg" alt="Luís XIV, o Rei Sol" title="Luís XIV, o Rei Sol" width="196" height="257" class="aligncenter size-full wp-image-10268" /><em>Acima, o Luís XIV, o Rei Sol.</em></p>
<p>	Após estas duas derrotas na Europa, a França se voltou em outra campanha, aliando-se aos norte-americanos em sua guerra de independência contra os ingleses (1776-1783). Mesmo tendo sido vitoriosos em seu intento, os franceses pouco lucraram politicamente com o conflito, uma vez que os gastos dispendidos em tal campanha foram altíssimos, aumentando ainda mais o imenso déficit do tesouro real, agravando ainda mais a situação da monarquia.</p>
<p>Em 1774, com a subida ao trono do rei Luís XVI, esperava-se toda uma modernização do Estado francês e a solução dos problemas econômicos derivados do imenso déficit financeiro. Para tanto, foi nomeado para o cargo de Controlador-Geral das Finanças o fisiocrata Turgot, que procurou empreender várias reformas, inclusive tentando criar facilidades ao desenvolvimento das indústrias francesas, desmantelando algumas tradições feudais que impediam o livre comércio dentro do país. Uma das medidas mais polêmicas implementadas por Turgot foi a obrigatoriedade do clero e da nobreza de pagarem impostos, o que gerou profundo descontentamento do Primeiro e do Segundo Estado, tendo como conseqüência a saída de Turgot de seu cargo, sendo substituído por Necker, um banqueiro de Genebra que tratou da questão da cobrança de impostos ao clero e à nobreza com grande cautela. No entanto, em 1781, quando o déficit financeiro do governo francês atingiu patamares insuportáveis, Necker tornou público este fato, gerando sua demissão.</p>
<p>Em 1783 Calonne assumia o controle das finanças francesas, retomando o programa de reformas já em andamento desde Turgot e Necker, sendo logo demitido.</p>
<p>Em 1786, França e Inglaterra assinaram um acordo comercial que dava amplas vantagens à Inglaterra e trazia sérias desvantagens à França, pois deixaram os produtos franceses em profunda desigualdade de competitividade em relação aos produtos ingleses. Este acordo estabelecia que a Inglaterra compraria toda a produção de vinho francesa, em troca da abertura dos portos franceses aos produtos ingleses. </p>
<p>Para agravar ainda mais a situação econômica francesa, em 1784, após vários meses de chuva a produção agrícola do país foi extremamente prejudicada. Já no ano seguinte, houve uma das maiores secas da história do país, trazendo ainda mais prejuízos aos camponeses franceses. Já em 1787, a produção francesa de trigo atingiu patamares muito altos, baixando sua cotação no mercado, e agravando ainda mais a situação financeira dos camponeses. Como forma de frear os baixos preços do trigo no mercado, no ano de 1788, os camponeses retraíram suas colheitas, o que gerou aumento no preço do trigo e conseqüente aumento no preço do pão nas cidades do país.</p>
<p><strong>Convocação dos Estados Gerais</strong></p>
<p>Com o agravamento da crise econômica, o rei Luís XVI convocou os <strong>Estados Gerais</strong>, que era uma assembléia que em épocas de crise poderia ser convocada pelo rei no intuito de discutir soluções para estas crises, embora não tivesse poder decisório, apenas consultivo e seu escrutínio era por estamento e não por representante, assim sendo, o Terceiro Estado sempre era desfavorecido em detrimento das decisões dos demais estamentos. A primeira vez que houve uma convocação desse tipo foi em 1302, durante o reinado de Felipe, o Belo, e a última vez em 1614, durante o reinado de Luís XIV.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Luís-XVI.jpg" alt="Luís XVI" title="Luís XVI" width="198" height="254" class="aligncenter size-full wp-image-10260" /><em>Acima, o rei Luís XVI.</em></p>
<p>Com a convocação dos Estados Gerais gerou uma infinidade de ações de protesto e uma vasta campanha informativa orquestrados pela burguesia, contando com o apoio até mesmo de partidos políticos, como o Partido Patriota, que era considerado ilegal, mas que aglutinava membros da burguesia e do próprio povo. Surgiram neste momento várias revistas antiabsolutistas, as cahiers de doléances, que expressavam as exigências burguesas, dentre as quais a mudança na concepção do escrutínio, objetivando uma maior representatividade de fato ao Terceiro Estado. Era o Terceiro Estado emergindo de sua condição de inferioridade social e política, para uma posição de destaque e poder político de fato.</p>
<p>Como forma de acalmar os ânimos do Terceiro Estado, o rei Luís XVI aceitou dobrar o número de representantes da burguesia (Terceiro Estado) nos Estados Gerais, mas o escrutínio continuou sendo por estamento, o que em nada alterava o resultado final das votações. Esta atitude gerou ainda mais raiva por parte da burguesia, enfurecendo-a e afastando as possibilidades de entendimento entre os estamentos que apoiavam o regime e a monarquia.  </p>
<p>Em 05 de maio de 1789, o rei Luís XVI declarava aberta a sessão dos Estados Gerais, onde, num discurso, defendeu que seus integrantes deveriam evitar o espírito de renovação que impregnava o ambiente, voltando-se apenas para as questões pertinentes à grave crise financeira. Assim, o rei demonstrava à burguesia que não estava disposto a discutir mudanças na estrutura política do país, e sim apenas resolver um problema pontual. A burguesia (com o apoio de alguns dissidentes do clero e da própria nobreza) então reagiu declarando-se em assembléia nacional, exigindo a elaboração de uma constituição para a França. Assim foi realizada a <strong>Primeira Jornada Revolucionária</strong>, recendo ordens expressas do rei pela sua dissolução, que foi imediatamente rechaçada por seus líderes, como Mirabeau, afirmando que estavam até mesmo dispostos a pegar em armas, se preciso fosse.</p>
<p>Eventos como este inflamaram os ânimos populares e gerando dissidências até mesmo dentre os destacamentos militares antes leais ao rei, iniciando-se lutas de resistência e fortes manifestações contrárias à monarquia. Neste momento, sob o comando do general La Fayette, que era um nobre dissidente do antigo regime lutara na guerra de independência dos Estados Unidos, foi organizada uma guarda nacional que lutaria em defesa dos interesses burgueses. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Tomada-da-Bastilha.jpg" alt="Tomada da Bastilha" title="Tomada da Bastilha" width="249" height="202" class="aligncenter size-full wp-image-10258" /><em>Acima, a Tomada da Bastilho.</em></p>
<p>O momento mais marcante e que simbolizou o início da revolução francesa foi o dia 14 de julho, quando populares armados invadiram a prisão política da Bastilha, no intuito de libertar seus prisioneiros. Este fato ficou marcado como a <strong>Segunda Jornada Revolucionária</strong>.</p>
<p>Após a tomada da Bastilha, em agosto de 1789 teve início uma onde de ações rebeldes que assolou, principalmente, a área rural do país, sendo o principal alvo propriedades da nobreza, inclusive com famílias nobres sendo massacradas pela fúria do povo e várias propriedades tendo sido invadidas. As notícias desses acontecimentos causavam imenso temor à monarquia “protegida” em Versalhes. Como forma de tentar frear tais acontecimentos, a <strong>Assembléia Nacional</strong> foi novamente reunida, aprovando-se uma proposta da burguesia que extinguia os privilégios do clero e da nobreza e desonerava a burguesia e povo de cobranças tarifárias e impostos. Estes eventos caracterizaram a <strong>Terceira Jornada Revolucionária</strong> e ficaram conhecidos como <strong>O Grande Medo</strong>, e simbolizam a supressão doe praticamente todos os privilégios existentes no antigo regime.  </p>
<p>Uma das mais importantes conquistas da burguesia até este momento ocorreu em 26 de agosto de 1789, quando foi votada e aprovada a <strong>Declaração Universal dos Direitos de Homem e do Cidadão</strong>, que tinha como inspiração a Declaração de Independência dos Estados Unidos, e que funcionava como uma constituição, promovendo a igualdade social de todos perante a lei, garantia ainda as liberdades individuais, o direito à propriedade privada, acabava com os privilégios do clero e da nobreza e garantia liberdade de opinião e política.</p>
<p>No início de outubro, mais precisamente nos dias 05 e 06, ocorria a <strong>Quarta Jornada Revolucionária</strong>, onde populares de Paris, numa ação que inibisse uma atitude contra-revolucionária da monarquia, marcha até Versalhes e obriga o rei a ir para Paris. Temerosa de sua segurança, grande parte o clero e da nobreza fogem do país, indo exilar-se junto ao absolutista Sacro Império Romano-Germânico. </p>
<p>Como curiosidade, os termos direita e esquerda, ligados às tendências políticas, tiveram sua origem nos Estados Gerais franceses reunidos em 1789, pois a nobreza e o clero (Primeiro e Segundo Estados), que apoiavam a monarquia, sentavam-se sempre à direita do rei. Já os representantes do Terceiro Estado sentavam-se à esquerda do rei e tinham posicionamentos mais críticos e contrários aos ditames da monarquia. Com o tempo, o sentido de direita e esquerda foi-se relativizando para se tornar mais adequado às ideologias comparadas e ao ponto de vista de quem usa tais termos. Por exemplo, os girondinos, por serem também revolucionários, estavam à esquerda do regime social e econômico estabelecido por ocasião da revolução, mas, com o derrube do regime, passaram a ser &#8220;a direita&#8221;, por oposição aos jacobinos, revolucionários mais radicais.</p>
<p><strong>Monarquia Constitucional</strong></p>
<p>Para a implantação de uma nova estrutura política na França, muito obstáculos ainda tinham que ser transpostos, já que vários interesses burgueses estavam em jogo. Logicamente alguns desses interesses divergiam entre si, gerando choques e disputas dentro do próprio Terceiro Estado.</p>
<p>O grande detonador da revolução havia sido a crise econômica, porém os acontecimentos posteriores não resolveram tais problemas. Então, como forma de garantir a continuidade das conquistas e a integridade da revolução, por sugestão de Talleyrand as terras da Igreja foram expropriadas e o clero foi obrigado a jurar fidelidade à revolução. Este fato gerou a reação da igreja e, em 1791, a revolução foi condenada pelo Papa, enquanto o clero e a nobreza que havia saído do país se organizavam no intuito de retornarem à França, invadindo-a e retomando o poder político de antes. Para que tal intento fosse possível, entendiam ser imprescindível a participação do rei em tal invasão, forçando-o, em junho de 1791 a tentar uma fuga para a Alemanha sem sucesso, pois na fronteira, fora reconhecido e preso, sendo enviado imediatamente para Paris. A prisão do rei prisão gerou uma imensa repercussão em toda Europa, onde as monarquias vigentes temiam que os ideais revolucionários contaminassem seus países.</p>
<p>Um importante momento do processo revolucionário francês ocorreu em setembro de 1791 quando o rei, sob severa vigilância, viu-se obrigado a jurar a primeira constituição francesa, encerrando-se assim os trabalhos da <strong>Assembléia Constituinte</strong> de 1789. Esta constituição era totalmente inspirada nos idéias burgueses e estabelecia normas e regras que concediam privilégios à burguesia, beneficiando apenas o Terceiro Estado. Era como se fosse uma vingança ao antigo regime. Nesta constituição estava estabelecido o voto censitário, onde só podiam votar indivíduos pagantes e impostos acima de uma determinada quantia. Também só poderiam ser candidatos quem possuísse grande quantidade de bens. Gerando ainda mias discussões e desentendimentos, em 1791 foi promulgada a Lei Chapelier, que declarava ilegais as greves e proibia a organização de associações de trabalhadores.  </p>
<p>As divergências existentes ficaram mais evidentes quando da eleição da Assembléia Legislativa, já nos parâmetros determinados pela nova constituição. Logicamente, devido ao voto censitário, a burguesia mais abastada, a alta burguesia, tinha um maior número de representantes. Estavam eles divididos em <em>feuillants</em>, que representavam a burguesia financeira, e os <strong>girandinos</strong>, que representavam a burguesia comercial e industrial. E, mesmo entre eles haviam divergências, pois os <em>feuillants</em> eram defensores de uma monarquia constitucional, e os girondinos defendiam a república. Havia ainda os <strong>jacobinos</strong>, que representavam a pequena burguesia e os <em>cordeliers</em>, que representavam as camadas mais populares, sendo que ambos almejavam a derrubada da monarquia e a implantação da república. Havia ainda alguns deputados independentes que, por possuírem pouca expressividade, não exerciam grande poder decisório.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/sans-cullotes.jpg" alt="sans-cullotes" title="sans-cullotes" width="187" height="256" class="aligncenter size-full wp-image-10266" /><em>Acima, os sans-cullotes.</em></p>
<p>Como já foi dito, algumas nações européias se sentiam ameaçadas pelo triunfo da revolução francesa e em 1792, a Prússia, a Áustria e alguns nobres franceses exilados atacaram a França, no intuito de restaurarem o antigo regime. A revolução foi defendida sob a liderança dos líderes jacobinos Marat, Robespierre e Danton, que distribuíram armas ao povo e organizaram a chamada <strong>Comuna Insurrecional de Paris</strong>. Ainda fazendo frente às tropas prussianas, que penetravam em território francês chegando até Verdun, populares, conhecidos como <em>sans-cullotes</em>, se organizaram em tropa e venceram o exército prussiano na Batalha de Walmy.  </p>
<p><strong>Convenção</strong></p>
<p>Em pleno decurso da guerra com os invasores, por forte pressão popular, a Assembléia Legislativa viu-se obrigada a votar pela destituição da monarquia, tendo que aprovar uma nova Assembléia Constituinte, que ficou conhecida por <strong>Convenção</strong>, que deveria ser eleita por sufrágio universal. Em 22 de setembro de 1792 a Convenção proclama a república, alterando inclusive o calendário francês, considerando o ano da proclamação da república como o ano I, dando ainda nova denominação aos meses, baseado nas chamadas manifestações da natureza. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Convenção-Nacional.jpg" alt="Convenção Nacional" title="Convenção Nacional" width="258" height="195" class="aligncenter size-full wp-image-10256" /></p>
<p>Na Convenção os jacobinos, em oposição aos girondinos, mostravam-se cada vez mais radicais, exigindo o julgamento do rei Luís XVI. Diante das fortes pressões populares, o rei finalmente foi julgado e condenado a ser guilhotinado. Sua execução ocorreu em 21 de janeiro de 1793, para espanto de todo o mundo, pois a burguesia triunfava assim de forma definitiva. Como forma de frear a expansão de novos ímpetos revolucionários em seus países, as monarquias da Áustria, da Prússia, da Holanda, da Espanha e da Inglaterra formaram a Primeira Coligação européia conta a França.</p>
<p>Devido aos movimentos de oposição ao novo regime francês surgidos dentro e fora da França, como a revolta camponesa de caráter contra-revolucionário que ocorreu na Vendéia, encarecendo os preços dos alimentos nas cidades francesas e provocando a radicalização ainda maior dos <em>sans-cullotes</em> surgiram insatisfações à condução da política francesa. Em 12 de junho de 1793, liderados por Marat, Hébert e Roux, os sans-cullotes cercam a Convenção e prendem os líderes girondinos, passando a liderança e a condução do poder político aos jacobinos.</p>
<p>Ainda em 1793 os jacobinos promulgaram uma nova constituição, muito mais democrática que as anteriores, concedendo, por exemplo, o direito universal de voto a todos os indivíduos maiores de 21 anos. No entanto, esta constituição não chegou a ser aplicada, pois em outubro de 1793, ela foi suspensa, junto com todas as liberdades individuais, por ocasião da implantação de um tribunal revolucionário destinado a julgar os chamados inimigos da república, caracterizando-se como o período do <strong>Terror</strong>, visto o grande número de execuções na guilhotina. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Guilhotina.jpg" alt="Guilhotina" title="Guilhotina" width="259" height="194" class="aligncenter size-full wp-image-10264" /><em>Acima, a guilhotina.</em></p>
<p>Destaca-se, neste período, o jacobino Robespierre, que era conhecido por ser incorruptível e que foi um dos mais importantes personagens da revolução. Sob seu comando, a revolução aboliu a escravidão nas colônias francesas, estabeleceu limites de preços aos produtos alimentícios, criou o estudo obrigatório e gratuito, além de derrotar a coligação antifrancesa e reprimir as revoltas contrárias à revolução que ocorriam na Vendéia.</p>
<p>Os jacobinos enfrentavam ainda uma grande disputa interna por poder. Tanto que mesmo membros de seu quadro foram quilhotinados, como Danton, de postura mais moderada, que pregava o fim do chamado Terror. Fatos como estes levaram os <em>sans-cullotes</em> a retirarem seu apoio aos jacobinos, enfraquecendo a base política de apoio ao regime, dando chance <em>a posteriori</em>, ao comando do poder nas mãos da alta burguesia. </p>
<p><strong>Diretório</strong></p>
<p>Na data de 09 Termidor de 1794, a alta burguesia, por intermédio de golpe, toma o poder dos jacobinos e, para evitar qualquer tipo de resistência, condena Robespierre e outros vários partidários seus a guilhotina. Neste momento, também várias ações implantadas pelos jacobinos foram anuladas, como o limite de preços aos alimentos, a execução da Marselhesa, hino francês que conclamava os cidadãos a pegarem em armas e avançarem sobre os inimigos do país e o voto universal. Uma nova constituição foi promulgada, de caráter restritivo, excluindo a participação popular nas decisões políticas, e ainda implantando o <strong>Diretório</strong>, que era um colegiado formado por cinco membros, que deveria conduzir a política nacional francesa dentro dos interesses da alta burguesia.  </p>
<p>Na verdade, os reais interesses da alta burguesia francesa ainda não haviam sido realizados pela revolução, que cortou sim os entraves feudais ao desenvolvimento capitalista, mas somente com a implantação do Diretório, a alta burguesia conseguia implantar e impor seus reais interesses econômicos.</p>
<p>Após a implantação do Diretório, vários foram os levantes populares e até de restabelecimento da monarquia que se presenciaram na França. Além disso, a explosão inflacionária e as várias denúncias de corrupção acabaram por estremecer e desmoralizar a instituição do Diretório, que ainda sofria as pressões externas, pois em 1798 foi formada mais uma frente contrária à França, a <strong>Segunda Coligação</strong> européia antifrancesa. Face a estes fatos, a alta burguesia entendeu que seria necessário uma figura forte na condução da política nacional, mas dentro dos interesses burgueses e o escolhido foi o jovem general <strong>Napoleão Bonaparte</strong>.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Napoleão.jpg" alt="Napoleão" title="Napoleão" width="273" height="185" class="aligncenter size-full wp-image-10262" /><em>Acima, Napoleão Bonaparte.</em></p>
<p>Com o apoio da burguesia, em 18 Brumário de 1799, Napoleão Bonaparte deflagrou um golpe que derrubou o regime do Diretório, dando início à chamada <strong>Era Napoleônica</strong>, que, se cerceava a liberdade política da burguesia francesa, garantia uma ordem econômica favorável, com grandes possibilidades de enriquecimento dessa mesma burguesia graças a sua política expansionista para toda a Europa.</p>
<p><strong>Consequências da Revolução Francesa</strong></p>
<p>No plano político, a revolução significou a chegada ao poder da burguesia, que pelo incremento do capitalismo, passava a ter o poder econômico nas mãos, mas carecia de poder político de fato. Foi o triunfo do capital sobre as tradições. Tanto que levou temor e preocupação a todos os países europeus, que chegaram a lutar contra estas mudanças.</p>
<p>A revolução francesa influenciou vários movimentos de independência nas Américas, como a própria Inconfidência Mineira, como afirmam alguns historiadores.</p>
<p>Também percebe-se, no decorrer da revolução francesa, o poder de formação e manipulação de opinião que jornais, revistas e panfletos poderiam ter junto às camadas populares, conclamando-as às lutas e reivindicações contrárias ao regime. </p>
<p>A revolução francesa foi, de fato, um marco divisório na historiografia mundial. </p>
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		<title>Os caminhos para a ascensão do Fascismo e do Nazismo</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Jul 2010 03:03:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Foi uma grande surpresa para o mundo ocidental, vindo do século XIX, quando o Liberalismo triunfou, a queda desse mesmo Liberalismo logo no início do século XX, principalmente após a Primeira Guerra Mundial. Logo nos primeiros anos do século XX os valores e instituições que norteavam a civilização liberal entraram em colapso. Entendia-se pelo Liberalismo que países e governos deveriam seguir constituições e possuírem parlamento, sendo o autoritarismo e a ditadura vistos com desconfiança face à mentalidade da época. A democracia era vista como o caminho ideal dentro da ótica liberal. Com exceção da Rússia, todos os regimes que emergiram da Primeira Guerra Mundial, novos ou velhos, eram basicamente regimes parlamentares representativos eleitos. Poucos foram os Estados que não tiveram eleições no período compreendido entre 1919 e 1947 ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Nazismo.JPG" alt="Nazismo" title="Nazismo" width="220" height="246" class="aligncenter size-full wp-image-6523" /></p>
<p>Foi uma grande surpresa para o mundo ocidental, vindo do século XIX, quando o Liberalismo triunfou, a queda desse mesmo Liberalismo logo no início do século XX, principalmente após a Primeira Guerra Mundial. </p>
<p>Logo nos primeiros anos do século XX os valores e instituições que norteavam a civilização liberal entraram em colapso. Entendia-se pelo Liberalismo que países e governos deveriam seguir constituições e possuírem parlamento, sendo o autoritarismo e a ditadura vistos com desconfiança face à mentalidade da época. A democracia era vista como o caminho ideal dentro da ótica liberal. Com exceção da Rússia, todos os regimes que emergiram da Primeira Guerra Mundial, novos ou velhos, eram basicamente regimes parlamentares representativos eleitos. Poucos foram os Estados que não tiveram eleições no período compreendido entre 1919 e 1947. </p>
<p>Mesmo num mundo onde a democracia parecia ser a solução definitiva, regimes fascistas começaram a aparecer e assembléias legislativas começaram a serem dissolvidas. Este fato foi, em grande parte, propiciado pelas crescentes crises econômicas e suas difíceis soluções, que não estavam sendo alcançadas pelos regimes democráticos e liberais de então. Um dos fatores que mais influenciou a queda do Liberalismo e a ascensão do fascismo foi a Grande Depressão, acarretando a queda quase que imediata de vários governos existentes, principalmente por intermédio de golpes militares.</p>
<p>Nesta ocasião, em vários países da Europa, da Ásia e das Américas, por exemplo, regimes autoritários de expressão fascista alcançaram o poder. Uma das características mais comuns aos novos governos não liberais era o receio quanto ao comunismo, inclusive com a proibição da existência de partidos comunistas em seus respectivos países. Havia ainda o receio de revoluções sociais e da quebra da antiga ordem. Almejava-se o restabelecimento da saúde econômica, sem alterações da estrutura social dos países. No entanto, em alguns países, como a Espanha, estouraram guerras civis e violentas revoluções, onde governos fascistas emergiram, seguindo uma linha ditatorial de atuação, e restringindo ao máximo as instituições democráticas em seus países.</p>
<p>O primeiro movimento verdadeiramente fascista foi o italiano, seguido de outros movimentos dessa natureza, como o próprio movimento nacional-socialista (Nazismo) alemão. Uma das bases do fascismo era o retorno às instituições do passado tradicional, defendo um verdadeiro retrocesso aos novos costumes da época, como o das mulheres trabalharem fora e ainda faziam uma grande objeção às idéias comunistas. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Hitler-e-Mussolini.JPG" alt="Hitler e Mussolini" title="Hitler e Mussolini" width="220" height="237" class="aligncenter size-full wp-image-6497" /><em>Acima, foto de Adolf Hitler, da Alemanha, e de Benito Mussolini, da Itália,, líderes Nazista e fascista, respectivamente.</em></p>
<p>Os regimes fascista e nazista tinham como característica o massivo uso de propaganda e aglutinação popular, principalmente junto às classes trabalhadoras. Já o nazismo, diferenciando-se do fascismo tinha um caráter desenvolvimentista e científico muito apurado, e ainda defendia a idéia de superioridade e inferioridade raciais de forma contundente, que inclusive serviu para justificar a perseguição aos judeus e outras etnias. Quanto aos judeus, a situação deles no mundo ocidental era, de fato, difusa. Havia, de fato, segregação em toda a Europa aos judeus. </p>
<p>Os regimes fascistas e nazista possuíam um grande poder popular e a admiração das classes trabalhadoras urbanas, pois criaram leis e se posicionavam, mesmo que de forma fictícia, ao lado dessas classes. Promoviam grandes eventos onde a auto-estima dessas classes era inflada, aumentando cada vez o sentimento de nacionalismo. O nazismo, de fato, realizou um importante programa social para as massas populares, estabelecendo férias, esportes, o planejado “carro do povo”, ou seja, conquistas inéditas que para o povo legitimava o nazismo no poder.</p>
<p>Certamente, a ascensão da direita radical ao poder após a Primeira Guerra Mundial foi uma resposta ao perigo, que até era real, da revolução social e do poder operário em geral, principalmente pelo ocorrido na Rússia, em 1917. </p>
<p>Outra marcante característica dos regimes fascistas e nazista na Europa, foi o crescente militarismo. As esquerdas condenavam este militarismo, lembrando da imensa matança ocorrida na Primeira Guerra Mundial.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Nazismo1.jpg" alt="Nazismo1" title="Nazismo1" width="284" height="350" class="aligncenter size-full wp-image-6522" /><em>Acima, desfile de militares empunhando a bandeira Nazista.</em></p>
<p>Uma das vitórias do nacional-socialismo foi o expurgo radical, a destruição, das velhas elites e estruturas institucionais imperiais. Essa destruição trouxe a possibilidade de implantação de novas idéias e concepções sociais e estruturais à Alemanha, trazendo, aos olhos de seu povo, grandes melhorias e uma sensação de segurança e prosperidade junto à economia.   </p>
<p>O fascismo proporcionou algumas grandes vantagens para o capital, eliminando ou derrotando a revolução social esquerdista e, parecendo ser o grande baluarte contra estas revoluções, promovendo uma sensação de segurança aos capitalistas da época.</p>
<p>Na América Latina, o fascismo exerceu grande influência, apesar dos temores norte-americanos, sempre valorizando as instituições democráticas, mas que também temiam perder sua hegemonia junto aos países latino-americanos para a Alemanha. Afinal, visto de longe, os regimes fascistas pareciam coroados de sucesso, o que despertava o interesse em se copiar este modelo de regime.</p>
<p>É importante frisar que nem todos os nacionalismos simpatizavam com o fascismo, sendo que em vários países a mobilização contrária ao fascismo acabou por produzir um patriotismo da esquerda, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial.</p>
<p>A democracia liberal tinha contra si, num momento de profunda crise, como a ocorrida na Grande Depressão, o fato de suas discussões por soluções serem mais demoradas, dependendo da aprovação de parlamentos, o que nem sempre era eficaz. Assim, com o autoritarismo dos regimes fascistas, as decisões eram mais rápidas, e seus resultados logo se faziam presentes. Dessa forma, entende-se porque os regimes democráticos liberais foram caindo um a um.</p>
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		<title>Origens e consequências da Grande Depressão</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 03:03:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A evolução do Capitalismo é composta de vários ciclos, oscilações, de variadas durações e proporções. Desde a Revolução Industrial, o mundo passava por um aceleradíssimo progresso tecnológico, de um contínuo, mas irregular crescimento econômico e também de uma cada vez mais crescente “globalização”, havendo uma divisão cada vez mais elaborada e complexa de trabalho, numa rede cada vez maior de fluxos e intercâmbios interligando todas as partes do planeta, numa forma nunca antes vista. Contudo, no período posterior à Primeira Guerra Mundial, este processo de globalização começou a dar sinais de que parara de crescer tão vertiginosamente, chegando a estagnar e até regredir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Crash.JPG" alt="Crash" title="Crash" width="220" height="296" class="aligncenter size-full wp-image-6512" /><em>Acima, manchete do jornal inglês <strong>London Herald</strong> anunciando a quebra da Bolsa de Valores de Nova York.</em></p>
<p>O grave colapso econômico ocorrido no período posterior à Primeira Guerra Mundial, como muitos acreditam, não teria tido esta guerra como sua grande causadora, mesmo estando uma boa parte da Europa “destruída”. Afinal, o epicentro deste “terremoto econômico global” foram os Estados Unidos.</p>
<p>A evolução do Capitalismo é composta de vários ciclos, oscilações, de variadas durações e proporções. Desde a Revolução Industrial, o mundo passava por um aceleradíssimo progresso tecnológico, de um contínuo, mas irregular crescimento econômico e também de uma cada vez mais crescente “globalização”, havendo uma divisão cada vez mais elaborada e complexa de trabalho, numa rede cada vez maior de fluxos e intercâmbios interligando todas as partes do planeta, numa forma nunca antes vista. Contudo, no período posterior à Primeira Guerra Mundial, este processo de globalização começou a dar sinais de que parara de crescer tão vertiginosamente, chegando a estagnar e até regredir. </p>
<p>Os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial também presenciaram grande imigração, principalmente de europeus, para diversos países, preferencialmente os Estados Unidos, sendo que após o conflito este fenômeno também estagnou. Até mesmo o fluxo internacional de capital pareceu secar, pois os empréstimos internacionais chegaram a cair mais de 90% entre 1927 e 1933.</p>
<p>Perguntam-se os historiadores e economistas o motivo dessa estagnação. Para responder esta pergunta, surgiram várias teorias. O fato é que cada país, após a grande guerra, passou a procurar proteger ao máximo suas economias das ameaças e vulnerabilidades externas. No entanto, discutia-se o que fazer para colocar as economias em ordem. Grandes ondas inflacionárias assolavam algumas economias, fazendo com que seus países procurassem soluções macroeconômicas viáveis e eficazes. Em vários países, a grande onda inflacionária só se encerrou entre 1922 e 1923, quando os governos de alguns países decidiram parar de emitir papel-moeda em quantidades ilimitadas, o que alimentava o processo inflacionário, chegando alguns países a mudarem suas próprias moedas. </p>
<p>Em 1924, muitas das principais economias mundiais já se encontravam acalmadas e esperava-se que tudo voltasse ao normal, voltando a haver nova onde de crescimento. Assim, uma nova onda de crescimento ocorreu, com o crescimento também do fluxo internacional de capitais, sendo que algumas economias, como a da Alemanha, tornaram-se dependentes desse grande fluxo de capitais para impulsionar sua economia.</p>
<p>Em 1929, mesmo com algumas preocupadas previsões elaboradas pela Internacional Socialista de que outra crise econômica estava por ocorrer, o mundo foi assolado por nova depressão, que desta vez foi ainda mais profunda e global. Esta nova crise começou exatamente em 29 de outubro de 1929, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Nesta crise, as economias norte-americanas e alemãs tiveram quedas imensas em sua dimensão, seguidas pelas economias de quase todos os países do mundo, principalmente os Europeus, seguidos do Japão e dos países americanos. Mesmo os países coloniais agrícolas sofreram com a depressão de 1929. Nesta depressão, problemas de ordem econômica, industrial e social, como a previdência dos países, sofreram enormemente. Índices de desemprego nunca antes vistos na história da Humanidade foram contabilizados. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/BVNY.jpg" alt="BVNY" title="BVNY" width="400" height="325" class="aligncenter size-full wp-image-6516" /><em>Acima, movimentação de investidores em frente à Bolsa de Valores de Nova York por ocasião de sua &#8220;quebra&#8221; em outubro de 1929.</em></p>
<p>Uma das mais imediatas conseqüências políticas da Grande Depressão foi a destruição da crença no liberalismo econômico e inauguração de uma fase de intervenção do Estado na economia. Também foi abandonado, por alguns países, o padrão-ouro, que sempre servia de parâmetros para as trocas comerciais e lastreava as moedas nacionais. Países tiveram que conceder subsídios aos produtos agrícolas e outras práticas tarifárias para protegerem suas economias e os empregos de seus cidadãos. Além disso, ocorreram movimentos políticos intensos nos países e regimes de extrema direita acabaram por surgir, na esperança de resolverem os problemas vividos pelas suas populações. Apenas um país parecia ter ficado imune à grande depressão, a União Soviética, pois o país continuava um importante ciclo de crescimento econômico iniciado após a Revolução de 1917, conforme planejamentos governamentais.</p>
<p>A economia dos Estados Unidos sofreu muitíssimo com a grande depressão, com milhares de bancos, industrias e empresas falindo, o que gerou uma enorme quantidade de desempregados. Para superar esta crise, várias medidas governamentais foram implantadas, sendo que as medidas que obtiveram maiores resultados foram as aplicadas por intermédio do plano governamental elaborado pela equipe do presidente Franklin Delano Roosevelt, após sua eleição em 1932, chamado New Deal. Também na Inglaterra, novas políticas econômicas foram implantadas pelo ministro John Maynard Keynes que, até os dias atuais, são referência no estudo de políticas macro-econômicas.</p>
<p>Logicamente, transformações culturais, intelectuais e comportamentais ocorreram no mundo no período da Grande Depressão, quando percebeu-se que o próprio mundo e seu funcionamento teriam que ser repensados. Neste período, dado às inconstâncias políticas advindas, vários governos e monarquias caíram e regimes autoritários, ditatoriais e/ou revolucionários emergiram, com tendências políticas radicais, tanto à esquerda, como à direita. Também ocorreram instabilidades políticas nas colônias, com grande descontentamento político e social, embora não se apresente neste momento a presença de movimentos nacionalistas de independência com relação aos países colonizadores.</p>
<p>A Grande Depressão também gerou um acentuado processo de atividade antiimperialista, já que as mercadorias produzidas nas colônias tiveram seus preços despencados, e ainda porque os próprios países colonialistas tiveram que proteger suas economias e sua população do desemprego, agravando a situação das colônias. </p>
<p>Outra característica da Grande Depressão foi o grande temor que começou a surgir em todo o mundo quanto à opção socialista, devido ao crescimento e aparente blindagem da economia soviética, que acabou por influenciar grupos políticos em diversos países, que percebiam e entendiam ser o socialismo uma opção à crise econômica que seus países estava passando. No entanto, os mais significativos movimentos políticos que surgiram foram o Nacional-Socialismo (Nazismo) e o Fascismo, que acabaram dando origem a uma política de compensações e reconquistas, acarretando a Segunda Guerra Mundial. </p>
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		<title>As Cruzadas</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2010 03:03:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alessandro Lyra Braga]]></category>

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		<description><![CDATA[As Cruzadas eram um bom negócio para todos na Europa. Por exemplo, para a Igreja era um instrumento de expansão. Para os reinos e diversos impérios europeus era uma forma de conter o avanço dos turcos sobre seus territórios. Também para os chamados nobres deserdados esta era uma boa oportunidade de novas terras. Para os comerciantes de cidades como Veneza, Pisa e Gênova esta era uma ótima oportunidade de abertura para novas rotas comerciais, que certamente lhes traria riquezas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/As-Cruzadas.jpg" alt="As Cruzadas" title="As Cruzadas" width="176" height="188" class="aligncenter size-full wp-image-11100" /><em>Acima, cruzados massacrando judeus, na Quarta Cruzada.</em></p>
<p>Após um período de certa tranqüilidade na Europa, sem grandes conflitos e/ou guerras, a população européia experimentou um processo de crescimento quantitativo que acabou por gerar uma profunda crise sócio-econômica visto a estrutura do sistema feudal não estar preparada para este aumento de contingente.</p>
<p>Aliado a esta crise, que deixou grande parte da população na marginalidade, que se aprofundou com a invasão muçulmana no século VIII, o senso de religiosidade cresceu imensamente, pois acreditavam os atingidos que todas as mazelas pelas quais estavam passando eram castigos de Deus. Convém frisar que a religiosidade e a espiritualidade do homem medieval eram muito fortes, sendo este homem, antes de tudo, um servo de Deus, logo, também da Igreja. Logo, para este homem medieval, combater o infiel muçulmano era uma ação santa e representava a salvação eterna, garantida pelas indulgências oferecidas pela Igreja aos cruzados. Assim, empreendendo uma cruzada sobre os muçulmanos, tanto as questões políticas da Igreja seriam beneficiadas, como as pressões demográficas seriam aliviadas, pois imensos contingentes populacionais teriam que ser deslocados para as áreas até então dominadas pelos muçulmanos e assim resolver a crise pela qual o sistema feudal passava na Europa.</p>
<p>As Cruzadas eram um bom negócio para todos na Europa. Por exemplo, para a Igreja era um instrumento de expansão. Para os reinos e diversos impérios europeus era uma forma de conter o avanço dos turcos sobre seus territórios. Também para os chamados nobres deserdados esta era uma boa oportunidade de novas terras. Para os comerciantes de cidades como Veneza, Pisa e Gênova esta era uma ótima oportunidade de abertura para novas rotas comerciais, que certamente lhes traria riquezas.</p>
<p>O grande objetivo das Cruzadas, que era uma expedição militar, era abrir o caminho para peregrinos católicos para o oriente, bem como acabar com o domínio árabe na península ibérica e no sul da Itália, o que resultou na criação das Cruzadas do Ocidente.</p>
<p>Antes ainda da primeira Cruzada Oficial houve uma cruzada popular, composta de uma tropa mista, tendo tanto civis, como soldados, e no comando um monge, Pedro, o Eremita. A partir da pregação de Pedro, um grande contingente de cavaleiros aderiram à Cruzada e adotaram a cruz branca como seu símbolo.</p>
<p>A <strong>Primeira Cruzada Oficial</strong> ou <strong>Cruzada Senhorial </strong>partiu da Europa em 1096, comandada por vários nobres e representantes do Papa e, após várias lutas bastante desfavoráveis, conseguiram chegar à Constantinopla. Após várias conquistas ainda recolheram os remanescentes da tropa da Cruzada de Pedro, o Eremita. Chegaram em Jerusalém em 07 de junho de 1099, conquistando-a em 15 de julho de 1099, alcançando assim seu objetivo de libertar o Santo Sepulcro. No decorrer desta batalha pela tomada de Jerusalém mais de setenta mil muçulmanos e milhares de judeus morreram. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Cruzadas1.JPG" alt="Cruzadas1" title="Cruzadas1" width="279" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-5995" /><em>Acima, cidade de Jerusalém, por ocasião da Segunda Cruzada.</em></p>
<p>A <strong>Segunda Cruzada Oficial</strong> ocorreu devido à tomada de Edessa pelos muçulmanos em 1144. Esta Cruzada, que durou de 1147 a 1149, quase fracassou se não fosse a ajuda providencial do Grão-mestre dos Cavaleiros Templários, uma vez que os comandantes responsáveis eram inexperientes e não conheciam a topografia local.</p>
<p>Após a cruzada anterior, muitos eram os desentendimentos entre os estados cristãos com os muçulmanos e entre os próprios estados muçulmanos, possibilitando uma certa forma de sobrevivência dos estados cristãos. </p>
<p>A <strong>Terceira Cruzada Oficial</strong>, também chamada de <strong>A Cruzada dos Reis</strong>, pois contou com a participação de Ricardo Coração de Leão (Inglaterra), Felipe Augusto (França) e Frederico Barba Ruiva (Sacro Império), durou de 1189 a 1192 e teve como objetivo libertar novamente Jerusalém, que havia sido reconquistada pelo Sultão Saladino. </p>
<p>A maior conquista dessa cruzada foi a retomada da ilha de Chipre. Esta cruzada estabeleceu um marco inicial da mudança de relacionamento entre muçulmanos e cristãos, criando assim uma maior tolerância entre ambos, já ambos tiveram suas importantes vitórias e derrotas e Jerusalém acabou acessível aos cristãos mediante armistício.</p>
<p>A <strong>Quarta Cruzada Oficial</strong>, que correu entre 1202 e 1204, foi solicitada pelo Papa Inocêncio III que queria demonstrar o poderia da Igreja na Europa e, aproveitando a morte de Saladino, retomar Jerusalém.</p>
<p>Foi a cruzada responsável pelo declínio de Constantinopla e pela ascensão das cidades italianas nas rotas comerciais. Teve pouca ajuda dos Cavaleiros Templários. Foi uma cruzada que acabou por visar praticamente ganhos econômicos.</p>
<p>A <strong>Quinta Cruzada Oficial</strong>, ou <strong>Cruzada das Crianças</strong>, que correu entre 1217 e 1221, e foi mal sucedida. Inicialmente, composta por quase trinta mil meninos adolescentes, que acabaram ou mortos por afogamento ou escravizados, esta cruzada foi mal planejada. Conclamada pelo Papa Honório III, não obteve êxito e não atingiu nenhum de seus objetivos. </p>
<p>A <strong>Sexta Cruzada Oficial</strong>, que correu entre 1228 e 1229, foi organizada por André II, rei da Hungria e comandada por Frederico II, imperador do sacro Império e Rei da Sicília. Nesta cruzada, Frederico II firmou um acordo obtendo por dez anos a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré, caracterizando um grande acordo diplomático, evitando-se assim grande derramamento de sangue.</p>
<p>Mais tarde o acordo foi rompido, com os muçulmanos retomando a região, sendo então retomada pelos cruzados, que com ela estiveram por mais 15 anos, quando voltou o poder aos muçulmanos.</p>
<p>A <strong>Sétima</strong> e <strong>Oitava Cruzadas Oficiais</strong>, que correram entre 1248 e 1270, comandadas por Luís IX, rei da França. Começou sua campanha pelo Egito em 1248 onde aconteceram violentas batalhas, ocorrendo o aprisionamento de Luís IX, que só foi libertado mediante pagamento de resgate.</p>
<p>O rei Luís IX após cair em uma armadilha, por ocasião da <strong>Oitava Cruzada</strong>, é assassinado em 1270. Luís IX foi canonizado pela Igreja católica com o nome de São Luís.</p>
<p>Após a <strong>Sétima Cruzada</strong>, houve uma série de derrotas muito sangrentas envolvendo os Cavaleiros Templários, chegando a toda uma guarnição templário ser decapitada por tropas muçulmanas. </p>
<p>Os Cavaleiros Templários chegaram a ter muito poder e dinheiro em dado momento de sua história, no entanto, devido a algumas derrotas em cidades cruciais, a ordem templária passou a contar com certo descrédito, principalmente no Oriente. Felipe, o Belo, rei da França, querendo poder total e não aceitando o poder que os Templários ainda possuíam na Europa, visto serem possuidores de inúmeros bens e credores da própria França, que precisou do empréstimo de dinheiro dos Templários para financiar suas tropas, após várias manobras políticas, consegue, finalmente, extinguir a Ordem dos Templários, sem ter que pagar as dívidas que tinha com ela e com o apoio da Igreja, pois esta sofreu grandes pressões por parte de Felipe, o Belo, aceitando inclusive que os bens da ordem fossem confiscados. </p>
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		<title>Um pouco sobre a história medieval da Alemanha</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 03:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alessandro Lyra Braga]]></category>

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		<description><![CDATA[Um bom exemplo das rupturas entre os imperadores e os Papas que aconteceram ao longo da idade média alemã, foi a ruptura ocorrida entre Henrique IV com o Papa Gregório VII, já que o papado pretendia exercer o domínio político sobre todos os soberanos europeus, principalmente sobre o Imperador germânico, não permitindo que o Imperador nomeasse os bispos na Alemanha. Neste conflito entre Igreja e Imperador, conhecida como “Querela das Investiduras”, saiu vitoriosa a Igreja. Convém salientar que sem o apoio da Igreja, Henrique IV não conseguiria por em prática sua política de centralização de poder. Esta Querela só se resolveu no período de Henrique V, em 1122, com a assinatura da Concordata de Worms. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Idade-média.JPG" alt="Idade média" title="Idade média" width="212" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4042" /><em>Acima, gravura retratando a vida na Alemanha Medieval.</em></p>
<p>A Alemanha sempre teve uma rica história, sendo um verdadeiro paraíso para os historiadores. Fato marcante da história da Alemanha é a não abrangência do Feudalismo em todos os rincões alemães. Tanto que alguns proprietários de terras não tinham senhores, eram livres. Outro aspecto bastante importante era a luta pelo poder que opunha os imperadores aos Papas, rivalidade esta que muito influenciou o desenvolvimento político da Alemanha. </p>
<p>Um bom exemplo das rupturas entre os imperadores e os Papas que aconteceram ao longo da idade média alemã, foi a ruptura ocorrida entre Henrique IV com o Papa Gregório VII, já que o papado pretendia exercer o domínio político sobre todos os soberanos europeus, principalmente sobre o Imperador germânico, não permitindo que o Imperador nomeasse os bispos na Alemanha. Neste conflito entre Igreja e Imperador, conhecida como “Querela das Investiduras”, saiu vitoriosa a Igreja. Convém salientar que sem o apoio da Igreja, Henrique IV não conseguiria por em prática sua política de centralização de poder. Esta Querela só se resolveu no período de Henrique V, em 1122, com a assinatura da Concordata de Worms. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/pap_gregoriovii.jpg" alt="pap_gregoriovii" title="pap_gregoriovii" width="159" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4040" /> </p>
<p>Um dos principais motivos do progressivo enfraquecimento do poder central na Alemanha Medieval foi o grande poder que a Igreja possuía. Também havia rusgas entre senhores feudais, que, dependendo de seus interesses, unam-se aos papas ou se opunham a eles. Ou seja, não havia um pensamento em torno de um país, uma nação, como já ocorria na Inglaterra, em Portugal, na Espanha e na França. Já no reinado de Frederico I percebe-se um período de fortes conflitos com a Igreja Católica. Frederico I ainda tentou conquistar territórios no norte e no centro da Itália, chagando a conquistar Milão, destruindo-a, e, mais tarde Roma. No entanto, por vários motivos, seus planos de conquista fracassaram e Frederico I, em 1177, teve que reconhecer sua difícil situação e se ajoelhar diante do Papa. Seu reinado foi marcado por expedições externas visando expandir territórios. Devido a todas as questões políticas internas ocorridas por conta das discordâncias de certos nobres alemães em apoiar o imperador, Frederico I teve que aumentar seus domínios, já que não mais podia concentrar seus domínios em suas mãos, apesar de não ter chagado a ser o mais poderoso dos soberanos no âmbito territorial, embora desejasse ter sido o responsável por uma política unificada e centralizada. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Papa-Inocêncio-III.jpg" alt="Papa Inocêncio III" title="Papa Inocêncio III" width="400" height="284" class="aligncenter size-full wp-image-4038" /><em>Acima, Papa Inocêncio III.</em> </p>
<p>Em 1212 foi eleito Imperador da Alemanha, com o consenso do Papa Inocêncio III, o rei da Sicília, Frederico II. Neste momento histórico, os príncipes alemães tiveram grande autonomia política e econômica. Foi um período de grande desagregação política na Alemanha, onde cada reino e cidade praticamente vivia isolado um do outro. Vários foram os imperadores que sucederam a Frederico II e antecederam a Carlos IV, no entanto, em seus reinados a fragmentação do poder na Alemanha sempre se fez presente. Todas as tentativas de unificação foram infrutíferas, pois os príncipes germânicos não aceitavam perder seus poderes políticos e a autonomia de seus reinos. Com Carlos IV de Luxemburgo, a Alemanha passou a conviver com uma tentativa de se unificar sua política, pelo menos de se tentar criar condições mínimas de se reinar em meio a tantas fragmentações. Mesmo tentando criar tais condições, Carlos IV, inicialmente se interessou, ao tomar o poder, em fortalecer seu reino hereditário da Boêmia. Apesar de no seu reinado ainda persistir a fragmentação política da Alemanha. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Maximiliano-I.jpg" alt="Maximiliano I" title="Maximiliano I" width="340" height="332" class="aligncenter size-full wp-image-4039" /><em>Acima, Maximiliano I.</em> </p>
<p>O único imperador que subiu ao trono realmente visando uma unidade imperial foi Maximiliano I, em 1493. Percebe-se assim que o poder político na Alemanha sempre foi expressivamente fragmentado, não tendo chegado a uma política, de fato, unificada em nenhum momento de sua história medieval.</p>
<p>Um dos principais motivos do progressivo enfraquecimento do poder central na Alemanha Medieval foi o grande poder que a Igreja possuía. No entanto o maior dos motivos eram as rusgas entre senhores feudais, os príncipes, que, dependendo de seus interesses, uniam-se aos papas ou se opunham a eles. Ou seja, não havia um pensamento em torno de um país, uma nação, como já ocorria na Inglaterra, em Portugal, na Espanha e na França. </p>
<p>Os príncipes alemães mostravam-se de um particularismo feroz quando se tratava em perder poderes políticos e de aceitar renunciar autonomia político-administrativa e econômica de seus reinos em prol de uma Alemanha unificada. Podiam até se unir na eleição de um novo Imperador, mas se alguma medida em prol de uma centralização de poder político fosse desencadeada e eles se sentissem ameaçados, reagiam imediatamente. Tanto quem em determinado momento, visando manterem seus poderes políticos em seus reinos, exigiram que o rei Alberto de Nassau assinasse uma capitulação eleitoral, que colocava ele, o rei, e seus sucessores sob o controle direto dos príncipes eleitores. E, por ter infringido a captulação eleitoral, foi deposto em 1298.</p>
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		<title>Tratamento dado aos nativos das Américas.</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jan 2010 02:03:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alessandro Lyra Braga]]></category>

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		<description><![CDATA[Para que possamos entender o porquê das desigualdades sociais nas Américas, a reflexão sobre como os espanhóis e os portugueses tratavam os nativos é de grande valia. A grande conseqüência prática da forma como os espanhóis tratavam os nativos da América Hispânica foi a total segregação racial, fazendo com que estes nativos fossem considerados um estorvo social, sendo vistos apenas como mão-de-obra barata para a produção agro-exportadora, deixando para eles e seus descendentes as camadas sociais mais baixas dentro do cenário político e econômico das Américas, ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Nativos-das-Américas.JPG" alt="Nativos das Américas" title="Nativos das Américas" width="268" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-3578" />Para que possamos entender o porquê das desigualdades sociais nas Américas, a reflexão sobre como os espanhóis e os portugueses tratavam os nativos é de grande valia. </p>
<p>A grande conseqüência prática da forma como os espanhóis tratavam os nativos da América Hispânica foi a total segregação racial, fazendo com que estes nativos fossem considerados um estorvo social, sendo vistos apenas como mão-de-obra barata para a produção agro-exportadora, deixando para eles e seus descendentes as camadas sociais mais baixas dentro do cenário político e econômico das Américas, desde o período colonial até os dias de hoje.</p>
<p>A não consideração das culturas nativas, massacrada em prol da cultura católica espanhola resultou num processo de perda de identidade cultural, transformando estes nativos em seres mais facilmente controláveis. Assim, sem respeitar leis e costumes dos nativos, os espanhóis impuseram toda uma nova forma de pensar e agir, além de toda uma nova religião, já que a religião dos nativos sempre foi desconsiderada, apenas a fé católica praticada na Europa era aceita e considerada como certa. Logo, aqueles que não aceitassem se submeter às novas idéias, impostas, tornavam-se passíveis de torturas e demais formas de sofrimento inimagináveis.</p>
<p>De acordo com a citação que consta na página 40 do livro <b>“As Veias Abertas da América Latina”</b>, de Eduardo Galeano, <em>“as colônias americanas foram descobertas, conquistadas e colonizadas dentro do processo da expansão do capital comercial.”</em>. Ou seja, objetivava-se o lucro e não o entrosamento salutar entre os espanhóis e os nativos. Dentro da ótica dos espanhóis, conquistadores e colonizadores, o nativo seria apenas a mão-de-obra necessária para se conseguir as riquezas tão almejadas ou então um entrave a ser superado, eliminado.</p>
<p>Estes mesmos espanhóis ainda se consideravam os verdadeiros herdeiros das riquezas minerais que aqui encontravam, mesmo que em posse de nativos. Para tal, faziam-se valer de suas leis, de suas armas e de determinações advindas de bulas papais, que nada representavam para os nativos, para fazerem valer o que consideravam seus direitos dados por Deus.</p>
<p>Apenas como ilustração do grande poder da Igreja junto aos processos de descoberta e colonização das Américas, corroborando o parágrafo anterior, uma primeira bula Inter-coetera, datada de 03 de maio de 1493, destinava aos reis católicos e seus descendentes direitos sobre as terras descobertas ou que viessem a ser atingidas no futuro, desde que não pertencessem a algum príncipe cristão. Também a bula <i>Eximiae devotionis</i>, estabelecida no mesmo dia, concedia aos reis espanhóis os mesmos direitos e privilégios aos oferecidos anteriormente à monarquia portuguesa.</p>
<p>Desta forma, todas as terras que fossem descobertas e, conseqüentemente, todos os nativos que nelas estivessem seriam considerados súditos dos reis católicos da Espanha e de Portugal. Além do uso de toda uma nova concepção teológica católica, os espanhóis também se valerem, em dado momento, das lendas, crenças e superstições religiosas dos nativos, que acreditavam que a chegada de homens brancos em suas terras equivaleria a volta de certos deuses e assim acabaram por aceitar, inicialmente, este fato.</p>
<p>Quanto à forma como ocorreram as conquistas das terras americanas pelos espanhóis, nas regiões onde havia sociedades indígenas de hábitos culturais mais primitivos, estas populações foram dizimadas ou expulsas, dado ao seu fraco potencial de trabalho e a ausência de excedentes de produção, fazendo com que o interesse dos espanhóis por estes povos fosse muito limitado. Isto ocorreu principalmente nas Antilhas, Argentina e Uruguai.</p>
<p>Já nas regiões habitadas por sociedades indígenas com características culturais mais desenvolvidas e onde a concentração populacional era grande, a hierarquização da sociedade era bem definida e a economia contava com excedentes de produção, oriundos de mão-de-obra trabalhando sob uma relação de produção baseada na servidão coletiva, além do exercício do poder tender a ser centralizado, o espanhol se impôs pela subjugação dos ameríndios, sendo esta subjugação praticada sob as mais variadas formas, por exemplo, pelas Encomiendas. Esta forma de conquista ocorreu principalmente nas regiões dos impérios astecas e incas.</p>
<p>É impossível negar que as atitudes e práticas do colonizador europeu em terras americanas foram sempre muito violentas, matando milhares de indígenas, saqueando suas riquezas, explorando sua força de trabalho, alem de desestruturar suas sociedades mediante uma conquista que não foi unicamente militar, mas também racial, religiosa, econômica, cultural e política.</p>
<p>Em contrapartida, convém salientar que nem todos os índios comportavam-se da mesma maneira quando se seus primeiros contatos com os europeus. Aqui mesmo no Brasil, nas costas do atual Estado do Ceará, portugueses foram recebidos a flechadas por ocasião de seus desembarques. Em alguns casos o indígena se mostrou amistoso e se submeteu sem muita resistência ao conquistador europeu, tendo até índios que se aliaram aos conquistadores.</p>
<p>No entanto, face à gratuita violência na qual eram submetidos, muitos foram os indígenas que resistiram enquanto puderam aos conquistadores europeus, inclusive aperfeiçoando suas técnicas de combate, fazendo o uso, por exemplo de flechas envenenadas e de outros instrumentos, como a zarabatana. Ainda se adaptaram às novas realidades e usos, como montar a cavalo. Assim, entende-se a atitude do cacique, narrada no texto, que não se curvou frente ao conquistador, preferindo morrer e ter de compartilhar de um mundo que não via como sendo o seu.</p>
<p>Realmente, quais seriam as razões que poderiam fazer com que os nativos americanos se curvassem aos ditames europeus sem se revoltarem? No início, até pelo susto e pelo medo do desconhecido os nativos poderiam se submeter a tais ditames, mas com o passar do tempo e com as violentas práticas que os europeus utilizavam, ficava cada vez mais justificada e lógica a não aceitação dos autoritarismos e maus tratos impostos pelos europeus aos nativos americanos.</p>
<p>Também temos que entender de quais maneiras se dá a apropriação da força de trabalho ameríndia, aí temos que entender o que era o sistema da Encomienda, sistema de mão-de-obra mais difundido nas terras da América colonial espanhola, onde os índios são confiados (encomendados) a um espanhol a quem pagam tributos sob a forma de prestação de serviço.</p>
<p>Logo, pode-se perceber ser a Encomienda uma modalidade de trabalho forçado, compulsório, imposto aos nativos americanos pelos conquistadores espanhóis. Também havia outros sistemas de trabalho impostos aos índios.</p>
<p>As Encomiendas surgiram na Espanha e, anteriormente, se referiam às terras e as rendas atribuídas ao comandante de uma Ordem militar. Posteriormente foram introduzidas nas Américas por Cristóvão Colombo e rigorosamente codificadas pela Recapitulación de las Leyes de Índias, estabelecendo o trabalho coletivo de um grupamento indígena colocado a serviço de um particular por toda a vida.</p>
<p>Em troca por tal concessão recebida, o beneficiado devia pagar um tributo à Coroa Espanhola e, sem remunerar os indígenas submetidos à sua concessão, comprometia-se a dar assistência material e religiosa a estes índios, catequizando-os, o que na prática dificilmente acontecia, pois aos índios só restavam a obrigação do trabalho forçado e os maus tratos subseqüentes. O objetivo principal do espanhol que empreendia a conquista ou recebia a Encomienda era extrair o máximo de excedente que fosse possível e sua imediata transferência para a Europa.</p>
<p>A organização social baseada nas Encomiendas mostrou-se eficaz nas regiões mais densamente povoadas por indígenas de culturas e hábitos mais desenvolvidos, onde se observava certo desenvolvimento material e hierarquização da sociedade indígena. Assim, por intermédio da pré-existência de uma classe dirigente que já se apoderava dos excedentes da produção e que possuía condições para financiar guerras ou obras públicas, a implantação das Encomiendas ficou ainda mais fácil, pois só seriam, aos olhos espanhóis, trocados os mandatários, mantendo-se a classe trabalhadora. Dessa forma os índios foram subjugados e obrigados a realizarem trabalhos forçados, não remunerados.</p>
<p>No entanto, devida a dizimação das populações indígenas e as condições subumanas a que ficavam submetidos os contingentes encomiendados vários conflitos surgiram entre os colonos e as ordens religiosas que se faziam presentes, principalmente os Jesuítas. Ainda, como forma de coibir as Encomiendas, a Coroa Espanhola, como primeira medida, elevou os tributos que deveriam lhe ser pagos. Este aumento chegou à ordem de um terço das rendas dos encomenderos, fazendo com que em 1719, com as reformas efetuadas pelos Bourbon na Espanha, as Encomiendas fossem extintas. Convém ainda salientar que onde não foram implantadas as Encomiendas os indígenas foram ainda mais rapidamente dizimados.</p>
<p>Outro sistema de trabalho a que os índios da América Espanhola estavam submetidos foi a Mita, que era uma instituição de origem inca, semelhante ao cuaquil dos astecas, e que foi amplamente utilizada pelos conquistadores espanhóis, após modificações que adequassem aos seus interesses comerciais. Consistia em impor o trabalho forçado a indígenas, previamente escolhidos em suas comunidades, para a realização de trabalhos braçais compulsórios, geralmente por um período de quatro meses, durante os quais o índio mitayo recebia um salário.</p>
<p>A jornada de trabalho variava de região para região, mas geralmente os índios deveriam trabalhar uma semana e descansar duas. Para tanto, dispensavam-se os anciãos, as mulheres, as crianças e os doentes. Cabia ainda ao índio que desejasse ficar livre desse trabalho forçado o pagamento de uma taxa, 2,50 pesos. No entanto, ficava ainda sujeito a multa o líder indígena que não conseguisse completar o contingente de trabalhadores que sua comunidade tinha que oferecer.</p>
<p>A Mita teve uma conseqüência muito grave, pois terminados os períodos de trabalhos, muitos índios não retornavam mais às suas comunidades, permanecendo próximos aos locais onde trabalhavam e, voluntariamente, se oferecendo como mão-de-obra assalariada. Isto acontecia devido aos vícios adquiridos, principalmente o alcoolismo. Com isto, as comunidades indígenas foram se esvaziando e extinguindo-se. Pois, somando-se às fugas e às revoltas para não se trabalhar na Mita, estavam as mortes, que, em quantidade, contribuíam para a diminuição das populações indígenas. Sem contar a retirada da mão-de-obra masculina das aldeias, que faziam com que as comunidades indígenas se sentissem da ausência de seus homens, arruinando suas produções comunitárias de subsistência.</p>
<p>Ainda é importante frisar que havia ainda a escravidão, pura e simples. No entanto, mesmo tendo sido os índios a base de sustentação da economia colonial espanhola, até mesmo por ser o segmento humano mais numeroso no cenário americano, sua escravização acabou por ser proibida, porém, dadas às condições de trabalho a que foram forçados, na maioria das vezes, torna-se muito difícil distinguir entre escravidão de fato e de direito, já que as constantes violações dos dispositivos legais que regulamentavam as Mitas e as Encomiendas eram fatos comuns e contavam com a cumplicidade das autoridades locais.</p>
<p>Também convém salientar que no início do processo colonial brasileiro, a tentativa de escravização dos indígenas pelos colonizadores portugueses foi um fato. Porém, devida a não adaptação dos indígenas a esta forma de trabalho, pois muitos fugiam ou simplesmente se rebelavam e/ou não cumpriam com suas funções, mesmo que mediante força bruta repressora advinda do colonizador português, e também pela desorganização a que estavam subordinadas as comunidades indígenas localizadas em território colonial português, onde as relações de trabalho destinavam-se meramente a subsistência de suas comunidades, sua escravização acabou por ser muito trabalhosa e de fracos resultados, justificando assim a importação de mão-de-obra escrava negra da África.</p>
<p>Ainda havia, por parte dos portugueses, uma justificativa teológica, defendida em determinados segmentos da Igreja, sendo o Padre Antônio Vieira um de seus signatários, que entendia terem os índios uma alma, daí que deveriam ser catequizados, dessa forma, assegurava-se a mão-de-obra dos indígenas às atividades da Companhia de Jesus, ou seja, aos desígnios da Igreja, aqui representada pelos Jesuítas. Já os africanos, pela visão desses teólogos, devido a cor de sua pele, não possuíam alma, pois estavam impregnados de pecado, logo, poderiam ser escravizados e tratados como coisa, como uma mercadoria, pois não eram criaturas de Deus.</p>
<p>Também é importante entendermos a diferença entre esses sistemas de trabalho e a escravidão. A escravidão não pode ser entendida como um modelo único. Podemos distinguí-la de duas formas:</p>
<p><b>Escravidão Secular ou Histórica</b>: Forma de escravidão que existiu na Europa, Ásia e América, na qual o escravo era oriundo de conflitos étnicos, tribais ou civilizatório, aí incluído até mesmo dívidas, sendo que este escravo não perdia sua condição humana, muito embora, em alguns casos, eventualmente, viesse a ser comercializado.</p>
<p><b>Escravidão Mercantil ou Comercial</b>: Forma de escravidão em que o escravo é tratado como mercadoria, perdendo seu caráter humano, logo, poderia ser vendido, trocado, ou, simplesmente, morto. Esta forma de escravidão iniciou-se com a chegada do homem branco à África, que se justificou das diferenças raciais para estabelecer. Nesta forma de escravidão não havia a menor possibilidade de ascensão social, a não ser em raríssimos casos.</p>
<p>Logo, podemos perceber que o sistema de Encomiendas era, do ponto de vista do indígena, uma forma de escravidão. No entanto, uma escravidão secular e não a escravidão mercantil que aconteceu aqui no Brasil, utilizando-se inicialmente o índio e posteriormente o negro africano.</p>
<p>Nas Encomiendas, oficialmente, os encomienderos possuíam obrigações para com seus encomiendados, tais dar assistência material e religiosa a estes índios, catequizando-os, mesmo que na prática isto dificilmente acontecesse, já que aos índios só restavam a obrigação do trabalho forçado e os maus tratos subseqüentes. Logo, por não receberem nenhuma forma de remuneração em espécie monetária, recebendo apenas o alimento essencial a sua subsistência, podemos distinguir imediatamente este sistema de trabalho da Mita, onde havia a remuneração, se bem que, tradicionalmente, gerava-se uma total dependência do indígena com relação às instalações ao redor de seu local de trabalho.</p>
<p>Por exemplo, o imenso número de índios que se viciavam em álcool e que constantemente se endividavam com a compra de bebida em armazéns pertencentes aos espanhóis, criando sempre uma forma de vínculo, que dificilmente se acabava. Dessa forma, acabava por se estabelecer uma escravidão secular, oriunda por dívidas, tal como já havia acontecido na Europa e na Ásia, pois mesmo que trabalhando em troca de dinheiro, este era quase que totalmente destinado ao pagamento de dívidas, que sempre cresciam, devido aos altos juros cobrados.</p>
<p>Podemos perceber que a Mita não era, a priori, uma forma de escravidão, mesmo que secular. Só podemos percebê-la, e isto ainda poderá variar de interpretações indivi</p>
<p>duais por parte dos historiadores envolvidos na questão, como uma forma de escravidão secular quando levamos em conta toda uma gama de fatores como as relações de dívida e os vínculos que isto acarreta entre os índios e os espanhóis. Até porque, caso não houvesse tal grau de endividamento, em tese, os índios estariam livres após o cumprimento da Mita, pois na verdade nada mais eram do que trabalhadores assalariados, oriundos de um recrutamento compulsório, é bem verdade, mas mesmo assim ainda assalariados e livres.</p>
<p><span style="font-style:italic;">(Texto publicado em 13/01/2009)</span></div>
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		<title>A Ciência</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 02:03:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alessandro Lyra Braga]]></category>

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		<description><![CDATA[Antigamente, os índios pretendiam captar a realidade através dos mitos. Para eles porém, não se tratava de mitos e sim da mais pura e simples explicação objetiva da realidade. Quando o índio diz que seu deus está triste e por isso chove cinco dias sem parar, ele acredita piamente no que está dizendo, e desta maneira ele propõe uma explicação para a existência de uma frente fria.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Ciência.JPG" alt="Ciência" title="Ciência" width="220" height="215" class="aligncenter size-full wp-image-3570" />A Ciência, pura e simplesmente, propõe-se a captar e manipular a realidade assim como ela é, de forma plena e desmistificada.</p>
<p>A realidade já foi manipulada de inúmeras maneiras na História. Antigamente, os índios pretendiam captar a realidade através dos mitos. Para eles porém, não se tratava de mitos e sim da mais pura e simples explicação objetiva da realidade. Quando o índio diz que seu deus está triste e por isso chove cinco dias sem parar, ele acredita piamente no que está dizendo, e desta maneira ele propõe uma explicação para a existência de uma frente fria.</p>
<p>Posteriormente, a função mítica foi superada em parte pela religião, que também trouxe sua explicação da realidade. Assim, quando na Bíblia se montou uma história da criação e do surgimento do mal, não se pensou em se fazer um conto interessante, mas certamente em dar uma explicação de como começou o mundo. Nesta mesma época, quem tentou dar outra explicação para o surgimento do mundo de outras maneiras, como o “Big Bang” por exemplo, foi severamente punido, como é o caso de Galileu Galilei e Giordano Bruno, que foram condenados pela Inquisição, sendo este último condenado à fogueira por heresia.</p>
<p>Certamente podemos afirmar ser a Ciência um processo de desmitologização e dessacralização do mundo, em favor de uma racionalidade comprovada.</p>
<p>A Ciência é um processo histórico, onde a realidade é sempre volúvel, mutável, contraditória e sem um fim definido. Em Ciência estamos sempre começando de novo. Portanto, pode-se, sem nenhuma sombra de dúvidas, definir Ciência como sendo o conhecimento sistemático dos fenômenos da natureza e das leis que os regem, obtido através da investigação e comprovado pela observação, pelo raciocínio e pela experimentação intensiva. Podemos ainda entender Ciência como sendo um empreendimento preocupado exclusivamente com o conhecimento e a compreensão dos fenômenos naturais.</p>
<p>Este conhecimento porém, tem-se evoluído continuamente o longo dos tempos. O que era considerado verdade científica para o cientista da Antigüidade, já não mais o é para o cientista do Renascimento, o mesmo cabendo para o cientista da atualidade. Vale ainda ressaltar que devemos aos gregos o desenvolvimento do pensamento conceitual, base para as premissas do silogismo aristotélico e a sistematização da lógica.</p>
<p>Logo, uma vez que a concepção de Ciência que temos hoje em dia é o de acúmulo de conhecimento, acima de tudo, racional, sistemático, exato e completamente verificável da realidade, esta passa a ser infinita e suas verdades sempre passíveis de alterações, uma vez que a própria Ciência se auto-evolui em velocidade tão acelerada.</p>
<p>Anteriormente, a Ciência significou qualquer ramo do conhecimento de estudo. Hoje, o campo do conhecimento foi dividido em vários grupos: Ciências Naturais, Ciências Sociais, Ciências Físicas e Ciências Humanas. Todas fundamentadas em observações cientificamente comprovadas e organizadas em um sistema de proposições ou leis gerais.</p>
<p>A Ciência, por ser passível de inúmeros pontos de vista, também possui, ao longo de sua evolução histórica, três diferentes concepções: a <strong>Ciência Racionalist</strong>a ou <strong>Hipotético Dedutiva</strong>, que define racionalmente objeto, leis e verdades às quais estão submetidas, sendo suas experiências apenas de cunho comprobatório das demonstrações teóricas. A <strong>Ciência Empirista </strong>ou <strong>Hipotético Indutiva</strong>, para a qual a única fonte de conhecimento é a experiência, a observação, do objeto da Ciência. E, por último, a <strong>Ciência Construtivista</strong>, de concepção moderna, onde faz-se uma fusão das duas concepções anteriores, desenvolvendo modelos explicativos e comprovados, de validade ainda questionável, porém de valor científico mais consistente.</p>
<p>Nos tempos modernos, a Ciência, tanto como conhecimento quanto como método, agrupa dois elementos essenciais: o <strong>empírico</strong> e o <strong>racional</strong>.</p>
<p>Portanto, percebe-se que a Ciência é um conjunto de inúmeros tipos de conhecimentos que, ao serem aglutinados, formam um <strong>SABER</strong>. Logo, dentro de todo o universo científico, podemos destacar quatro formas principais de conhecimento que, somados, nos levam à Ciência: o <strong>Conhecimento Empírico</strong>, o <strong>Conhecimento Científico</strong>, o <strong>Conhecimento Filosófico </strong>e o <strong>Conhecimento Teológico</strong>.</p>
<p><strong>Conhecimento Empírico:</strong> é o conhecimento obtido por intermédio da observação, da experiência vivida e/ou da aquirida, sob as mais diversas formas, pelas pessoas.</p>
<p><strong>Conhecimento Científico:</strong> é o conhecimento obtido por intermédio de investigações metódicas e sistemáticas da realidade. Transcendendo fatos e/ou fenômenos, analisando-os em seus mecanismos para descobrir suas causas e assim concluir e estabelecer as leis que regem estes fatos e/ou fenômenos.</p>
<p><strong>Conhecimento Filosófico:</strong> é a forma do homem de refletir sobre determinado fato ou fenômeno, buscando dentro de si razões para o tal, despertando aí o espírito científico. É, sem sombra de dúvida, o ponto inicial para o desenvolvimento da curiosidade ciêntífica, sem contudo ficar delimitado pela capacidade comprobatória da Ciência.</p>
<p><strong>Conhecimento Teológico:</strong> é, pura e simplesmente, o produto da fé humana na existência de uma ou mais entidades divinas. Logo, tudo aquilo que a princípio fugiria de qualquer “explicação lógica” explícita, era atribuído às vontades e caprichos de deuses ou entidades místicas ou míticas. Exemplo bastante claro é o da mitolodgia grega, por onde até a beleza humana tinha explicação a partir da vontade de deuses.</p>
<p>Uma das perguntas mais comuns junto aos meios não acadêmicos, é como a Ciência se aplica? Com que benefícios ela nos contempla?</p>
<p>Estas respostas são ao mesmo tempo simples e complexas, pois sentimos a Ciência e suas aplicações a cada instante de nossas vidas, quer ao acendermos a luz ou ao sabermos do poder destrutivo de uma arma nuclear. A melhor maneira porém, que temos de mostrar como a Ciência se aplica é tomarmos consciência de como a nossa realidade está sendo estudada e analisada nos mínimos aspectos. Por exemplo, a questão dos clones. Após mais de cinqüenta anos em pesquisas, estas iniciadas ainda com os cientistas nazistas de Hitler, vêm-se buscando maneiras de se manipular geneticamente os seres vivos, no intuito de um aprimoramento, quer produtivo ou meramente estético, de diversas espécies, humanas ou animais. Esta manifestação da Ciência certamente mudará de forma mais do que definitiva toda a Humanidade, por isso é que pergunta-se, será isto ético? Que benefícios poderão surgir para a Humanidade, nos dias de hoje, esta descoberta?</p>
<p>Questões desse tipo é que nos levam a pensar, para que ela, a Ciência, existe?</p>
<p>Certamente, a Ciência existe para que possamos ter plena consciência da realidade que nos cerca e desta forma interagirmos com ela em perfeita harmonia, científica e sociologicamente falando. Portanto, é necessário um pleno conhecimento das marés para que portos mais eficientes sejam construídos, um pleno conhecimento meteorológico para que se possa melhor planejar épocas mais propícias às semeaduras, a fim de existirem melhores colheitas. Finalmente, a Ciência existe para que a Humanidade obtenha uma melhor condição de vida e/ou sobre-vida sob as mais variadas realidades físicas que nos circunda à todos.</p>
<p><strong>A Ciência Empírica</strong></p>
<p>Baseada na observação dos fenômenos ocorridos ao longo da vida cotidiana, esta forma de ciência baseia-se no senso comum e não se encontra consubstanciada em bases cientificamente comprovadas, e sim em fatos comuns e continuamente observados, quer por uma ou mais pessoas. Por exemplo, podemos citar o conhecimento que possuem todos àqueles pescadores que lançam-se ao mar, munidos apenas daqueles conhecimentos de navegação adqüiridos de seus descendentes, de forma informal.</p>
<p>O <strong>empirismo</strong> é a metodologia mais simples, é a experiência vivida, pois se baseia na observação, não se atendo necessariamente a especulação teórica. No lugar da especulação aplica-se o teste experimental, a mensuração quantitativa como critério do que seria ou não científico.</p>
<p>Logicamente, que nos primórdios da evolução humana, a Ciência Empírica era considerada válida e verdadeiramente a mais pura forma de Ciência. Porém com o passar dos tempos, e com a evolução da própria Ciência, apenas observação e indução não mais bastariam para se encontrar as explicações a que a Humanidade almejava. A partir daí, deu-se a necessidade de se comprovar de forma meticulosa e sistemática toda e qualquer manifestação da natureza e de nossas realidades.</p>
<p><em>BIBLIOGRAFIA</p>
<p>HUXLEY, T. H. -”The Method of Scienfic Investigation”, in Science: Method and Meaning, por S. Rapport e H. Wright (New York: Washington Square Press, 1963), páginas 2 &#8211; 10.<br />
HÜHNE, Leda Miranda (organização) &#8211; “Metodologia Científica” (Rio de Janeiro: AGIR, 1989)<br />
ESCOBAR, Carlos Henrique &#8211; “Epistemologia das Ciências Hoje” (Rio de Janeiro: Pallas, 1975)<br />
KOYRÉ, Alexandre &#8211; “Do Mundo Fechado ao Universo Infinito” (São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1986)<br />
“Enciclopédia Barsa” (São Paulo: Encyclopaedia Britannica Editores Ltda, 1973), volume 15. </em></p>
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		<title>A origem do Carnaval e das escolas de samba.</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/a-origem-do-carnaval-e-das-escolas-de-samba/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 Dec 2009 02:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alessandro Lyra Braga</dc:creator>
				<category><![CDATA[Alessandro Lyra Braga]]></category>

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		<description><![CDATA[Os festejos do Carnaval espalharam-se por vários países da Europa, tornando-se famosos os folguedos realizados em Paris, Veneza, Florença, Nice, por exemplo. Para que ninguém fosse reconhecido enquanto brincasse o Carnaval, surgiu o hábito de se usar fantasias e máscaras, que impossibilitassem suas identificações, sendo que até hoje são famosas as máscaras do Carnaval de Veneza. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Origem-do-Carnaval.jpg" alt="Origem do Carnaval" title="Origem do Carnaval" width="225" height="225" class="aligncenter size-full wp-image-11097" />Inquestionavelmente, o Brasil é o país onde o Carnaval é mais festejado. No entanto, pouca gente conhece sua origem, remontando, na opinião de muitos historiadores, aos egípcios, que faziam grandes festas para a deusa Ísis, que simbolizava a terra, a natureza e, por extensão, a agricultura. Vale lembrar que o povo egípcio viva numa estreita faixa de terra e possuía pouquíssima terra agricultável e ainda dependia das cheias periódicas do rio Nilo, para que estas terras recebessem um limo fértil sendo então possível a agricultura. O ponto alto das festividades à Ísis era o cortejo de carros alegóricos, todos alusivos à alegria, pela volta da primavera e o começo das cheias do rio Nilo.</p>
<p>Mais tarde, os gregos e romanos também passaram a culturar Ísis também com festas espetaculares. Sabe-se que o último carro alegórico do cortejo, o carro de Ísis, era levado à água e posto para flutuar, tendo por isso a forma de um navio. Este carro era chamado de “Carrus Navalis”. Por corrupção, esse nome se transformou em “Canavalis”, ou simplesmente Carnaval.</p>
<p>Os festejos do Carnaval espalharam-se por vários países da Europa, tornando-se famosos os folguedos realizados em Paris, Veneza, Florença, Nice, por exemplo. Porém em Portugal e Espanha, atingiram um tal brilho, principalmente no período de domínio mouro. Para que ninguém fosse reconhecido enquanto brincasse o Carnaval, surgiu o hábito de se usar fantasias e máscaras, que impossibilitassem suas identificações, sendo que até hoje são famosas as máscaras do Carnaval de Veneza. </p>
<p>Já ao Brasil o Carnaval chegou trazido pelos portugueses e espanhóis, recebendo porém grande contribuição dos africanos em seu processo de fixação em nossa identidade nacional e cultural. Para corroborar a afirmação anterior, por ocasião da coroação de D. João VI em Portugal, o Vice-rei do Brasil comemorou tal acontecimento promovendo grandes festejos populares com características de Carnaval. Tal festejo foi animado com banda de música e durou três dias e tal foi a animação popular, que passou a se repetir todos os anos. </p>
<p>Uma das maiores manifestações do Carnaval brasileiro são as escolas de samba, sendo que a primeira foi fundada em 18 de agosto 1928, no bairro do Estácio, por Ismael Silva, Alcebíades Barcelos, Nilton Basto, Sílvio Fernandes (Brancura), entre outros, chamando-se então “Deixa Falar”, adotando as cores vermelha e branca por causa do América Futebol Clube, e desfilou pela primeira vez em 1929.</p>
<p>Os ensaios da “Deixa Falar” aconteciam na rua Estácio de Sá e, a expressão “escola de samba” veio devido a proximidade do bairro em relação ao Instituto de Educação, então chamado de Escola Normal, onde formavam-se professoras. Assim, a região que formava tantas professoras para as escolas, também formaria professores de samba!</p>
<p>Depois da “Deixa Falar”, surgiram outras escolas de samba, como a “Cada ano sai melhor”, a “Estação Primeira”, a “Portela” e a “Vizinha Faladeira”.</p>
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