<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Adílio Jorge Marques</title>
	<atom:link href="http://www.debatesculturais.com.br/autores/adilio-jorge-marques/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.debatesculturais.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Sat, 11 Feb 2012 03:03:26 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator>
		<item>
		<title>A paleontologia portuguesa e o naturalista Alexandre António Vandelli</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/a-paleontologia-portuguesa-e-o-naturalista-alexandre-antonio-vandelli/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/a-paleontologia-portuguesa-e-o-naturalista-alexandre-antonio-vandelli/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 03:02:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=11987</guid>
		<description><![CDATA[Alexandre António Vandelli nasceu em Coimbra em 27 de Junho de 1784 quando seu pai lá trabalhava como professor da Universidade. Casou-se em 18 de fevereiro de 1819 com Carlota Emília de Andrada, filha de José Bonifácio, com quem a família Vandelli tinha laços antigos. Ambos, Alexandre e Bonifácio, trabalharam juntos e moraram na mesma Rua de São Bento, em Lisboa, após as famílias se mudarem para a capital. Naturalista luso-brasileiro pouco estudado até hoje, Alexandre Vandelli procurou seguir o caminho da Filosofia Natural no seu sentido mais técnico, visando sempre uma forma de desenvolver e divulgar o conhecimento científico em sua época. Ele denota, em suas múltiplas atuações, que a razão ilustrada deveria perpassar por todos os ramos do viver e do saber. Havia em sua época grande fé no aperfeiçoamento constante dos homens,]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Livros_antigos.jpg" alt="Livros_antigos" title="Livros_antigos" width="225" height="225" class="aligncenter size-full wp-image-11988" />Alexandre António Vandelli nasceu em Coimbra em 27 de Junho de 1784 quando seu pai lá trabalhava como professor da Universidade. Casou-se em 18 de fevereiro de 1819 com Carlota Emília de Andrada, filha de José Bonifácio, com quem a família Vandelli tinha laços antigos. Ambos, Alexandre e Bonifácio, trabalharam juntos e moraram na mesma Rua de São Bento, em Lisboa, após as famílias se mudarem para a capital. Naturalista luso-brasileiro pouco estudado até hoje, Alexandre Vandelli procurou seguir o caminho da Filosofia Natural no seu sentido mais técnico, visando sempre uma forma de desenvolver e divulgar o conhecimento científico em sua época. Ele denota, em suas múltiplas atuações, que a razão ilustrada deveria perpassar por todos os ramos do viver e do saber. Havia em sua época grande fé no aperfeiçoamento constante dos homens, o que fazia acreditar que aos novos países só era necessário tempo para atingir-se um grande desenvolvimento. A difusão de novos conhecimentos foi, por conseguinte, largamente facilitada pelo clima favorável à compreensão das leis que regem a organização do mundo natural, a exigir uma incessante ação de observação e classificação dos objetos e fenômenos.</p>
<p>Tendo sido provavelmente influenciado pelas leituras iluministas e fisiocráticas do pai, a presença de Alexandre Vandelli foi, além da tentativa de manter o esforço científico de seus principais mentores, o marco de uma era familiar que se encerraria com sua morte. Uma “dinastia” de grandes nomes que orbitaram a Academia Real das Sciencias de Lisboa, elevando o nome de Portugal na Filosofia Natural: desde Domingos Vandelli, passando por seu aluno José Bonifácio e chegando a Alexandre Vandelli, essa geração não pode ser esquecida. Na década de 30 dos oitocentos havia pensadores portugueses que desejavam e pensavam no progresso do país, procurando o seu próprio caminho científico, não desprezando a técnica, mas também imbuídos de produzir conhecimento, ciência não apenas prática, porém com o espírito de buscar uma episteme. </p>
<p>Em 1831 foram publicados no Tomo XI das <strong>“Memórias”</strong> da Academia Real das Sciencias de Lisboa dois seguidos trabalhos importantes para o progresso da geologia e da paleontologia de Portugal. O primeiro do naturalista alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege (1777-1855), o Barão de Eschwege, conhecido por suas atuações tanto em Portugal quanto no Brasil na pesquisa e exploração mineral, tem por título <strong>“Memória Geognostica ou Golpe de vista do Perfil das estratificações das differentes róchas, de que he composto o terreno desde a Serra de Cintra na linha de Noroeste a Sudoeste até Lisboa, atravessando o Tejo até á Serra da Arrabida, e sobre a sua idade relativa”</strong>. <strong>(01)</strong> </p>
<p><strong>“Additamentos ou Notas á Memória Geognostica, ou golpe de vista do perfil das estratificações das differentes róchas que compõem os terrenos desde a Serra de Cintra até á da Arrabida”(02)</strong> é da autoria do naturalista Alexandre Antonio Vandelli, português naturalizado brasileiro em 1838, filho do naturalista paduano Domingos Vandelli (1835-1816). Ambos os artigos, pouco conhecidos principalmente no Brasil, merecem a atenção da história das Ciências Geológicas em Portugal, pois mostram que neste país se fazia, ao tempo, caminho científico próprio nesse domínio. </p>
<p>Os <strong>“Additamentos”</strong> iniciam com uma <strong>“Advertência”</strong> explicando que Eschewege não tinha tido tempo nem oportunidade de rever a sua Memória, tendo-o encarregado a ele, A. Vandelli, de fazer as alterações que parecessem convenientes. O Barão havia sido demitido por D. Miguel do cargo de Intendente Geral de Minas e Metais do Reino em Junho de 1829, deixando Portugal, a caminho da Alemanha, em Outubro do ano seguinte, antes do que entregou o trabalho a Vandelli <strong>(03)</strong>. A <strong>Memória</strong> foi possivelmente escrita entre 1826, ano mencionado no texto da mesma, e 1831, ano mencionado como “corrente” na Nota 8.ª do trabalho de Vandelli. Eschwege indica ter realizado em 1823 trabalhos de campo nos arredores de Lisboa que o levaram à descoberta de fósseis de Hippurites, sabendo-se também que ele fez pesquisas em Trás-os-Montes, Santarém e Serra d’Arrábida em 1806, 1807 e 1808 <strong>(04)</strong>. Ao serviço do governo português desde 1802, o Barão justifica assim a elaboração do seu trabalho: </p>
<p><em>Muito interessante seria communicar á Real Academia huma descripção extensa e completa de todas as Observações Geognosticas, que tenho feito neste Reino, principalmente nas provincias da Beira, Minho e Tras os Montes; mas a extensão desta empreza, assim como o pouco tempo que me restará antes da minha partida para a Patria, não me permittem principiar huma obra, que de certo não me seria possivel concluir; por tanto me limito só em dar hum Prospecto geral das differente róchas, e das sua idades relativas, das vizinhanças de Lisboa, visto que nenhum Geognosta tem tomado o trabalho de visitar este Paiz incognito (neste sentido): e as poucas noticias Geognosticas que se achão espalhadas em differentes viagens, não dão idéas claras; e como as observações forão feitas em parte á pressa e superficialmente, em parte, por assim dizer, como objecto secundario das indagações dos viajantes, introduzírão-se enganos e erros, que facilmente se propagarão, induzindo a erros maiores, e difficultão as observações de outros.</em> (p. 253).</p>
<p>Dão especial atenção os terrenos primitivos da Serra de Sintra (granito e outras rochas ígneas); os terrenos secundários (calcários, grés, argilas, etc.) que se estendem à volta desta por vezes até distâncias grandes; os basaltos vistos em muitos locais, e a “Formação terciária”, observável a norte e a sul do Tejo, compreendendo calcário arenoso, argila, areia argilosa e calcário grosseiro, rica em “petrificações” (fósseis) e apresentando, cada um destes quatro tipos, várias subdivisões.</p>
<p>As “petrificações” (conchas e restos de Gryphites, Coralites e Hippurites) em calcários de formações secundárias; as encontradas em camadas de calcário da Formação terciária (conchas de Turritellas, Terebratulas, Belemnites, Echidnes, Helices, Melanamonas, Cardias, Orthoceras, Encrinites, etc.), alternado com bancos de ostras; as conchas petrificadas e os dentes de esqualos (“squalae”) encontrados em argilas também daquela Formação (dentes pertencentes a quatro espécies diferentes, de acordo com Alexandre Vandelli, segundo informa a Memória); e finalmente os petrificados de vértebras de peixes e uma cabeça petrificada de um provável cetáceo, encontrados espalhados nas areias da costa, merecem do autor referências de passagem, lamentando Eschwege a falta de meios para estudar tais materiais, nomeadamente para saber se alguns deles eram restos de animais marinhos ou de água doce. </p>
<p>No <strong>“Appendice”</strong> Eschwege apresenta estampas (I, II e III) com explicações acerca de ossos fósseis de mamíferos terrestres encontrados, juntamente com Hippurites e Gryphites e conchas, no <strong>“Calcareos do Jura”</strong>, uma das formações secundárias. Há ainda uma estampa (também com o nº I) que <em>“representa o córte e perfil das elevações e estratificações das differentes róchas desde a serra de Cintra até á serra de Arrabida …”</em> (p. 277).  </p>
<p>O interesse de Alexandre Vandelli pela paleontologia, referido na Memória ao ser mencionada a classificação que havia sido por ele feita de quatro espécies de tubarão, terá levado Eschwege a considerá-lo como o naturalista mais indicado para fazer as alterações de que a sua Memória precisava. Sucede que em 1830 Vandelli havia doado à Academia das Ciências vários petrificados provenientes dos arredores de Lisboa e alguns fósseis que havia trazido das Caldas da Rainha, <strong>(05)</strong> e que era autor de três trabalhos de zoologia datados de 1817 <strong>(06)</strong>, tudo indiciando que a decisão de Eschwege de lhe confiar a Memória tivesse sido a mais acertada.</p>
<p>Nos <strong>“Additamentos ou Notas á Memoria Geognostica …”</strong>, além da <strong>“Advertência”</strong> já mencionada, há treze <strong>“Notas” </strong>numeradas e umas <strong>“Reflexões ao Appendice sobre os Hippuritos”</strong>. Fazem parte ainda do trabalho duas estampas (IV e V) com numeração que se segue à da Memória. As notas podem ser classificadas em quatro grupos: geológicas (notas 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª, a que se pode juntar um <em>“Perfil e corte de differentes depositos d’ágoa, e as suas correntes entre as camadas de rochas, abrindo-as em Lisboa por meio de poços artesianos”</em>); paleontológicas (notas 6ª, 7ª, 9ª, 10ª e 11ª), a que se podem juntar as <strong>“Reflexões ao Appendice sobre os Hippuritos”</strong>; sobre mercúrio e ouro (notas 8ª e 13ª); e sobre Fulguritos, <em>“tubos quartzosos que se julgam produzidos pelos raios que cahem na area, ou no grés; porém nem sempre … ôccos e vasios”</em> (p. 297) que merecem uma breve Nota descritiva com o nº 12º. </p>
<p>As notas 1ª, 2ª e 5ª são relativas a rochas sedimentares ocorrendo em vários locais. Na 1ª Vandelli descreve a natureza das camadas que foram encontradas na região de Lisboa e para norte, para o que usou uma sonda ou “verruma de terra”. Na 2ª, declarando achar importante que se registre o maior número possível de observações geológicas, informa que em Óbidos, Pinhal de Leiria e S. Martinho encontrou gesso e nas Caldas da Rainha terreno de aluvião. Na 5ª acrescenta novos locais aos indicados por Eschwege onde se observava a Formação de Jura. Estas notas complementam as que Eschwege tinha compilado na sua <strong>Memória</strong>, estando na linha de pesquisa que este autor nela havia estabelecido. O perfil geológico, ou melhor, hidrogeológico, apresentado por Vandelli vai de Cacém ao Tejo.</p>
<p>A 3ª e 4ª notas tratam de basaltos. Na 3ª o autor parte de uma citação de Eschwege quanto a camadas de grés na vizinhança de Cascais, no meio das quais <em>“se levanta … hum grande rochedo de Basalto … [cujas] … camadas, que correm na direcção de Norte-Sul, … em sentido contrario das camadas do Grés, apparecem como se alguma força violenta, obrando debaixo para cima, as quebrasse, levantando-as no meio, e inclinando-as para os lados oppostos&#8221;</em>. (p. 259). Na 4ª Nota Vandelli refere numerosas publicações sobre os “Basaltos com Granatas” da localidade de Bellas, mostrando assim estar bem informado acerca disso. Na verdade, a citada obra de seu pai tinha despertado o interesse de muitos naturalistas, por tratar de produtos vulcânicos ocorrendo em área de rochas sedimentares.</p>
<p>As extensas e importantes notas paleontológicas dizem respeito: a conchas de ostras (Pectens), salientando Vandelli que há ostras que não têm concha, como algumas do género Gryphites (Nota 6ª); dentes de animais dos géneros Squalus, Scyllium, Sparus, Phoca ou Physeter e outros duvidosos (Nota 7ª); à ocorrência de conchas separadas por famílias no “Calcareo secundário”, o que já era conhecido da literatura (Nota 9ª).</p>
<p>A Nota 11ª é dividida em duas partes. Na primeira Vandelli propõe a criação de um Museu Nacional na Academia Real das Sciencias de Lisboa, coisa que já havia feito em discurso proferido na sessão pública da Classe de Ciências Naturais de 19 de Dezembro de 1831, conforme ata registrada por José Maria Dantas Pereira, Secretário da Academia. Havia, na época, a necessidade de organizar o material de campo que a Academia possuía. O próprio Domingos Vandelli havia deixado objetos e material escrito desde a época vivida em Coimbra, assim como material coletado e enviado por seus alunos viajantes (entre eles Alexandre Rodrigues Ferreira em sua famosa Viagem Filosófica à Amazônia e ao Centro-Oeste brasileiro no período 1783-1792). </p>
<p>Alexandre Vandelli, de posse de parte desse e de outros materiais, doou manuscritos do pai para enriquecimento da Biblioteca da Academia. Por exemplo, no Tomo VI das <strong>“Memórias”</strong> da Academia, de 1819, lê-se à pág. XXI: <em>“Também o Sr. Alexandre António Vandelli enriqueceu nosso Arquivo, consentindo que tirássemos uma cópia da correspondência epistolar dos Srs. Conde de Barbacena, Abade Correa com seu defunto pai e consocio Sr. Domingos Vandelli. São estas Cartas documentos preciosos para a história dos princípios da nossa Academia.”</em></p>
<p>Das <strong>“Reflexões sobre os Hippuritos”</strong>, onde Vandelli comenta as estampas I a III da Memória, constam várias conclusões: a) que eles não podiam formar um único gênero de fósseis por mostrarem diferenças muito notáveis entre si; b) certos petrificados pertenceriam a conchíferos e não a Polypos, como admitira Eschwege; c) vários petrificados considerados Hippuritos por este último estavam bem classificados, mas outros não, sendo espécies de Birostritos ou de Spherulitos (moldes internos e conchas); d) havia petrificações que pareciam pertencer ao gênero Cerithium. Na Nota 8ª Vandelli comenta a possível origem do azougue que havia sido encontrado quer em Lisboa, na freguesia de S. Paulo, quer a sul do Tejo, na zona de Almada. Se, para alguns, o terremoto de 1755 teria causado, em Lisboa, derrame do mercúrio guardado em armazéns, para Vandelli tal não teria sucedido, propondo que ou tivesse havido formação natural do mercúrio sulfurado em jazigos próprios, ou que o mercúrio das águas do mar (idéia defendida por vários químicos, segundo ele) se tivesse infiltrado e concentrado em terrenos de tipo adequado. Perto de Almada tinha havido explotação desde a descoberta da mina de Coina, em 1709 ou 1710</p>
<p>Os <strong>“Additamentos”</strong> mostram que o estudo da geologia e da paleontologia, inclusive dos vertebrados, era em 1831 um caminho ainda muito vazio. Alexandre descreve de maneira minuciosa terrenos e ossos fósseis marinhos, além de doar estes na Academia das Ciências, das principais instituições de pesquisa do país, estando sempre à disposição dos seus pares naturalistas e dos povos para estudo e admiração do poder que o homem detinha em racionalizar e demarcar a Natureza. </p>
<p>É também na paleontologia dos vertebrados Alexandre Vandelli brilha: <em>“Alexandre António Vandelli é, afinal, o pioneiro da Paleontologia dos vertebrados em Portugal”</em>, nas palavras de Miguel Telles Antunes. 3 As numerosas referências bibliográficas que cita atestam a sua erudição, servindo para ampliar/complementar a Memória, mas também para a contrariar, em certos passos <strong>(07)</strong>. </p>
<p><strong>Referências e Notas</strong></p>
<p><strong>(01) </strong>Eschwege, G. <strong>Memória Geognostica ou Golpe de … Mem</strong>. Acad. Sc. Lisboa. Lisboa, p. 253-280, 1831.<br />
<strong>(02)</strong> Vandelli, A. A. <strong>Additamentos ou Notas á Memoria… Mem</strong>. Acad. Sc. Lisboa. Lisboa, p. 281-306, 1831.<br />
<strong>(03)</strong> Telles Antunes, M. <strong>Sobre a História da Paleontologia em Portugal</strong>. In: História e Desenvolvimento da Ciência em Portugal. I Colóquio – até ao Século XX, II vol.: 773-814. Public. II Cent. A.C.L. Lisboa, 1986.<br />
<strong>(04)</strong> Vandelli, A. A. <strong>Apontamentos para a História das Minas de Portugal</strong>. Lisboa: Impressão Regia, 1824.<br />
<strong>(05)</strong> Academia Real das Ciências de Lisboa. <strong>Lista de donativos de 1830. História e Memórias da Acad. Real Sc</strong>. Lisboa, X, parte II: XXXVI. Lisboa, 1827.<br />
<strong>(06)</strong> Manuscritos <strong>“Extrato de 88 autores para a nomenclatura zoológica portuguesa”</strong>, <strong>“Zoologia portuguesa computada por Alexandre, estraída de 43 autores e 53 obras”</strong> e <strong>“Ensaio sobre a nomenclatura vulgar e trivial, e sinonímia zoológica portuguesa” </strong>que se acham em arquivos portugueses, todos de 1817.<br />
<strong>(07)</strong> Jorge Marques, Adílio. <strong>O professor do jovem Imperador. Um naturalista luso-brasileiro. Alexandre António Vandelli (1784-1862)</strong>. Rio de Janeiro: Vieira &#038; Lent Casa Editorial, 2010.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/a-paleontologia-portuguesa-e-o-naturalista-alexandre-antonio-vandelli/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A busca pela geometrização da matéria</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/a-busca-pela-geometrizacao-da-materia/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/a-busca-pela-geometrizacao-da-materia/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 09 Mar 2011 03:03:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=10123</guid>
		<description><![CDATA[Os gregos antigos, em contraposição a outras culturas, fizeram uma notável descoberta: a natureza obedece a leis universais e eternas, que podem ser investigadas pelos homens. Assim, uma pedra cai não porque uma divindade o ordena ou deseja, mas sim porque existe uma lei natural da qual depende o comportamento da pedra, e à qual os próprios deuses estão sujeitos. Esta descoberta foi uma ruptura notável com os padrões de pensamento vigentes nas outras civilizações da antiguidade, e introduziu uma nova forma de pensar o mundo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Platão1.jpg" alt="Platão" title="Platão" width="248" height="203" class="aligncenter size-full wp-image-10137" />Os gregos antigos, em contraposição a outras culturas, fizeram uma notável descoberta: a natureza obedece a leis universais e eternas, que podem ser investigadas pelos homens. Assim, uma pedra cai não porque uma divindade o ordena ou deseja, mas sim porque existe uma lei natural da qual depende o comportamento da pedra, e à qual os próprios deuses estão sujeitos. Esta descoberta foi uma ruptura notável com os padrões de pensamento vigentes nas outras civilizações da antiguidade, e introduziu uma nova forma de pensar o mundo. Mesmo que as leis do movimento expressas pelos filósofos gregos se tenham mostrado equivocadas, a descoberta da regularidade da natureza e da possibilidade de que os homens possam penetrar seus segredos foram descobertas monumentais, cuja importância, num mundo como o de hoje, em que isso é considerado corriqueiro, nunca é demais enfatizar. </p>
<p>Dentre as muitas cogitações dos gregos sobre o mundo natural, uma das mais importantes foi aquela da constituição da matéria, sobre a qual inúmeros filósofos tiveram algo a dizer, muitos dos quais com profundas implicações sobre a ciência de nosso tempo. Talvez o mais profundo deles tenha sido Platão de Atenas (428-347 a.C.). O filósofo grego buscava estabelecer uma cosmologia que partia da distinção entre dois mundos: o mundo mutável do devir (baseado no vir-a-ser), e as formas que existiriam de maneira eterna. Reconheceu a mudança constante do mundo sensível em oposição ao Mundo das Idéias, este estabelecido na permanência e na estabilidade. </p>
<p>Em sua teoria sobre a constituição da matéria, formulada na obra <strong>“Timeu”</strong> (ou <strong>“Diálogo sobre a natureza”</strong>), Platão utilizou os quatro elementos propostos antes por Empédocles de Agrigento (495-435 a.C.). São eles, a saber: terra, água, ar e fogo. Depois, os associou a sólidos geométricos constituídos por faces de polígonos regulares. Quatro desses sólidos têm faces triangulares ou derivadas de triângulos. De faces triangulares são o tetraedro, o octaedro e o icosaedro. </p>
<p>O elemento fogo corresponde ao tetraedro, correlacionado à forma da chama; o ar ao octaedro, com a possibilidade do movimento ascendente e descendente; a água, moldável e fluida, corresponde ao icosaedro. E a terra, com sua noção de solidez e estabilidade, se relacionou ao sólido de faces quadradas, o cubo, cujas faces, por sua vez, podem ser consideradas como a justaposição de dois triângulos retângulos. </p>
<p>Havia um quinto sólido platônico, o dodecaedro, com doze faces pentagonais. Ligava-se à quintessência, ou elemento celeste<strong>(1</strong> e <strong>2)</strong>. A razão de só existirem cinco poliedros regulares pode ser vista em várias obras de geometria<strong>(3)</strong>, e esta limitação leva à chamada Fórmula de Euler<strong>(4)</strong>:</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Fórmula1.JPG" alt="Fórmula" title="Fórmula" width="350" height="169" class="aligncenter size-full wp-image-10125" /></p>
<p>Os cinco sólidos platônicos estão mostrados na Figura 1 abaixo. </p>
<p>Há uma interessante relação geométrica dual entre os poliedros propostos por Platão, e a que pode ser verificada na substituição de faces por vértices e de vértices por faces (como na Tabela 1). Por exemplo, as 12 faces e os 20 vértices do dodecaedro são transformados nas 20 faces e 12 vértices do icosaedro. O mesmo pode ser verificado nos outros casos, com exceção do tetraedro, poliedro no qual faces e vértices se mostram de mesmo número (quatro).</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Figura-011.JPG" alt="Figura 01" title="Figura 01" width="500" height="245" class="aligncenter size-full wp-image-10129" /></p>
<p>A tentativa de estabelecer uma correspondência entre a forma, as propriedades e a estrutura da matéria persistiu ao longo do tempo, a partir da premissa de que na natureza as formas complexas se originam de entidades simples (mesmo princípio da ideia de átomos e moléculas). Esta questão está relacionada à busca pela ordem imanente na natureza, na qual o caos aparente das formas macroscópicas na verdade encobre o cosmos, ou organização, existente em micro-escala. É proposital o uso dessas duas palavras de origem grega, que são antônimas em sua acepção de origem.</p>
<p>Os estudos de simetria se mostraram cruciais na ciência moderna, começando com uma visão macroscópica desde o estabelecimento da nova mineralogia na virada do século XIX. Aqueles estudos ganharam muita força após o estabelecimento da teoria do carbono tetraédrico por Jacobus Van’t Hoff e Achille Le Bel<strong>(6)</strong>.  </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Tabela-01.JPG" alt="Tabela 01" title="Tabela 01" width="400" height="102" class="aligncenter size-full wp-image-10131" /></p>
<p>As propostas sobre a simetria surgiram no mundo antigo também em relação ao estudo da harmonia desse mesmo mundo. Modernamente, a teoria de simetria surge na Química e na Álgebra, neste último caso depois do desenvolvimento da teoria dos grupos. Diz-se que um objeto é simétrico se consiste de partes iguais física e geometricamente, apropriadamente dispostas, umas em ralação às outras. Um exemplo físico da simetria na natureza são os cristais que se agrupam seguindo as sempre mesmas arrumações em suas moléculas. Ao longo do recente século XX, a espectroscopia e a cristalografia por difração de raios X consagraram definitivamente o papel fundamental dessa simetria no entendimento da constituição da matéria. Nos estudos de espectroscopia os cinco sólidos platônicos também podem ser descritos como pertencentes a grupos químicos, por exemplo. Contudo, durante a maior parte do século XX, a preocupação primordial dos investigadores da estrutura dos materiais foi, sobretudo, a geometria de moléculas individuais. Ultimamente, inclusive, os estudos se ampliaram consideravelmente no sentido de que, para se conhecer a estrutura de uma substância molecular é necessário estudar não só a estrutura da molécula individual, mas também aquela do conjunto das moléculas que formam a rede cristalina do sólido. </p>
<p>Esta geometrização mais ampla, com todas as suas conseqüências, faz-nos refletir sobre a profundidade da intuição platônica ao querer descobrir os segredos da estrutura íntima da matéria a partir da geometria. A abordagem atual leva-nos a considerar todo o retículo cristalino de um sólido molecular e das celas vizinhas, da mesma maneira como há muito se procede com os sólidos iônicos, covalentes e metálicos. Em outras palavras, o conhecimento da estrutura de uma molécula é importante, mas está longe de ser suficiente para descrever o sólido formado por aquelas moléculas. Quando se estudam os sólidos iônicos, covalentes e metálicos, isto é, aqueles em que os átomos ou partículas estão unidos uns aos outros por forças iguais, obtêm-se em geral estruturas para os conjuntos de partículas que se repetem, correspondendo frequentemente aos sólidos platônicos, ou a eles relacionados. </p>
<p>A descrição da estrutura de sólidos moleculares, contudo, teve um tratamento diverso. Tradicionalmente se dava uma ênfase muito maior à estrutura da molécula, ficando a estrutura do cristal, de que a molécula é o bloco fundamental, em segundo plano. Nos últimos anos, todavia, percebeu-se que ambos os aspectos têm peso considerável no entendimento dos sólidos moleculares. É necessário conhecer a estrutura da molécula individual, mas também a maneira em que as várias moléculas se agrupam formando o retículo cristalino do sólido. Isto é importante não só do ponto de vista estrutural, como também para o entendimento das interações intermoleculares, cujo papel é crucial para o conhecimento das propriedades das substâncias. </p>
<p>Ao fazer um estudo da estrutura cristalina dos sólidos moleculares, curiosamente retornam com grande frequência aos sólidos platônicos, e outros deles derivados. Pode-se dizer que essas estruturas possuem enorme importância para o estado sólido em geral, qualquer que seja a forma de ligação entre os átomos que constituem o sólido. Alguns exemplos são as estruturas de algumas espécies contendo carbono: o metano, CH4; o tetraedrano, C4H4; o cubano, C8H8; e o fulereno, C60. </p>
<p>Platão, desta maneira, deu um passo a mais no atomismo antigo, introduzindo uma descrição geométrica precisa dos átomos, descrevendo as mudanças por meio da geometrização. Tal idéia foi, e permanece, muito importante, pois levou a maior desenvolvimento do estudo e sistematização do pensamento científico ocidental, originante das ciências atuais, como a Física e mesmo a Astronomia.</p>
<p><strong>Notas:</strong><br />
<strong>1 -</strong>   Plato, <em>Timaeus and Critias</em>, Penguin Classics, Londres: Penguin Books, 1977.<br />
<strong>2 -</strong> Marques, A. J. Senra, A. V. D. <em>Ciência em Platão: os sólidos geométricos e o Timeu.</em> Scientiarum Historia, Livro de Anais. Rio de Janeiro: UFRJ, 2008, p. 725-730.<br />
<strong>3 -</strong> Huntley, H. E. <em>The Divine Proportion</em>. N. York: Dover, 1970, p. 31.<br />
<strong>4 -</strong> Trinastic, N., Nikolic, S., Mihalic, Z., <em>Bull. Chem. and Technol</em>. Macedonia, v. 13, 1994, p. 61-68.<br />
<strong>5 -</strong> Platão. <em>Timeu e Crítias, ou A Atlântida</em>. São Paulo: Ed. Hemus, 1990, p. 49.<br />
<strong>6 -</strong> van´t Hoff, J. H. <em>Stéréochimie. Nouvelle édition de dix années dans l&#8217;histoire d&#8217;une théorie‎</em>. Paris: Georges Carré Éditeur, 1892.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/a-busca-pela-geometrizacao-da-materia/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O que é etnocentrismo?</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-que-e-etnocentrismo/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/o-que-e-etnocentrismo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 03:03:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Claude Lévi-Strauss]]></category>
		<category><![CDATA[Etnocentrismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=6641</guid>
		<description><![CDATA[Assim, etnocentrismo seria a tendência do pensamento, especialmente ocidental, de considerar as categorias, normas e valores da nossa própria sociedade, ou cultura, como parâmetro passível de ser aplicado a todas as demais. Atitude que, hoje reconhecemos, atribui juízo de valor meramente pessoal, ou mesmo de determinadas “autoridades”, atrelando uma “metodologia sociológica” para a diferença entre as culturas. Será que alguém já fez isso algum dia na vida? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Etnocentrismo.JPG" alt="Etnocentrismo" title="Etnocentrismo" width="220" height="223" class="aligncenter size-full wp-image-6643" />Para o famoso antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908-2009), etnocentrismo seria a recusa em <em>“admitir o próprio fato da diversidade cultural”</em>. Temos aí um tema que nunca saiu da pauta acadêmica e, hoje, está inconscientemente presente nas discussões jornalísticas. </p>
<p>Assim, etnocentrismo seria a tendência do pensamento, especialmente ocidental, de considerar as categorias, normas e valores da nossa própria sociedade, ou cultura, como parâmetro passível de ser aplicado a todas as demais. Atitude que, hoje reconhecemos, atribui juízo de valor meramente pessoal, ou mesmo de determinadas “autoridades”, atrelando uma “metodologia sociológica” para a diferença entre as culturas. Será que alguém já fez isso algum dia na vida? </p>
<p>O papel do cientista social, ou dos que trabalham com a cultura, não é dizer como “deve ser” uma sociedade, mas como “ela é” (oposição entre “dever ser” versus “ser”). A busca do entendimento do por que algo aconteceu, sem impor a sua opinião, lembrando que a diversidade também é demonstradora de uma cultura. Privilegiar um referencial teórico-prático que segue o padrão da racionalidade, escolhendo um único tipo de cultura e educação com ele compatíveis, cria o conceito de “cultura hegemônica” e “culturas subalternas”. Esta é uma atitude combatida atualmente. As culturas diferentes da nossa, ou com orientações incompatíveis com o referencial escolhido, eram até o estabelecimento da Antropologia e da Sociologia alvos de uma redução das suas especificidades e diferenças. </p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Claude-Lévi-Strauss.JPG" alt="Claude Lévi-Strauss" title="Claude Lévi-Strauss" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-6644" /><em>Acima, foto de Claude Lévi-Strauss.</em></p>
<p>O (também) etnólogo Lévi-Strauss criticou o “falso evolucionismo” racionalista como a tentativa de suprimir a variedade cultural. A diversidade, inerente ao nosso mundo, evidencia que o pensamento etnocêntrico não reconhece a variedade de culturas como importante para compreendermos as nossas origens, de onde viemos e para onde vamos. Para Strauss, as culturas ocidentais “olham” para as outras com o olhar atual, do hoje, criando um anacronismo na formação de opinião. Reconhecer isso prova que não há uma “raça superior” a outra, apenas diferenças simbólicas. </p>
<p>Antes de Strauss, os academicistas classificavam as sociedades tribais como “bárbaras”, principalmente as ágrafas, ou “sociedades frias”. Só valia como prova da “evolução cultural” a escrita de um povo, a existência de documentos que marcassem a diacronia histórica. Era uma espécie de medida do “progresso e da tecnologia” daquela cultura que estava sendo estudada. Até os sistemas políticos estudados deveriam ser próximos do que era estruturado mentalmente pela sociedade ocidental. Havia uma linha de progresso, como espécie de “medidor das sociedades”, apesar das grandes diferenças que existiam entre elas. A humanidade deveria tornar-se una e idêntica em si mesma com o passar do tempo. A diversidade não passaria de etapas em um único desenvolvimento geral.</p>
<p>O estudante, em qualquer grau, mantendo o perfil sociológico moderno, deve ter em mente que o etnocentrismo deve ser evitado enquanto atitude metodológica. Estamos em uma sociedade global, diversificada, múltipla: <em>“Há muito mais culturas humanas do que raças humanas” </em>explicita Lévi-Strauss no seu texto <strong>“Raça e História”</strong> (Cap. XVIII, Raça e História. LÉVI-STRAUSS, C. Antropologia Estrutural Dois. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976.). A diversidade não deve ser a observação fragmentada de cada um de nós. Ela existe em função das relações que une os grupos, muito mais do que o isolamento destes. Ainda Strauss:<em> “não existem povos infantes: todos são adultos, mesmo os que não mantiveram um diário de sua infância e adolescência”</em>. </p>
<p>A afirmação simplista, de uma suposta “igualdade natural” para todos, pode levar a equívocos, pois não é possível colocar de lado a diversidade que existe, de fato, entre as culturas. Isso exterminaria a diversidade que tanto nos atrai, ou seja, a beleza que há na diferença, no novo que desejamos conhecer. </p>
<p>O homem se realiza em culturas tradicionais e diversas. E as modificações se explicam em função de situações definidas no tempo e no espaço que temos que buscar entender, sem preconceitos.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/o-que-e-etnocentrismo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>“Os raios invisíveis” de Papus e a ciência oitocentista</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/%e2%80%9cos-raios-invisiveis%e2%80%9d-de-papus-e-a-ciencia-oitocentista/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/%e2%80%9cos-raios-invisiveis%e2%80%9d-de-papus-e-a-ciencia-oitocentista/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 19 May 2010 03:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=5888</guid>
		<description><![CDATA[Investigador do humano e do oculto, Papus lutou toda a sua vida, assim como outros ocultistas, contemporâneos ou não, para trazer à tona algumas das grandes verdades da Criação sob a ótica da Tradição, mesmo sob o prisma da ciência profana. Esta mesma Tradição, imbuída de todo o saber e do Verdadeiro Conhecimento da história da humanidade, traz consigo a experiência de milênios de vivências, de experimentações e da própria energia pessoal de todos aqueles que a ela se ligaram de alguma maneira, enriquecendo-a e legando ao mundo um maior conhecimento e mais luz às nossas consciências. A verdade pertence aqueles que a buscam.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Gerard-Encausse.JPG" alt="Gerard Encausse" title="Gerard Encausse" width="220" height="225" class="aligncenter size-full wp-image-5890" /><em>Acima, foto de Gerard Encausse.</em></p>
<p>Papus (codinome para o médico Dr. Gerard Encausse) mostra toda a sua genialidade ao aventurar-se pelos áridos campos da Física e da Química relatando experiências com o ocultismo, mais particularmente com a Luz Astral. Investigador do humano e do oculto, Papus lutou toda a sua vida, assim como outros ocultistas, contemporâneos ou não, para trazer à tona algumas das grandes verdades da Criação sob a ótica da Tradição, mesmo sob o prisma da ciência profana. Esta mesma Tradição, imbuída de todo o saber e do Verdadeiro Conhecimento da história da humanidade, traz consigo a experiência de milênios de vivências, de experimentações e da própria energia pessoal de todos aqueles que a ela se ligaram de alguma maneira, enriquecendo-a e legando ao mundo um maior conhecimento e mais luz às nossas consciências. A verdade pertence aqueles que a buscam.</p>
<p>Papus não era físico, porém um médico atuante e que estava sempre atualizado com as descobertas de seu tempo. Certamente, como podemos ver em todo o corpo do texto e pelas referências a outros trabalhos que faz, Papus tinha também ao seu alcance uma vastíssima possibilidade literária. Aliás, o saber, a erudição e a vastidão de seus conhecimentos é uma marca deste autor tão admirado. Ele mostra com sabedoria que a Física não é apenas academicista, mas que está ao alcance de todos com uma linguagem própria e acessível a qualquer público, como hoje muitos divulgadores da ciência o fazem.  </p>
<p>A Física, como as demais ciências, não foge a mesma regra do restante do saber humano. Por mais que os atuais radicais ou mesmo ainda positivistas dos laboratórios neguem, seguimos um conhecimento científico que tem suas origens na mesma fonte: a grande Tradição Primordial. Basta estudarmos destituídos de preconceitos a origem de muitas áreas do saber moderno que nos veremos em uma fantástica viagem ao passado de muitos dos antigos povos. Devemos a eles muito do que sabemos e do que foi desenvolvido na Europa da Idade Média dentro da Medicina, da arte da guerra, das Matemáticas, da Filosofia e Filologia, sem contar com todo o saber do oculto que tais povos nos transmitiram, tais como a Alquimia, a Magia, a Astrologia, a Astronomia, entre outros. Os árabes e os chineses, talvez cometendo algumas injustiças, destacam-se pela dimensão de suas pesquisas e descobertas. As Cruzadas, no contato entre os Cavaleiros ocidentais e outra cultura, por exemplo, foram importantes no aspecto de aproximação entre o Ocidente e o Oriente, legando à Europa medieval novos saberes, ainda desconhecido.  </p>
<p>Hoje a Física (e vou me ater mais a ela por ser de um domínio que se aproxima mais deste trabalho) permeia por áreas inimagináveis até a bem pouco tempo. Em um movimento que lembra a união mística e cultural da época das cruzadas, cientistas de todas as nações buscam conhecer a Verdade por detrás dos fatos que nos cercam. Por definição, a Física sempre se preocupou em estudar os fenômenos naturais. Ela é e sempre foi uma ciência da Natureza. Uma das obras de Aristóteles, Física, buscava estudar e explicar teoricamente todos os fenômenos que o grande filósofo observava à sua volta. A linguagem matemática da qual a Física se vale para dar um sentido quantitativo a tais fenômenos pode ser dispensada num plano filosófico sem que se perca o sentido de ciência desta matéria. Homens com sede do saber podem ficar horas, dias ou mesmo toda a sua vida discutindo a mais pura Física sem que tenha que se arremeter aos complicados cálculos que fazem parte, sem dúvida, do ferramental da Física. Antes de Isaac Newton e Leibnitz, que nos legaram de forma mais organizada o Cálculo moderno, a Física era uma ciência mais geométrica e muitas das vezes apenas teórica. Galileu Galilei, o gênio que a Inquisição fez abjurar que o Sol era o centro de nosso sistema solar, delimitou historicamente uma divisão entre a antiga e a novas ciências: a antiga, herdada em essência de forma mais filosófica e mental dos gregos e em especial sob a influência de Aristóteles de dentro da Igreja, e a nova ciência, conhecida como clássica, que exigia que uma teoria fosse posta à prova através de um experimento que a comprovasse. Aqui começa a Física como a conhecemos hoje.</p>
<p>A coragem de Papus com as linhas desta obra torna-se evidente se nos colocamos em sua época, saindo de nosso meio e de nossa cultura atuais. Este é, por sinal, o único caminho seguro para desvendar o passado de forma segura e sem preconceitos, pois senão estaríamos condenados a repetir eternamente os mesmos erros que muitos já fizeram: olhar o passado com os olhos do presente, cometendo o que na história da ciência é conhecido como &#8220;whiggismo&#8221;, ou seja, um ponto de vista historiográfico que julga a importância de eventos passados à luz dos padrões atuais ou que apenas se interessa pelos acontecimentos passados que de forma mais ou menos óbvia parece ter conduzido ao presente. A História, por não ser uma ciência exata, nem sempre lança mão de eventos previsíveis. Ela é o próprio reflexo da coletividade humana em seus anseios interiores pelo saber.</p>
<p>Para darmos alguns exemplos antes de chegarmos diretamente a Papus, imaginemos a Física Quântica sendo posta em evidência no século XIX, por exemplo. Seria certamente considerada &#8220;herege&#8221; ao afirmar que no microcosmo, ou seja, no âmbito da matéria densa (ao menos aos nossos olhos) encontra-se um infinitude de espaços vazios à primeira vista, e mais ainda, que somos constituídos de átomos, hoje uma palavra tão comum entre os secundaristas, cujos elétrons podem se comportar como partículas e como ondas! De início, o conceito de átomo (que quer dizer indivisível) é antigo, advindo dos antigos gregos chamados atomistas. Porém, no século XIX era visto como algo que não existia na natureza, tendo sido apenas uma quimera dos antigos. Que não éramos sólidos, então, nem se discutia (lembremos que na visão de hoje, se somos compostos de átomos somos também na maior parte constituídos de espaços &#8220;vazios&#8221;, pois se formos fazer uma comparação entre a estrutura do átomo e a de uma ilha mediana, por exemplo, diremos que o núcleo atômico seria uma pequena pedra no centro da ilha e o elétron mais próximo estaria onde começa o mar!).  </p>
<p>Este fato torna-se evidente na citação sobre a &#8220;luz negra&#8221;, do Doutor Gustave Lebon. As fontes luminosas citadas &#8211; lamparina, luz solar &#8211; emitem fótons das mais variadas frequências e em todas as direções. Aqueles raios de maior penetração, com frequências de maior valor e consequentemente menores comprimentos de onda, irão certamente atravessar a placa de ferro, ou a maioria de outros materiais metálicos. O chumbo, pela sua alta densidade, é utilizado até hoje nos hospitais e clínicas médicas como isolante aos raios de maior penetração, como os raios X, também presentes na luz solar, mesmo que em fraquíssima intensidade.  </p>
<p>Talvez seja importante, nesta apresentação, abrir uma pequena lacuna para deixar claro o que seja freqüência e comprimento de onda. Ambos são conceitos indissociáveis e que esclarecerão qualquer estudo, científico ou não, em especial dentro da área do ocultismo e do misticismo. Freqüência relaciona-se ao número de vezes em que um fenômeno acontece em determinado espaço de tempo. No caso da freqüência das vibrações associadas à matéria, como menciona Papus, diz respeito ao número de vezes que ocorre a aparição de uma onda completa por segundo. Pode ser o caso de uma onda sonora, ou luminosa, ou de uma simples seqüência de ondas num lago calmo em que atiramos uma pedra. O comprimento de onda é o inverso da freqüência, pois para que ocorram mais ondas no mesmo espaço de tempo elas terão que ser bem menores. Quanto menores, maior o seu poder de penetração na matéria, como no caso dos raios X. Como a Física das ondas (chamada acústica) era bem conhecida na época de Papus, estes conceitos eram familiares aos estudiosos das ciências em geral. Digo em geral devido também ao fato de que é muito difícil determinar as profissões até as primeiras décadas do século XX. Um profissional possuía muitas das vezes uma ampla formação acadêmica que o capacitava a várias profissões. </p>
<p>Assim, bem entendidos estes conceitos básicos, torna-se mais compreensível nos aventurarmos na dualidade onda-partícula, como é conhecida na Física e em especial na Física Quântica, o comportamento ambíguo da matéria. Ela beira a mais pura filosofia metafísica no sentido etimológico do termo, pois como podemos conceber que algo que não vemos, devido a sua diminuta ocupação de lugar no espaço (um fóton, por exemplo) pode ter dois comportamentos diferentes em uma mesma experiência? Esta proposição foi feita em 1924 por um físico experimental chamado de Boglie na sua tese de Doutoramento. </p>
<p>Este é um fenômeno que acontece com o elétron e com a luz. O fóton, uma determinada quantidade de energia que carrega a informação luminosa, ora apresenta um comportamento de partícula, como chamamos na Física, ora como onda. O que isso quer dizer? Explicando rapidamente um pouco mais esta maravilhosa façanha da Natureza, seria o mesmo que dizer que montamos uma experiência em que temos dois resultados diferentes, porém válidos. De uma fonte luminosa os raios de luz emergem para um anteparo onde existe uma única e diminuta fenda. Vemos que obviamente um pequeno fio luminoso atravessará esta fenda e formará um ponto em uma suposta parede que esteja por detrás do experimento. Este é o comportamento de uma partícula. Indo mais adiante na pesquisa, fazemos uma segunda fenda, igual à primeira, no mesmo anteparo e religamos a fonte luminosa. Verificaremos que na parede irá se formar uma figura que chamamos na física de figura de difração, com áreas de luz e outras mais fracas de penumbra. Ora, mas este é o comportamento de uma onda!  </p>
<p>Em termos do cotidiano, ou seja, do senso comum, a melhor maneira de entender o aparente absurdo deste comportamento dual da luz está na experiência de estarmos à noite parados de frente para uma janela de onde podemos ver e ouvir uma rua. Nesta passa um carro ainda ao longe. É fácil visualizarmos que primeiro ouvimos o som de seu motor e somente quando o carro passa à frente de nossa janela é que o vemos. Isso se explica pelo fato de que o som contorna obstáculos até chegar a nós, ou seja, as ondas sonoras (justamente por serem ondas) apresentam este comportamento chamado de difração. Mas a luz somente viaja em linha reta e, se ela se comporta como partícula neste caso, só irá atingir nossos olhos quando estiver em nossa linha de visão. É normal entendermos que a imagem do carro não irá &#8220;contornar&#8221; a janela e se mostrar a nós juntamente com o som antes de estar ao alcance da visão. Porém, como já vimos antes, é possível termos uma experiência de difração com esta mesma partícula chamada fóton.</p>
<p>Podemos pensar, então, que não podemos refutar à priori a hipótese do comportamento dual da luz, pois ele é intrínseco à natureza da mesma. Isso nos remete à dualidade chinesa do Yin-Yang ou à dualidade da Criação dita pelos Martinistas existente na Natureza. </p>
<p>Papus refere-se corretamente às vibrações ou frequências da luz logo no início de sua obra, assim como aos raios catódicos e aos raios X, mostrando sua iteração científica com o conhecimento da época, com a sua escala das modalidades do movimento da luz. Esta escala ainda é ensinada hoje em dia discriminando-se com exatidão os valores numéricos das frequências de cada cor ou tipo diferente de comprimento de onda. Certamente Papus percebeu, intuiu ou foi-lhe revelado &#8211; devido à associação que ele faz em um mesmo trabalho entre estas questões físicas e o astral &#8211; que associada à determinada freqüência estaria associada também certa quantidade de energia. O que torna mais interessante ainda contemplar esta obra &#8220;papusiana&#8221; de 1896, pois o postulado físico que diz que a energia de um fóton ou de um elétron é proporcional à sua freqüência de vibração associada a uma constante natural somente foi publicado oficialmente no final de 1900 por Max Planck na reunião da Sociedade Alemã de Física! A posição ocultista torna-se ainda mais importante se levarmos em conta que apenas três anos antes, em 1893, o físico alemão W. Wien obteve uma expressão matemática que relacionava à freqüência de vibração a determinada temperatura, mas não a níveis específicos de energia das partículas. </p>
<p>De uma maneira mais profunda, no que diz respeito à verdadeira tradição ocultista, o autor refere-se à língua hebraica e ao conhecimento legado por Moisés. Quando se refere à luz que está associada a uma ação &#8220;interior e ativa&#8221;, &#8220;dominada pela matéria&#8221;, está fazendo relação com o que expomos sobre uma freqüência menor (&#8220;baixa tensão&#8221;) ou de valor mais baixo, por isso mais associada à matéria, à qual denominou OB. É o caso da luz astral mais próxima de nosso mundo físico, ou do astral inferior. E, em contraposição, chamou OD à luz que &#8220;domina a matéria&#8221;, estando &#8220;em alta tensão&#8221;, ou seja, em alta freqüência, entendida como uma forma de maior energia. Refere-se ao astral superior. Lembremos que fisicamente tensão e potencial são sinônimos para energia. Quanto mais energia, maior a vibração ou a freqüência.  </p>
<p>Ao referir-se ao calor, citando Keely, não deixa Papus de estar em conformidade com a esta certeza científica, pois o calor também é uma forma de vibração da matéria, a princípio de valores mais baixos que a luz, e que emana dos corpos materiais de maneira geral, animados de vida ou não. Tudo o que existe na natureza manifestada está associado a um tipo de vibração, pois dentro do âmbito molecular e atômico não existe imobilidade. A matéria só estaria totalmente inerte na temperatura mínima possível no universo manifestado: aproximadamente &#8211; 273,15 °C ou zero kelvin, a temperatura absoluta. Como esta temperatura não existe em nosso planeta, nem em laboratórios, parar o movimento ou &#8220;congelar&#8221; energeticamente qualquer dos planos de manifestação não é possível. Cada componente da matéria, em qualquer plano, está em constante vibração, incessantemente, esteja aparentemente frio ou quente. Modernamente sabemos que equipamentos de observação noturna funcionam captando a emanação de calor dos objetos. A freqüência do calor está na ordem dos raios infravermelhos, que como Papus cita, são &#8220;invisíveis ao olho humano&#8221;. </p>
<p>Podemos inferir através desta obra que nosso autor acreditava que tudo na Criação fosse &#8220;tensão&#8221;, alta ou baixa, que em outra linguagem chamamos vibração ou freqüência. E certamente a Física nos aproxima desta visão.  </p>
<p>O fato dos objetos possuírem um &#8220;astral&#8221; ou vibração própria é decorrente do que acabamos de explicar. Também aqui a Física é bem compreendida por Papus e extremamente esclarecedora. Vejamos à luz de tudo o que já foi dito anteriormente: cada material possui um arranjo atômico particular, e cada arranjo possui sua freqüência própria. Pelo fenômeno da ressonância vibratória frequências iguais vibram juntas sempre que uma está próxima da outra. É o caso dos diapasões usados pelos músicos para ajustar seus instrumentos. É comprovado que se fizermos um determinado diapasão vibrar, outro de igual freqüência que esteja próximo irá vibrar conjuntamente, sem que o toquemos, devido à ressonância entre eles. Ou seja, são constituídos de forma semelhante e reagem entre si.  Isso explica a exposição das jóias sobre o &#8220;astral das coisas&#8221; à qual o texto se refere. No mundo das vibrações, o semelhante atrai o semelhante. No mundo das partículas materiais, os opostos é que se atraem. A dualidade presente na Criação manifesta-se de forma relativa, porém complementares.</p>
<p>Muitos experimentos e descobertas modernas nos remetem ao âmbito dos grandes Mestres do passado. A Tradição estará sempre atual, pois carrega consigo a força da idéia que foi a responsável pela estruturação de todo o universo conhecido. Muitos acham que todos os campos de estudos que não estejam em estreita ligação com a ciência oficial simplesmente podem ser descartados. Assim foi em todos os passos que a Física trilhou até chegar aos dias de hoje. E acredito que esta tenha sido a intenção primeira de Papus nesta obra. Relacionar um conhecimento acadêmico com o saber oculto reportando-se às descobertas de sua época. Ele busca encontrar a relação entre as bases do ocultismo e experiências científicas de sua época. Ele mostra neste trabalho de vanguarda que muitos dos fenômenos podem ser explicados usando-se a lógica, a ciência, o conhecimento do ocultismo e consequentemente da Tradição Primordial. Vamos observar que a linguagem usada não é semelhante à nossa e que não encontramos termos modernos muitas das vezes em que determinado fenômeno á apresentado. Veremos também no texto que Papus desafia as idéias arraigadas da ciência da época, mesmo sendo médico e estando em contato com a nata da cultura científica da França e da Europa.</p>
<p>Mas, para não cometermos &#8220;whigguismo&#8221; com Papus, a exemplo desta verdadeira Tradição, temos que analisar o texto à luz de sua época. No final do século XIX o pensamento científico era extremamente mecanicista (palavra originada do termo mecânica, usada desde a época da revolução científica e que a obra prima de Isaac Newton &#8211; <strong>Principia</strong> &#8211; popularizou para descrever o funcionamento totalmente explicável do universo em termos de uma Mecânica física, como se o cosmo fosse uma grande &#8220;máquina&#8221; previsível). Em outras palavras, achava-se que as ciências físicas já estavam totalmente explicadas pelas descobertas feitas até então. Dominava-se inclusive experimentalmente o calor, a ótica, a mecânica e por conseqüência a engenharia de um modo geral, a eletricidade e o eletromagnetismo descrito por J. C. Maxwell que com suas equações havia sido considerado a pérola que faltava na coroa do conhecimento físico. Logicamente faltava muito da tecnologia para criar ou experimentar as idéias da época que surgiam em profusão. França, Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos foram lugares onde se destacavam mentes realmente brilhantes e que impulsionavam a ciência. A Mecânica Quântica já citada só surgiu por consideração histórica em 1900 com Planck, como já mencionado acima, ao raiar de um novo século, mas mesmo assim apenas no final da década de 30 do século XX a ciência terminou de se libertar do mecanicismo latente com a fundamentação científica da nova Física Quântica.  </p>
<p>Mostrado sucintamente o panorama do pensamento à época do texto podemos imaginar e entender toda a discriminação que nosso autor sofreu. Ao analisar a influência dos objetos no meio em que estão e a influência astral à qual eles também estão submetidos Papus busca mostrar a correlação entre a influencia dos astros e do campo áurico e a das jóias construídas sob determinada influência. Ele procura trazer à tona o conhecimento perdido que veio do Oriente para o Ocidente, pois a Astronomia e a Astrologia eram uma única e verdadeira ciência entre os antigos povos, e que o mecanicismo separou elevando uma ao apogeu da sociedade e a outra ao limbo, pois não existia (e ainda hoje) equipamento que demonstre claramente as influências astrológicas. A ciência da analogia foi muitas das vezes esquecida pelos pesquisadores de várias gerações. Este foi o preço da revolução galileana. Mas dentro de uma concepção filosófica vemos a verdade se apresentar a favor de Papus, pois foi justamente por acreditar na ação à distância da potencialidade divina que Isaac Newton pôde conceber a teoria da gravitação universal. Talvez a queda de uma maça tenha contribuído mais para um galo em sua cabeça do que para o insight necessário à revolucionária proposta newtoniana.</p>
<p>Da mesma forma que na época de Papus já se conhecia os efeitos do eletromagnetismo e da eletricidade, as experiências elétricas com corpos vivos ou inanimados também já eram em grande parte compreendidas, como por exemplo o movimento muscular. Logo, Papus buscou mostrar que o astral, palavra derivada justamente da influência dos astros em nossa vida, era um mundo que nos cercava independentemente de acreditarmos ou não, da mesma forma que a gravidade continua a existir mesmo que alguns não a compreendam. Talvez os grandes mestres do passado, no qual Papus certamente está inserido, estejam hoje mais radiantes com as novas descobertas físicas relacionadas ao campo quântico que nos cerca. Ao estudá-lo aprendemos que também estamos mergulhados numa miríade de partículas subatômicas que nos atravessam e interagem conosco e com tudo à nossa volta todos os instantes. Tais partículas hoje conhecidas com as descobertas dos últimos 40 anos são criadas e desaparecem em infinitésimos de segundos e muitas das vezes outras idênticas reaparecem mais adiante sem nenhuma causa mais parente. É a chamada perturbação do campo quântico. Logo, o vazio ou o vácuo não existe exatamente como Aristóteles havia predito. Tudo está submetido a níveis de energia os quais não podemos ter a menor consciência, mas que nem por isso deixam de existir em níveis muito discretos. O éter, abandonado pela ciência oficial desde o início do século XX, pode ser assim &#8220;ressuscitado&#8221; nesta teoria dos campos quânticos. No passado, o éter foi abandonado pelo fato de que se considerava que ele deveria ser extremamente pouco maleável para poder conduzir ou ser o suporte da luz e do calor. Partindo deste conceito ainda mecanicista e de experimentos para comprová-lo dentro desta ótica acabou-se chegando à conclusão de que o éter não poderia existir. </p>
<p>A tentativa de explicar muitos dos fenômenos ditos &#8220;espíritas&#8221;, ou mesmo de ordem metafísica, através da visão de uma &#8220;física oculta&#8221;, como mencionada, foi a meu ver de grande valia e extremamente importante. Descaracteriza o estudioso do misticismo e do ocultismo da imagem de &#8220;fantasista&#8221;, cuja imaginação transcenderia às mentes ocupadas com uma só realidade &#8211; a da Natureza visível, naturada, manifestada e compreendida em uma visão mecanicista. O “motor do mundo”, como muitos cientistas acreditavam, estaria distante de sua criação. Esta obra prova justamente o oposto: não existe separação entre os eventos da Natureza, tudo se relaciona intrinsecamente, mesmo que nossas mentes não possam conscientemente abarcar todas as informações de forma paralela. Papus demonstra que se as vibrações existem, elas fazem parte da nossa vida. E, quem mais do que nós, &#8220;homens da modernidade&#8221;, imersos num mar de energias eletromagnéticas de toda gama possível de frequências, pode discordar disto?</p>
<p>Papus convida-nos a buscar nas páginas desta singela obra uma nova visão sobre o astral e a matéria, sobre a ciência e o ocultismo. Então, sigamos seu conselho e, como na Gêneses, que a Luz se faça a cada página &#8211; FIAT LUX! (Prefácio deste articulista ao livro de G. Encausse chamado <strong>“Os Raios Invisíveis”</strong>, editado em português apenas pela Ed. Gnoses, 2001. Reflexo da ciência oitocentista e de sua relação com o oculto naqueles tempos de grande agitação intelectual dos homens. Uma boa referência é o sítio HERMANUBIS MARTINISTA: <a href="http://www.hermanubis.com.br/">http://www.hermanubis.com.br/</a>. )</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/%e2%80%9cos-raios-invisiveis%e2%80%9d-de-papus-e-a-ciencia-oitocentista/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>“Ficha limpa”: um projeto necessário e urgente para o futebol brasileiro!</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/%e2%80%9cficha-limpa%e2%80%9d-um-projeto-necessario-e-urgente-para-o-futebol-brasileiro/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/%e2%80%9cficha-limpa%e2%80%9d-um-projeto-necessario-e-urgente-para-o-futebol-brasileiro/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 03:03:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=5348</guid>
		<description><![CDATA[O futebol para o povo brasileiro tornou-se, assim como muitas de nossas festas folclóricas, um dos pilares da manifestação popular. Faz parte da cultura da segunda-feira, ao menos em sua grande maioria, ouvir, ler, discutir o futebol do final de semana. Existem as “mesas redondas” oficiais da TV, mas também aquelas dos bares, das salas ou de qualquer “cantinho” aonde nos reunimos com os amigos e familiares para falar do “último clássico” que mexeu com os brios de todos nós.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Futebol11.JPG" alt="Futebol1" title="Futebol1" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-5354" />Segundo o site do <strong>Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral </strong>(MCCE) <a href="http://www.mcce.org.br/">http://www.mcce.org.br/</a>, </p>
<p><em>“em 1999 foi aprovada a Lei n° 9.840, que tornou possível a cassação, até o presente momento, de mais de mil políticos por compra de votos e uso eleitoral da máquina administrativa. Foi a primeira vez que a sociedade brasileira apresentou e viu aprovado um Projeto de Lei de iniciativa popular em que se concedia à Justiça Eleitoral poderes mais amplos para aplicar punições aos que praticam atos de corrupção eleitoral. Agora, a Campanha Ficha Limpa quer manter essa vitória da sociedade, colaborando para a formação de melhores quadros políticos no país.” </em>.</p>
<p>Ainda lemos no mesmo site que: </p>
<p><em>“Serão atingidos os candidatos que já ostentem condenações criminais ou civis em virtude dos ilícitos mencionados no projeto de lei. Os principais atingidos serão pessoas que exerceram cargos públicos e, ali, praticaram desvio de verbas.”</em>.</p>
<p>A sociedade brasileira está lutando há décadas, com unhas e dentes, pela moralização de seus representantes na política, sendo esta apenas uma das muitas facetas de qualquer sociedade mundial. Lembremos de considerar as sociedades hodiernas em seus aspectos econômicos, sociais, esportivos e culturais, em um todo que movimenta inteiramente nosso planeta. </p>
<p>O futebol para o povo brasileiro tornou-se, assim como muitas de nossas festas folclóricas, um dos pilares da manifestação popular. Faz parte da cultura da segunda-feira, ao menos em sua grande maioria, ouvir, ler, discutir o futebol do final de semana. Existem as “mesas redondas” oficiais da TV, mas também aquelas dos bares, das salas ou de qualquer “cantinho” aonde nos reunimos com os amigos e familiares para falar do “último clássico” que mexeu com os brios de todos nós.</p>
<p>E o que há de comum entre futebol e a campanha do MCCE? Vou responder a esta pergunta com outras: se a política deve ser moralizada com atos como o do Projeto de Lei que prevê a inelegibilidade de candidatos com condenações na Justiça, por que outras instâncias de nossa sociedade não podem ser igualmente limpas e moralizadas? Por que o futebol, que movimenta milhões de pessoas e de reais, dólares, euros, ou a moeda que for, passaria ao largo de uma moralização justa e perfeita? </p>
<p>Ainda poderíamos pensar no seguinte: se uma instituição, ou mesmo pessoa física, ao provocar algum prejuízo material a terceiros deve pagar pelos seus atos, por que um juiz de futebol ou péssimos dirigentes também não são responsabilizados por prejuízos absurdos que instituições clubísticas sofrem quando erros absurdos são cometidos em campo? Vamos ao estágio, pagamos ingresso, ou mesmo um canal fechado na TV. Acreditamos que a cultura do futebol pode ser tão confiável quanto à de qualquer outro esporte ou diversão cultural. Ou seja, se eu for ao cinema e surgir na tela um filme diferente daquele na placa da entrada, ou se o som falhar, etc., reclamamos e ninguém achará absurdo que o cinéfilo seja ressarcido em seu ingresso.</p>
<p>Muito bem, já chego ao finalmente desta história. Dia 11 de abril de 2010, Vasco e Flamengo jogam no Maracanã, pessoas pagam para assistir a um esporte popular, um jogo que envolve milhões de torcedores dos dois lados, milhões de reais em investimentos e em propaganda, e não mais que de repente um juiz resolve inverter o resultado do jogo. Vejamos: o resultado foi 2 x 1 Flamengo. Aquele que deveria ser o responsável pela norma, pela lei esportiva, simplesmente sai da cartola com um tiro livre contra o gol vascaíno. Ou seja, vê um pênalti onde não existe, alterando o placar de um jogo disputado equilibradamente pelos dois clubes. </p>
<p>Segundo o site GloboEsporte.com, lemos que:</p>
<p> <em>“Após a partida, os jogadores envolvidos se pronunciaram. Léo Moura afirma que usou a experiência. &#8211; Sabia que ele (Márcio Careca, jogador do Vasco) viria para cima. A experiência conta. Dei um toque a mais e ele me empurrou por trás – disse o lateral. </p>
<p>- Não marcaria &#8211; disse, ao repórter Eric Faria, da TV Globo, na saída de campo.”<br />
</em><br />
Existe a confissão de que o lateral do Flamengo se jogou usando sua “experiência”. Nossos jovens aprenderam que ter “experiência” no futebol de hoje, e na vida, é burlar a lei e enganar o público (ou tentar), a mídia e os juízes. Ética só deve existir na política e nos livros de filosofia, ou é algo a ser buscado em todos os campos sociais?</p>
<p>Bem, após tão belo exemplo, digno de um noticiário político ou policial de nossos dias, acontece o lance capital da partida. Transcrevendo o texto lacônico do site NetVasco do dia 12 de abril de 2010:</p>
<p><em>“Quarenta e dois minutos do segundo tempo. Após um escanteio, Willians corta a bola com o braço após a cabeçada de Thiago Martinelli, dentro da área. O árbitro João Batista de Arruda nada marca. Flamengo 2 x 1 Vasco. Vasco eliminado.”</em></p>
<p>Eu completaria: eliminado e com um prejuízo de milhões de reais. O clube saiu das finais de um campeonato importante por algo inusitado: uma jogada de vôlei em um jogo de futebol! Mas tudo bem, ninguém viu, ninguém vê, o importante é satisfazer àqueles que desejam arbitrariamente que A ou B vença. Já que o juiz, o bandeirinha e nem o quarto árbitro conseguiram ver a quase “cortada” do jogador do Flamengo, coloco a foto abaixo para dar uma “mãozinha”. Sem trocadilhos.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Pênalti1.JPG" alt="Pênalti" title="Pênalti" width="250" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-5350" /><em>Acima, o “mão santa” de 2010. Foto GloboEsporte.com </em></p>
<p>Repito, assim, que vivemos em um mundo globalizado. O interesse de poucos que move o interesse de milhões, estes “globalizados” midiaticamente. Já temos veículos de comunicação que escolhem presidente, religião, por que não escolher time para os outros torcerem, o que devemos ler, ouvir, comer, enfim, consumir?</p>
<p>Viva o século da farta informação, onde podemos descobrir, por exemplo, uma tendência nos jogos do mesmo Flamengo (o clube “escolhido”, o “Neo” da Matrix futebolística nacional) desde o início de 2009: a marcação de pênaltis a favor. Segundo dados do Footstats e site Terra, o time carioca possui um pênalti a cada 3,5 jogos. Foram 24 penalidades máximas em 85 jogos, contando Campeonato Carioca (2009 e 2010), Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro e Libertadores. Destes, dez foram duvidosos. Na comparação com o time do São Paulo, principal rival rubro-negro no último Campeonato Nacional, verifica-se que é um número bastante alto, <em>“considerando, por exemplo, que o time paulista disputou 92 partidas desde janeiro do ano passado e teve nove pênaltis marcados (média de um pênalti a cada dez partidas, aproximadamente).”</em>. (site NetVasco).</p>
<p>Assim, devemos dar um Basta! Para a corrupção na política e na sociedade brasileira como um todo, também devemos dar um Basta! Na vergonha em que se transformou o futebol carioca e nacional nos últimos anos. Chega de escolhidos pelo consumo! Chega de jogos duvidosos, resultados modificados apenas pelos “erros” de poucos, de ladrilheiros saindo do túnel rubro negro para paralisar jogos decisivos como aconteceu em 1981. </p>
<p>Chega de “caso das papeletas amarelas”, como o de 1986, quando veio à tona a compra de árbitros em jogos de futebol carioca. Basta de “hexa” com cinco títulos, “tri” em dois anos! Ou ter que expulsar meio time atleticano para se classificar em um torneio internacional (o YouTube, como em  <a href="http://www.youtube.com/watch?v=PwwXKwHm6BI">http://www.youtube.com/watch?v=PwwXKwHm6BI</a>, está repleto de imagens do fatídico jogo também de 1981).</p>
<p>O povo brasileiro merece um pouco mais de respeito. Mais do que apenas assistir, passivamente e pagando, a casos tão vergonhosos dentro e fora do esporte.</p>
<p>Basta! </p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/%e2%80%9cficha-limpa%e2%80%9d-um-projeto-necessario-e-urgente-para-o-futebol-brasileiro/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Irena Sendler e a injustiça do esquecimento!</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/irena-sendler-e-a-injustica-do-esquecimento/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/irena-sendler-e-a-injustica-do-esquecimento/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 29 Mar 2010 03:01:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=5045</guid>
		<description><![CDATA[Também conhecida como "o anjo do Gueto de Varsóvia," foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, além de enfermeira e assistente social. Em 1965 a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel, apesar de na Polônia ter sido pouco reconhecida. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Irena-Sendler.JPG" alt="Irena Sendler" title="Irena Sendler" width="220" height="243" class="aligncenter size-full wp-image-5047" /><em>“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade.” </em>Irena Sendler.</p>
<p>Semana passada (início do mês de março/ 2010), pela proximidade da data natalícia da personagem deste texto, recebi por email o texto que segue abaixo lembrando a vida e morte de uma senhora polonesa de 98 anos chamada Irena Sendler (15 de fevereiro de 1910 – 12 de maio de 2008). </p>
<p>Também conhecida como &#8220;o anjo do Gueto de Varsóvia&#8221;, foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, além de enfermeira e assistente social. Em 1965 a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de <strong>Justa entre as Nações</strong> e nomeou-a cidadã honorária de Israel, apesar de na Polônia ter sido pouco reconhecida. </p>
<p>Não sei, infelizmente, o autor (ou autora) real do email, mas em homenagem à Irena, e também a quem anonimamente teve a coragem de não deixar passar em branco este fato, reproduzirei a notícia. Assim, o objetivo destas linhas é apenas tentar ajudar a tornar pública a vida desta senhora:</p>
<p><em>“Infelizmente faleceu em 2008 a Sra. que durante a II Guerra Mundial havia conseguido autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia como especialista de canalizações. Mas os seus ideais iam muito além. Sabia quais eram os planos dos nazitas relativamente aos judeus, mesmo sendo alemã.</p>
<p>Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco na parte de trás da sua camioneta para crianças de maior tamanho. Também levava na parte de trás um cão a quem ensinara a ladrar para os soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.</p>
<p>Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças. Por fim, os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas e os braços, e prenderam-na brutalmente.</p>
<p>Irena mantinha um registro com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, e que guardava em frascos de vidro enterrados debaixo de uma árvore no seu jardim. Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido para reunir as familias, mas a maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.</p>
<p>Foi indicada para receber o Prémio Nobel da Paz, mas não foi seleccionada. Quem o recebeu foi Al Gore pelas estrondosas propostas sobre o Aquecimento Global. </p>
<p>Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!!”<br />
</em><br />
Estas são também as minhas palavras.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Braço-com-numeração.JPG" alt="Braço com numeração" title="Braço com numeração" width="360" height="236" class="aligncenter size-full wp-image-5046" /></p>
<p>In Memoriam de Irena Sendler.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/irena-sendler-e-a-injustica-do-esquecimento/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A arte de aprender observando</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/a-arte-de-aprender-observando/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/a-arte-de-aprender-observando/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 03:03:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=4893</guid>
		<description><![CDATA[Aprendemos, com o tempo, a respeitar o direito das pessoas que já atingiram certa sintonia em relação às suas posições e visões da vida. São aqueles que se tornaram conscientes das obrigações nos projetos ecológicos e naturalistas, assim como dos processos espirituais da humanidade como um todo. Tais pessoas, aquelas que vemos ou tomamos como exemplos de vida, mostram-nos também a arte de aprender a observar. Desenvolvemos, desta forma, uma consciência sobre a nossa responsabilidade neste mundo, sem impor nossos dilemas aos que nos cercam. Tais dilemas e dúvidas surgem constantemente nos dias atuais como consequência do impacto que sentimos quanto à rapidez do mundo que nos cerca, um mundo pós-moderno que tornou tudo relativizado e descartável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Aprender-vendo.JPG" alt="Aprender vendo" title="Aprender vendo" width="263" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4894" /><em>“A mente prende-se a uma e outra coisa. Faça com que ela se prenda unicamente a Deus. Deixe-a executar todas as ações como um instrumento de Deus e entregue a Deus também o êxito ou o fracasso, a perda e ou ganho, o júbilo e mesmo o eventual desânimo. Este é o segredo.”</em>  Sathya Sai Baba</p>
<p>Aprendemos, com o tempo, a respeitar o direito das pessoas que já atingiram certa sintonia em relação às suas posições e visões da vida. São aqueles que se tornaram conscientes das obrigações nos projetos ecológicos e naturalistas, assim como dos processos espirituais da humanidade como um todo. </p>
<p>Tais pessoas, aquelas que vemos ou tomamos como exemplos de vida, mostram-nos também a arte de aprender a observar. Desenvolvemos, desta forma, uma consciência sobre a nossa responsabilidade neste mundo, sem impor nossos dilemas aos que nos cercam. Tais dilemas e dúvidas surgem constantemente nos dias atuais como consequência do impacto que sentimos quanto à rapidez do mundo que nos cerca, um mundo pós-moderno que tornou tudo relativizado e descartável. </p>
<p><em>“Tudo acontece na hora certa”</em>, como nos legaram alguns filósofos e metafísicos. Continuamos, contudo, refletindo sobre aquilo que impede a realização dos nossos planos e projetos, refletindo sobre aquilo que chamamos de processo de troca ou transmissão de nosso saber. Só que muitas vezes, sem buscar isso conscientemente, somos tomados subitamente por um tipo de clarificação de nossas ideias ou problemas. Pode ser através de uma pessoa que conheçamos muito ou pouco, mas que nos faz entrar em sintonia com o nosso eu. Pode ser o mero contato com a exuberância da natureza, ou mesmo um local religioso, que nos religa ao Grande Ser. Quando isso acontece parece que mudanças nos fazem aprender, nos fazem atuar para chegar a novas respostas para o que buscamos. Como se aquele momento mágico, aquele local ou aquela pessoa fizesse a vida valer a pena. A existência toma sentido.</p>
<p>Quando entramos em um estado de aceitação <em>“o universo trabalha a nosso favor”</em>, dizem as grandes Tradições. Ao intensificar a nossa caminhada na vida, recebemos do exterior o convite e a resposta que procuramos para nossas dúvidas e problemas. Lembremos: o sonho  de cada um de nós pode se “casar” com nosso projeto profissional, emocional ou espiritual, estando mais perto de se realizar do que imaginamos. Normalmente as realizações pessoais ajudam o indivíduo a crescer sem atrapalhar projetos em grupo. Para isso, contudo, temos que encarar a vida com coragem. Ou, como se diz popularmente, coragem para <em>“viver e aprender”.</em> </p>
<p>Antes de tudo temos que dar O passo: adquirir a coragem para as novas mudanças que queremos, ou que não queremos, mas que nos surgem inevitavelmente. Às vezes ficamos perdidos no começo do processo, quase revoltados, dispostos a negar tudo e a realizar o exato oposto. Mergulhamos em um processo de transformação que com o tempo irá sedimentar-se. Tocamos o real, como em uma espécie de epifania, sentindo o enlevo que a arte e a filosofia costumam provocar. Damos então o passo sem volta, ou para sempre.</p>
<p>Teremos nós mesmos, entretanto, sempre que formular estas questões a partir de certo momento de nosso viver. Por indisciplina, ou talvez por ingenuidade, relutamos em aprender aquilo que nos causa dor ou separação. Ouvimos de pessoas “mais experientes” que nunca deveríamos fazer isto ou aquilo. Mas, que fazer então? Deixar que o mundo nos domine? Precisamos aprender por nossos próprios pés, mesmo quando encontramos aquele alguém que nos serve de exemplo. As forças se multiplicam e a ação se intensifica quando começamos a caminhar em nosso favor. Selecionamos a semente e damos o primeiro passo. Devemos fazer o hoje enquanto nos transformamos. Em geral, muitas são as ideias que temos e que nos animam de início, porém poucas são aquelas que alcançam o plano do concreto e são desenvolvidas com sucesso. </p>
<p>Para  que isto não ocorra devemos listar as nossas alternativas cuidadosamente. Quando formos à prática teremos já previsto e avaliado aquelas primeiras dificuldades e obstáculos que costumam fazer as pessoas desistirem de seus sonhos e projetos. Onde há vontade e determinação é possível avançar. Iremos abrindo os caminhos mesmo que eles ainda não existam. </p>
<p>Antes da jornada, entretanto, precisamos nos certificar de que nos munimos dos instrumentos necessários, ou seja, precisamos nos certificar de que conhecemos os nossos ideais e também de que, iniciada a jornada, estaremos comprometidos com a sua realização &#8211; nada deveria nos demover de  persistir no caminho. A semente que propomos necessita de solo fértil. De modo que antes de lançá-la precisamos trabalhar a terra. Decididos a assim realizar, começamos o trabalho imediatamente, sem deixar para a tarde o que podemos bem iniciar já agora. Renunciando às forças que remam contra esta determinação. Ao decidir agora, realizamos imediatamente. Assim, rompemos com o processo de sermos impedidos de levar isso ou aquilo à frente por questões estranhas à nossa vontade, por forças contrárias à Grande Força Universal.</p>
<p>Como podemos iniciar um processo de troca ou transmissão de nosso saber? </p>
<p>Temos que fazer o hoje, enquanto nos transformamos. <em>“Tudo o que decidires fazer, realiza-o imediatamente, não deixes para a tarde o que puderes realizar pela manhã”</em>, diz uma máxima de grandes fraternidades. O mundo atual, nossas vidas,  exigem  uma ação contínua. Sócrates, durante o processo de construção de sua sabedoria interior, não se restringiu à sua iluminação. Continuou a ensinar até o dia em que tomou a cicuta que o imortalizou definitivamente. Entre tantos outros exemplos da história humana, Sócrates rompe com a questão de que só se pode fazer algo aquele que já tem a experiência no passado. Ou seja, deixando o fazer por último no processo de construção interior. Sócrates foi o espelho da sua própria filosofia; e a sua palavra, o reflexo da sua ação contínua em uma sociedade que já se corrompia. </p>
<p>Este texto simples surgiu da experiência com amigos e da observação do cotidiano de um grande ser humano que conheci faz pouquíssimo tempo. Não vive em minha cidade, é brasileiro, porém é capaz de mudar os outros à distância, desde que estejamos abertos ao observar e aprender. Dedico estas linhas a esta pessoa que prefere o anonimato. </p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/a-arte-de-aprender-observando/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pitágoras e os “Versos de Ouro”</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/pitagoras-e-os-%e2%80%9cversos-de-ouro%e2%80%9d/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/pitagoras-e-os-%e2%80%9cversos-de-ouro%e2%80%9d/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 03:04:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=4866</guid>
		<description><![CDATA[Sempre é importante, em nosso mundo chamado de pós-moderno, um mundo tão conturbado e com tanta “relatividade ética e moral”, lembrarmos daqueles antigos princípios que antigos pensadores nos legaram. Pitágoras é um daqueles personagens da história que ficaram para a posteridade, e que deve sempre ser lembrado não apenas pelas suas obras e influências, mas também pelos conceitos éticos que deveriam permear a qualquer sociedade. Os <strong>“Versos de Ouro”</strong> aqui listados são eternas palavras de sabedoria que poucos conhecem, e muito menos praticam. 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Pitágoras3.JPG" alt="Pitágoras" title="Pitágoras" width="220" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-4868" /><em>Acima, gravura representando Pitágoras.</em></p>
<p>Sempre é importante, em nosso mundo chamado de pós-moderno, um mundo tão conturbado e com tanta “relatividade ética e moral”, lembrarmos daqueles antigos princípios que antigos pensadores nos legaram. Pitágoras é um daqueles personagens da história que ficaram para a posteridade, e que deve sempre ser lembrado não apenas pelas suas obras e influências, mas também pelos conceitos éticos que deveriam permear a qualquer sociedade. Os <strong>“Versos de Ouro”</strong> aqui listados são eternas palavras de sabedoria que poucos conhecem, e muito menos praticam. </p>
<p>Pitágoras nasceu na ilha grega de Samos, a leste do mar Egeu, aproximadamente em 565 A.E.C. (antes da era comum). Alguns pesquisadores datam sua data natalícia em 572 A.E.C.. Pitágoras teria morrido em Metaponto entre os anos 490 e 492 A.E.C. de maneira ignorada. Apenas admite-se que teria desaparecido, ou foi assassinado, após as perseguições impostas a ele e aos seus discípulos quando sua Escola, na cidade de Crotona (atual Itália), foi condenada a fechar. Sua escola ficou conhecida na Antigüidade por Escola Pitagórica, Escola Itálica ou Escola de Crotona. Para algumas correntes históricas teria sobrevivido à perseguição e se escondido por muito mais tempo. Não se sabe com absoluta certeza de várias passagens de sua vida, pois infelizmente muitos documentos se perderam ao longo dos séculos que poderiam trazer mais luz à sua obra. O desastre com a Biblioteca de Alexandria, por exemplo, foi determinante neste aspecto. Diz-se que uma biografia sua e de Aristóteles, também Filósofo, chegou a ser redigida na Antiguidade, mas que também acabaram se perdendo no fogo que consumiu a famosa biblioteca. Através dos anos que se seguiram, porém, seus discípulos e outros comentaristas legaram-nos muitos fatos, alguns de maneira indireta, que permitiram traçar os principais aspectos de sua vida e de sua doutrina.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/pitagoras.jpg" alt="pitagoras" title="pitagoras" width="286" height="430" class="aligncenter size-full wp-image-4870" /></p>
<p>O trabalho pitagórico é vastíssimo, pois o “Filósofo de Samos” atuou nos mais variados campos do conhecimento, a saber: medicina, física, matemática, música, filosofia, religiosidade. Em todos mostrou a sabedoria dos verdadeiros Mestres gregos. Pode-se dizer, sem exagero, que se deve a este grande personagem da cultura humana muito do desenvolvimento nas citadas áreas do saber.</p>
<p>Viveu numa época muito próxima a Lao Tsé, Buda e Confúcio, quando nosso planeta viu-se visitado por grandes luminares. Estes certamente influenciaram todo o trabalho pitagórico, pois é sabido que assim como vários outros místicos e filósofos da história grega e européia em geral, Pitágoras viajou por todo o Oriente para trazer de lá a sabedoria necessária ao desenvolvimento da civilização ocidental. Trouxe o conhecimento da Tradição Primordial, já com o ideal de fundar o seu centro de estudos, como vários outros fizeram, a exemplo de Platão com a sua Academia e Aristóteles com o Liceu. </p>
<p>Provavelmente teria passado pela Índia, segundo alguns historiadores modernos. Em Creta estudou os mistérios gregos. Admite-se que Pitágoras esteve na Babilônia, pois os babilônios eram profundos conhecedores da astronomia, da astrologia e da magia, tendo influenciado inclusive a formação do que hoje conhecemos como a Cabala judaica. No Egito, em especial, teria sido Iniciado aproximadamente em abril de 531 A.E.C. nas Escolas de Mistérios de Tebas, centro iniciático de profunda importância da antigüidade e detentor dos maiores segredos da cultura humana. Importante frisar, só para citar os mais conhecidos, que antes de Pitágoras já haviam passado pelo Egito em busca da sabedoria Sólon, fundador do Areópago grego (Areópago: conselho daqueles que tivessem desempenhado todas as funções administrativas e legislativas) e importante legislador; Tales de Mileto, fundador da filosofia Jônica. Existe certa controvérsia se Tales de Mileto teria influenciado Pitágoras como seu Mestre direto, mas a diferença de mais de 50 anos entre eles diminui em muito este possibilidade. Mais certo seria afirmar que, se existe semelhança em suas transmissões do saber, deve-se em grande parte por terem viajado pelos mesmos centros de estudos.</p>
<p>Através de suas muitas peregrinações Pitágoras fundamentou suas concepções religiosas, místicas e pessoais, nas quais o amálgama dessas idéias é que se tornariam o corpo de sua doutrina. Sua vida se tornou lendária, pois a Escola Itálica fundada por ele em Crotona tinha não apenas o ideal da formação do conhecimento filosófico, mas também o estabelecimento de uma espécie de Fraternidade mística, muito comum séculos mais tarde na Europa</p>
<p>Os mistérios Órficos, com sua diferenciação em graus de conhecimento, ajudaram a determinar que, por exemplo, os ensinamentos pitagóricos fossem também divididos em diferentes etapas ou graus. Estes eram três, em essência: no primeiro, o estudo dos números e de todas as suas relações matemáticas e físicas; no segundo grau, a moral e a política eram vistas como de grande importância; e em seguida estudavam-se as leis cósmicas. </p>
<p>Falava tanto em público quanto aos seus discípulos diretos em forma de parábolas. Admite-se que tinha um círculo interno de discípulos e outros admiradores externos, não iniciados em suas práticas. Interessante o fato de muitos Mestres de nossa história terem optado por instrução igual ou similar. Jesus falava por parábolas aos gentios. Sócrates usava a maiêutica (método de responder a perguntas com outras perguntas, levando à reflexão o primeiro interlocutor) para ensinar e debater com seus opositores. Também Heráclito, o filósofo do &#8220;puro devir&#8221; (devir: tudo está em constante mutação, onde nada é fixo; o &#8220;vir a ser&#8221;), falava por enigmas aos seus seguidores.</p>
<p>Passo a listar abaixo, para reflexão dos leitores, os famosos <strong>“Versos de Ouro”</strong> de Pitágoras, antigos e ao mesmo tempo sempre atuais.</p>
<p><strong>OS VERSOS DE OURO DE PITÁGORAS</strong></p>
<p>1. Honra em primeiro lugar os deuses imortais, como manda a lei.<br />
2. A seguir, reverencia o juramento que fizeste.<br />
3. Depois os heróis ilustres, cheios de bondade e luz.<br />
4. Homenageia, então, os espíritos terrestres e manifesta por eles o devido respeito.<br />
5. Honra em seguida a teus pais, e a todos os membros da tua família.<br />
6. Entre os outros, escolhe como amigo o mais sábio e virtuoso.<br />
7. Aproveita seus discursos suaves, e aprende com os atos dele que são úteis e virtuosos.<br />
8. Mas não afasta teu amigo por um pequeno erro,<br />
9. Porque o poder é limitado pela necessidade.<br />
10. Leva bem a sério o seguinte: Deves enfrentar e vencer as paixões:<br />
11. Primeiro a gula, depois a preguiça, a luxúria, e a raiva.<br />
12. Não faz junto com outros, nem sozinho, o que te dá vergonha.<br />
13. E, sobretudo, respeita a ti mesmo.<br />
14. Pratica a justiça com teus atos e com tuas palavras.<br />
15. E estabelece o hábito de nunca agir impensadamente.<br />
16. Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos;<br />
17. E que as coisas boas do mundo são incertas, e assim como podem ser conquistadas, podem ser perdidas.<br />
18. Suporta com paciência e sem murmúrio a tua parte, seja qual for,<br />
19. Dos sofrimentos que o destino determinado pelos deuses lança sobre os seres humanos.<br />
20. Mas esforça-te por aliviar a tua dor no que for possível.<br />
21. E lembra que o destino não manda muitas desgraças aos bons.<br />
22. O que as pessoas pensam e dizem varia muito; agora é algo bom, em seguida é algo mau.<br />
23. Portanto, não aceita cegamente o que ouves, nem o rejeita de modo precipitado.<br />
24. Mas se forem ditas falsidades, retrocede suavemente e arma-te de paciência.<br />
25. Cumpre fielmente, em todas as ocasiões, o que te digo agora:<br />
26. Não deixa que ninguém, com palavras ou atos,<br />
27. Te leve a fazer ou dizer o que não é melhor para ti.<br />
28. Pensa e delibera antes de agir, para que não cometas ações tolas,<br />
29. Porque é próprio de um homem miserável agir e falar impensadamente.<br />
30. Mas faze aquilo que não te trará aflições mais tarde, e que não te causará arrependimento.<br />
31. Não faze nada que sejas incapaz de entender.<br />
32. Porém, aprende o que for necessário saber; deste modo, tua vida será feliz.<br />
33. Não esquece de modo algum a saúde do corpo,<br />
34. Mas dá a ele alimento com moderação, o exercício necessário e também repouso à tua mente.<br />
35. O que quero dizer com a palavra moderação é que os extremos devem ser evitados.<br />
36. Acostuma-te a uma vida decente e pura, sem luxúria.<br />
37. Evita todas as coisas que causarão inveja,<br />
38. E não comete exageros. Vive como alguém que sabe o que é honrado e decente.<br />
39. Não age movido pela cobiça ou avareza. É excelente usar a justa medida em todas estas coisas.<br />
40. Faze apenas as coisas que não podem ferir-te, e decide antes de fazê-las.<br />
41. Ao deitares, nunca deixe que o sono se aproxime dos teus olhos cansados,<br />
42. Enquanto não revisares com a tua consciência mais elevada todas as tuas ações do dia.<br />
43. Pergunta: &#8220;Em que errei? Em que agi corretamente? Que dever deixei de cumprir?&#8221;<br />
44. Recrimina-te pelos teus erros, alegra-te pelos acertos.<br />
45. Pratica integralmente todas estas recomendações. Medita bem nelas. Tu deves amá-las de todo o coração<br />
46. São elas que te colocarão no caminho da Virtude Divina,<br />
47. Eu o juro por aquele que transmitiu às nossas almas o Quaternário Sagrado.<br />
48. Aquela fonte da natureza cuja evolução é eterna.<br />
49. Nunca começa uma tarefa antes de pedir a bênção e a ajuda dos Deuses.<br />
50. Quando fizeres de tudo isso um hábito,<br />
51. Conhecerás a natureza dos deuses imortais e dos homens,<br />
52. Verás até que ponto vai a diversidade entre os seres, e aquilo que os contém, e os mantém em unidade.<br />
53. Verás então, de acordo com a Justiça, que a substância do Universo é a mesma em todas as coisas.<br />
54. Deste modo não desejarás o que não deves desejar, e nada neste mundo será desconhecido de ti.<br />
55. Perceberás também que os homens lançam sobre si mesmos suas próprias desgraças, voluntariamente e por sua livre escolha.<br />
56. Como são infelizes! Não vêem, nem compreendem que o bem deles está ao seu lado.<br />
57. Poucos sabem como libertar-se dos seus sofrimentos.<br />
58. Este é o peso do destino que cega a humanidade.<br />
59. Os seres humanos andam em círculos, para lá e para cá, com sofrimentos intermináveis,<br />
60. Porque são acompanhados por uma companheira sombria, a desunião fatal entre eles, que os lança para cima e para baixo sem que percebam.<br />
61. Trata, discretamente, de nunca despertar desarmonia, mas foge dela!<br />
62. Oh Deus nosso Pai, livra a todos eles de sofrimentos tão grandes,<br />
63. Mostrando a cada um o Espírito que é seu guia.<br />
64. Porém, tu não deves ter medo, porque os homens pertencem a uma raça divina,<br />
65. E a natureza sagrada tudo revelará e mostrará a eles.<br />
66. Se ela comunicar a ti os teus segredos, colocarás em prática com facilidade todas as coisas que te recomendo.<br />
67. E ao curar a tua alma a libertarás de todos estes males e sofrimentos.<br />
68. Mas evita as comidas pouco recomendáveis para a purificação e a libertação da alma.<br />
69. Avalia bem todas as coisas,<br />
70. Buscando sempre guiar-te pela compreensão divina que tudo deveria orientar.<br />
71. Assim, quando abandonares teu corpo físico e te elevares no éter,<br />
72. Serás imortal e divino, terás a plenitude e não mais morrerás.</p>
<p><strong>Referências</strong></p>
<p>- Os “Versos” foram retirados de &#8220;O Exotérico&#8221;, nº 25, de junho/98.<br />
- Marcondes, D. Introdução à História da Filosofia. Dos Pré-Socráticos a Wittgenstein; Jorge Zahar Editor; 1997.<br />
- Strathern, P. Pitágoras e seu Teorema em 90 Minutos; Jorge Zahar Editor; 1998.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/pitagoras-e-os-%e2%80%9cversos-de-ouro%e2%80%9d/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Evolução histórica das idéias sobre a criação do Universo</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/evolucao-historica-das-ideias-sobre-a-criacao-do-universo/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/evolucao-historica-das-ideias-sobre-a-criacao-do-universo/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 02:03:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>
		<category><![CDATA[Alexander Friedmann]]></category>
		<category><![CDATA[Antiguidade Ocidental]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[Big Bang]]></category>
		<category><![CDATA[Copérnico]]></category>
		<category><![CDATA[Cosmogonia]]></category>
		<category><![CDATA[Cosmologia]]></category>
		<category><![CDATA[Desacoplamento]]></category>
		<category><![CDATA[Einstein]]></category>
		<category><![CDATA[Einstein-de Sitter]]></category>
		<category><![CDATA[Friedmann-Lemaître]]></category>
		<category><![CDATA[Georges Lemaître]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Explosão]]></category>
		<category><![CDATA[Isaac Newton]]></category>
		<category><![CDATA[Johannes Kepler]]></category>
		<category><![CDATA[John Wheeler]]></category>
		<category><![CDATA[Logos Sola]]></category>
		<category><![CDATA[Mecânica Quântica]]></category>
		<category><![CDATA[Metafísica]]></category>
		<category><![CDATA[Microonda]]></category>
		<category><![CDATA[Planck]]></category>
		<category><![CDATA[pré-socrático]]></category>
		<category><![CDATA[Tales de Mileto]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria do Big Bang]]></category>
		<category><![CDATA[Teoria Inflacionária]]></category>
		<category><![CDATA[Universo de Lemaître]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=4424</guid>
		<description><![CDATA[De Aristóteles, passando por Johannes Kepler e Isaac Newton, até hoje, questões concernentes ao começo do Universo têm atraído a atenção de cientistas, principalmente astrônomos. (...) Atualmente, a Teoria do Big Bang, explicativa para a origem do Universo conhecido pelo homem, é o modelo cosmológico mais aceito. Esta teoria nos diz que o Universo teria começado com a explosão de um ponto, ou singularidade, de matéria extremamente condensada, passando por um período de crescimento acelerado (Teoria Inflacionária) e continuando sua expansão até os dias de hoje.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Big-Bang1.JPG" alt="Big Bang" title="Big Bang" width="312" height="269" class="aligncenter size-full wp-image-4427" /><strong><em>&#8220;Daqui em diante não existe uma harmonia feita somente para o benefício de nosso planeta, mas a canção que o Cosmo canta a seu senhor e centro, o Logos Solar&#8221;</em></strong>. Johannes Kepler, astrônomo.</p>
<p>O Universo mostra-se como uma obra magnífica que para muitos é obra do acaso, para outros, fruto de uma ordenação que não conseguimos atingir. A Mecânica Quântica, importantíssima contribuição da Física ao entendimento da ciência, mostra-nos microscopicamente que onde pensamos haver o vácuo ocorre a formação e aniquilamento constante de partículas. O vácuo absoluto parece não existir, talvez corroborando o horror que Aristóteles tinha ao vazio. Muitos objetos cósmicos estranhos mostram-se macroscopicamente ao olhar dos pesquisadores; outros já foram, a princípio, revelados. </p>
<p>A Criação, conforme as culturas antigas descrevem, é o começo do mundo e sua ordem intrínseca (cosmos, no sentido literal), sendo arquétipo para todos os mitos que tentam mostrar o início dos tempos. No sentido filosófico, o mito da Criação expressa os fundamentos ontológicos de uma cultura (ou sua Metafísica). Por outro lado, o desenvolvimento das idéias científicas concernentes à origem do cosmos é a Cosmologia. Desde o pré-socrático Tales de Mileto tenta-se explicar o início de tudo. Tales marcou a transição, no Ocidente, do pensamento místico para um considerado mais científico, em termos modernos, ao dizer que o começo de tudo foi com a água. Porém, uma água não apenas mística, etérea, mas uma entidade ou substância de todo o começo, sendo também o Logos &#8211; o princípio ou lei de todas as coisas. Isso é importante, pois nos fornece um sentido cosmológico mais amplo, dando também à natureza a condição de ser a causa e, também, a manifestação. Ele tem o mérito maior de ser o primeiro filósofo ou pensador da Antiguidade Ocidental a tentar propor uma explicação para a Criação a partir de leis iniciais.</p>
<p>De Aristóteles, passando por Johannes Kepler e Isaac Newton, até hoje, questões concernentes ao começo do Universo têm atraído a atenção de cientistas, principalmente astrônomos. A ênfase nas teorias algumas vezes causa conflitos entre cientistas e religiosos. Atualmente, a Teoria do Big Bang, explicativa para a origem do Universo conhecido pelo homem, é o modelo cosmológico mais aceito. Esta teoria nos diz que o Universo teria começado com a explosão de um ponto, ou singularidade, de matéria extremamente condensada, passando por um período de crescimento acelerado (Teoria Inflacionária) e continuando sua expansão até os dias de hoje. E questões surgem, onde os cientistas e filósofos modernos tentam descobrir fatos novos que ajudem a entender o cosmos: o Universo poderá se expandir para sempre, devagar ou cada vez mais rápido? Ou expandir até se contrair novamente, a partir de um único Big Bang? Ou mesmo oscilar entre expansão e contração com vários inícios subseqüentes?</p>
<p><strong>COSMOLOGIA</strong></p>
<p>Cosmologia é o estudo, em larga escala, da estrutura e da evolução do Universo. O estudo da origem das estruturas visíveis do Universo, desde os imensos aglomerados de galáxias até o sistema solar, se situa nos domínios da Cosmogonia, apesar de que muitos cientistas hoje em dia tendem a aceitar tudo como Cosmologia. Apenas no século XX as questões fundamentais da Criação puderam ter respostas mais precisas. Com as últimas descobertas observacionais, as questões básicas da cosmologia estão sendo exploradas dentro dos parâmetros da mais aceita das Teorias: a do Big Bang (ou Grande Explosão).  </p>
<p>Em 1543, Copérnico levantou a hipótese de que a Terra poderia não ser o centro do Universo. Uma conseqüência lógica da teoria de Copérnico é destituir a nossa galáxia de qualquer localização preferencial no espaço. Dessa forma, somos levados ao componente-chave da cosmologia moderna, o princípio cosmológico de Copérnico, que estabelece que o nosso ponto de localização no Universo não difere em nada de qualquer outro ponto do espaço. Ele seria localmente isotrópico &#8211; parece o mesmo em diferentes direções, visto a partir da Terra. </p>
<p>A teoria de Einstein de um Universo estático só perdurou até 1922, quando Alexander Friedmann, matemático e meteorologista russo, e depois o clérigo belga Georges Lemaître (em 1927), ambos trabalhando de forma independente, descobrissem um conjunto de soluções mais simples para as equações da gravitação de Einstein para um Universo em expansão.</p>
<p><strong>O BIG BANG</strong></p>
<p>A teoria do Big Bang, ou da Grande Explosão, descortina um imenso panorama da evolução cósmica. Há cerca de 14,5 bilhões de anos iniciou-se a expansão cósmica. As condições existentes neste instante inicial e antes dele são matéria para especulações que a teoria convencional não contempla. Segundo esta teoria o Universo primitivo era muito quente, muito denso, e talvez também muito irregular. A irregularidade e a anisotropia decresceram gradualmente. Alguns minutos após o Big Bang ocorreram algumas reações nucleares; basicamente, todo o hélio existente no Universo foi sintetizado nessa ocasião. </p>
<p>À medida que o Universo se expandia também se resfriava, assim como acontece com o ar quente que se expande e se esfria. A radiação cósmica de fundo observada atualmente nos radiotelescópios é um vestígio residual dessa era primitiva; ela tem sido apropriadamente chamada de radiação remanescente da explosão primordial (aproximadamente um minuto após a explosão). À proporção que a matéria do Universo esfriava, ela ia se transformando em galáxias, segundo uma determinada interpretação da evolução do Universo. As galáxias se fragmentaram em estrelas e se mantiveram agrupadas, para formar imensos agregados em vastas regiões do espaço. Com o nascimento e a morte das primeiras gerações de estrelas, os elementos pesados, tais como o carbono, oxigênio, silício e o ferro, foram sendo gradualmente sintetizados. Ao se transformarem em gigantes vermelhas as estrelas liberavam matéria que se condensava em grãos de poeira. </p>
<p>Novas estrelas se formavam a partir das nuvens de gás e poeira. Em pelo menos uma dessas nebulosas a poeira fria se aglomerou em torno da estrela, formando um fino disco. Os grãos de poeira aglutinaram-se uns aos outros, dando origem a corpos maiores que aumentaram de tamanho em razão de sua atração gravitacional, formando uma grande variedade de corpos, desde os minúsculos asteróides até os planetas gigantes, que constituem o nosso sistema solar.</p>
<p><strong>OS MODELOS</strong></p>
<p>Os modelos alternativos viáveis do Big Bang são: os modelos aberto e fechado de Friedmann-Lemaître; o modelo marginalmente aberto de Einstein-de Sitter; e o Universo de Lemaître. </p>
<p>Se o Universo estiver sempre se expandindo na velocidade atual, ele terá agora cerca de 14,5 bilhões de anos de existência. Considerando-se a hipótese de que a expansão estará em algum tempo decrescendo, como mostram os modelos aberto e fechado, o Universo teria então menos de 14,5 bilhões de anos. O modelo aberto de Friedmann-Lemaître tem aproximadamente 20 bilhões de anos. O modelo fechado tem a idade mais baixa, uma vez que a desaceleração deve ter o valor máximo neste modelo para fazer reverter à expansão. Depende da taxa considerada de desaceleração. O Universo de Lemaître tem muito mais de 14,5 bilhões de anos, porque há um longo período de calmaria, durante o qual a expansão quase estaciona.</p>
<p>Tanto o modelo aberto de Fredmann-Lemaître como o Universo de Lemaître mostram a possibilidade da eterna expansão. </p>
<p><strong>EVIDÊNCIAS DO BIG BANG</strong></p>
<p>Refere-se à idade do Universo, ou o lapso de tempo transcorrido desde o Big Bang até hoje. Estima-se em 13,5 bilhões de anos através das seguintes proposições: velocidade de afastamento das galáxias; pela geologia (em relação à idade da Terra, por exemplo); pela medição radioativa; através dos modelos de evolução estelar. O mapeamento das fontes de rádio do Universo também é importante neste cálculo. </p>
<p>Provavelmente a evidência mais persuasiva aceita em favor do Big Bang seja a existência de um fundo cósmico de radiação de microondas, o resíduo arrefecido da bola de fogo primordial, e que constituía o Universo primitivo. Microonda é o termo usado pelos rádio-astrônomos para designar as ondas de rádio de pequeno comprimento de onda (inferior a alguns centímetros), no qual o Universo é bem rico. Seu valor é em geral de 10-5 Watts de potência, ou seja: 0,00001 Watts, equivalente a uma temperatura de 2,7 graus Kelvin. Essa energia de fundo é considerada um resquício da explosão inicial.	</p>
<p>Outra evidência interessante se refere ao argumento de que certos elementos e isótopos (elementos químicos de mesmo número de prótons) podem ter sido sintetizados no Big Bang, devido às altas temperaturas e densidades do momento. Também existe o fato de que não há outras fontes plausíveis de explicação para pelo menos um elemento leve, o hélio, e um isótopo do hidrogênio, o deutério, existentes no Universo.</p>
<p><strong>O INSTANTE INICIAL</strong></p>
<p>O instante inicial, o tempo zero, é chamado de era de singularidade. A menos de 10-43 segundos (o tempo de Planck) a ciência nada pode explicar com certeza. O que teria dado partida à Criação do Universo? Porque o Universo é do jeito que é? Sabemos que qualquer modificação inicial, ou nas constantes universais da Física, teria ocasionado um Universo totalmente diferente do que é hoje, provavelmente não capaz de suportar qualquer espécie de vida. </p>
<p>Qual é a probabilidade estatística de que o Universo, a partir de uma explosão original, viesse a ser como é hoje? Sabemos matematicamente que tal probabilidade é extremamente pequena, ínfima. Os cálculos estatísticos são somente um resultado aproximado, talvez uma amostragem usada sempre que se necessita precisar algo que não é possível ser totalmente explicado pela matemática usual do problema ou quando queremos saber a margem de erro dos mesmos. Logo, nada podemos dizer com exatidão desse momento da Criação. <em>“Tudo o que conhecemos encontra sua origem num oceano infinito de energia que tem a aparência do nada”</em>, disse o Físico John Wheeler (Guitton, J.; Deus e a Ciência; 1991; Ed. Nova Fronteira).</p>
<p><strong>EVENTOS DA CRIAÇÃO</strong></p>
<p>Podemos separá-los de forma simples:</p>
<p>•	Primeiro &#8211; O Big Bang, até o tempo de Planck.</p>
<p>•	Segundo – As Eras: criação das partículas, Eras Hadrônica e Leptônica (até 1 segundo após a explosão), passando pelas Eras da Radiação, da Matéria, e do Desacoplamento (a maior e mais importante, a partir de 300 mil anos após o início de tudo, pois é neste período que as estrelas, galáxias, etc., se formam). Ocorre a expansão do Universo. </p>
<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>•	Guitton, Jean; Bogdanov, Grichka; Bogdanov, Igor; Deus e a Ciência; Ed. Nova Fronteira; 1991;<br />
•	Weisskopf, Victor F.; The Origin of the Universe &#8211; An introduction to recent theoretical developments that are linking cosmology and particle physics; American Scientist; Vol. 71; 1983;<br />
•	Silk, J.; O Big Bang; Ed. UNB; 1988;<br />
•	Hawking, Stephen; O Universo numa Casca de Noz; Ed. ARX; 2001.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques</strong> é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/evolucao-historica-das-ideias-sobre-a-criacao-do-universo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Educação científica consciente sobre o meio ambiente</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/educacao-cientifica-consciente-sobre-o-meio-ambiente/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/educacao-cientifica-consciente-sobre-o-meio-ambiente/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Feb 2010 02:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adílio Jorge Marques</dc:creator>
				<category><![CDATA[Adílio Jorge Marques]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=4077</guid>
		<description><![CDATA[A compreensão da importância do meio ambiente para o homem é fundamental desde a mais tenra idade. Nossa missão é preservar nosso planeta da mesma maneira que se preserva da forma mais íntegra possível o nosso ser físico e espiritual. O estudo do meio ambiente abrange não somente as Ciências Biológicas, mas é importante a relação com a Física através da Hidrostática e do entendimento dos fenômenos térmicos, como os aqui descritos. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Educação-ambiental.JPG" alt="Educação ambiental" title="Educação ambiental" width="220" height="226" class="aligncenter size-full wp-image-4080" />A finalidade deste trabalho é mostrar brevemente a relação entre a Física e seu ensino com o estudo do meio ambiente, conforme diretrizes atuais no Brasil e no mundo, mostrando a importância da cultura ambiental para o homem. O Meio Ambiente pode ser uma excelente proposta para tema transversal no Ensino Fundamental (antigo 1º grau) e Ensino Médio (antigo 2º grau), além de disciplina curricular. A Educação mundial necessita incluir a compreensão da natureza, dos meios de preservação da fauna e da flora, em especial o Brasil, rico nestes aspectos. Também a importância da água, por ser vital ao surgimento e manutenção da vida assim como pela abundância com que se apresenta na natureza.</p>
<p>Após cada seção proponho simples propostas de harmonização com o meio que nos cerca, buscando ilustrar a relação homem-natureza, reforçando interiormente naqueles que as realizarem a convicção de que estamos unidos em um grande sistema. Após alguns minutos, retorne sempre ao estado natural de vigília.</p>
<p><strong>1. O MEIO AMBIENTE</strong></p>
<p>A compreensão da importância do meio ambiente para o homem é fundamental desde a mais tenra idade. Nossa missão é preservar nosso planeta da mesma maneira que se preserva da forma mais íntegra possível o nosso ser físico e espiritual. O estudo do meio ambiente abrange não somente as Ciências Biológicas, mas é importante a relação com a Física através da Hidrostática e do entendimento dos fenômenos térmicos, como os aqui descritos. </p>
<p>Em alguns países dedicam-se dias do ano civil para o meio ambiente e para a conscientização do papel que a água, por exemplo, desempenha na preservação da espécie humana. O homem dotado de um digno saber deve participar dessa conscientização, pois é algo que aflige e atinge a todos. Devemos ter a consciência plena do papel que desempenhamos diariamente, e no que vamos deixar para os nossos descendentes. A Terra comunga em energia e consciência com aqueles a quem abriga e, sendo conhecedores do plano físico e também do plano espiritual, temos o dever de divulgar a preservação ambiental.</p>
<p>Muitas escolas já incluem em sua grade a disciplina “Meio Ambiente”, com temas transversais que veiculam a natureza como tema integrador. Aliás, o meio ambiente é essencialmente interdisciplinar e/ou transversal com qualquer disciplina do Ensino Médio ou Fundamental. As escolas podem propor projetos que veiculem como título e conscientização a água e o meio ambiente.</p>
<p>Partindo destes pontos de vista, mesmo individualmente podemos nos harmonizar constantemente com tudo o que nos cerca.</p>
<p><em><strong>Harmonização: </strong>Basta olhar para uma paisagem; respirar profundo, sentir diretamente na pele ou mesmo no paladar a força da natureza; ouvir o cantar dos pássaros, ou o ruído da água doce ou salgada. Assim ficará claro como os cinco sentidos podem interagir com o meio que nos cerca. Buscamos deste modo uma harmonização de todos os nossos sentidos em um local de natureza.</em></p>
<p><strong>2. A FÍSICA ENVOLVIDA NA NATUREZA</strong></p>
<p><strong>2.1 &#8211; O CICLO HIDROLÓGICO</strong></p>
<p>Vamos mostrar inicialmente a questão da água. Na atmosfera terrestre, o vapor d’água não possui odor ou cor, e se mistura livremente com os outros gases em percentuais bem menores por causa das correntes de convecção geradas pelo aquecimento desigual da terra e da água. Fenômenos como a alta tensão de superfície, a coesão molecular, as forças de adesão a outras superfícies, estas são algumas das características físicas que fazem da água um elemento tão importante na biosfera da Terra. </p>
<p>Mas, o que é biosfera? É a porção da Terra na qual toda forma de vida conhecida existe. Esta porção ocupa ou distribui-se em uma fina camada de ar (atmosfera), de água (hidrosfera), e de terra (litosfera).</p>
<p>Temos a água nos seguintes estados naturais:</p>
<p>1.	Estado sólido (gelo): as moléculas estão arrumadas como cristais de gelo, muito próximas, procurando evitar a mudança de forma.<br />
2.	Água líquida: as forças atrativas entre as moléculas diminuem e estas começam a se mover, tomando então a forma do seu recipiente.<br />
3.	Vapor d’água ou gasoso: as moléculas da água movem-se muito rapidamente e não estão conjuntamente ligadas, aumentando o espaçamento entre elas.</p>
<p><em><strong>Harmonização: </strong>Quando estiver próximo a uma grande massa de água pense em ser uno com ela. A água possui efeito calmante e purificador. Imagine-se, de olhos fechados, como parte do local.</em></p>
<p><strong>2.2. A ENERGIA TÉRMICA</strong></p>
<p>As mudanças de fase, como descritas acima, só são possíveis quando há variação de temperatura ou fluxo de calor entre dois ou mais sistemas. Exemplo: em um copo de água com gelo a 0°C, a temperatura permanece constante até que todo o gelo seja fundido. E para onde foi o calor? A energia foi usada para desfazer a estrutura cristalina interna dos cubos de gelo e provocar a fusão. Pelo fato desta energia térmica não estar associada à mudança de temperatura, mas de estado da matéria, geralmente é chamada calor latente (ou oculto).  Quando:</p>
<p>-	a energia é absorvida, a mudança de fase ocorre: sólido &#8211; líquido &#8211; vapor &#8211; gasoso<br />
-	a energia é liberada: gasoso &#8211; vapor &#8211; líquido &#8211; sólido</p>
<p>Como modelo didático segue o diagrama de fase abaixo (figura 1). Ele descreve as mudanças de fase da água, elemento básico na vida em nosso planeta e no universo, assim como a troca de calor associada ao processo de absorção e liberação de energia. </p>
<p>A água circula eternamente através da atmosfera, oceanos, terra e na vida do planeta, assumindo cada estado físico descrito acima. Os processos que envolvem uma mudança de estado requerem que o calor seja absorvido ou liberado. A energia de calor envolvido pode ser medida em calorias: uma caloria é a quantidade de calor requerida para elevar de 1°C a temperatura de um grama de água. Assim, quando 10 calorias de calor são adicionadas a um grama de água, ocorre o aumento de 10°C de temperatura.</p>
<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Representação-da-mudança-de-fase.JPG" alt="Representação da mudança de fase" title="Representação da mudança de fase" width="400" height="235" class="aligncenter size-full wp-image-4078" /><em>Acima, representação da mudança de fase.</em></p>
<p><em><strong>Harmonização: </strong>Visualize o seu ser em um processo de transformação interior. Assim como os elementos da natureza se transformam (exemplo: a água), nossa consciência ganha maior elevação mística ao se transformar, passando de elementos menos sutis para elementos que atingem cada vez maiores alturas. Veja seu ser interior elevando-se até o criador, como acontece com o vapor de água, e “misture” seu ser ao Dele. </em></p>
<p><strong>2.3. A DIFERENÇA ENTRE GASES E VAPORES</strong></p>
<p>É comum confundirmos os termos acima. Eles são diferentes, porém, principalmente no que se refere à presença da água em estado natural. </p>
<p>Temos antes que definir o que é temperatura crítica: é a máxima temperatura para uma dada substância permanecer como vapor, podendo assim tornar reversível o seu processo de mudança de fase.</p>
<p>Logo, em temperaturas acima deste ponto crítico, ocorre a fase gasosa. Ela não distingue entre o líquido e o vapor de uma substância. O processo aqui é chamado de irreversível, ou seja, não ocorre o retorno ao estado anterior.</p>
<p>Naturalmente presenciamos no meio ambiente o estado sólido, líquido e vapor d’água, representando este seu estado chamado por muitos de “gasoso”. Não é comum encontrarmos a água na condição gasosa na natureza, pois ela deveria estar em um processo irreversível e a temperatura de 374,25 ºC, e pressão de aproximadamente 218,3 atm. </p>
<p><em>strong>Harmonização:</strong> Da mesma forma que o gás é um processo irreversível, veja seu ser interno libertando-se de maneira também irreversível de seus defeitos e de tudo o mais que possa estar atrapalhando sua evolução, até mesmo uma doença. Que se dissolvam na matéria universal.</em></p>
<p><strong>3. CONCLUSÃO</strong></p>
<p>Aprendemos nos livros sobre a importância dos quatro elementos, desde a antiga Filosofia grega. Temos que nos lembrar que os antigos nos legaram tal filosofia porque possuíam um imenso manancial de observações – a própria natureza. Esta funcionava como um laboratório alquímico que orientava diariamente o costume dos povos. Zelar para que a natureza e seus mananciais sejam preservados é dever de todo ser humano consciente. Logo, devemos ter como meta de vida estar em comunhão com o meio ambiente que nos cerca, agindo localmente e pensando globalmente. </p>
<p>Possuir maior conhecimento sobre como a natureza funciona ajudará ainda mais as próximas gerações a manter nosso planeta em condições ideais de vida. </p>
<p><strong>4. REFERÊNCIAS</strong></p>
<p>[1] BRASIL, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO MÉDIA E TECNOLÓGICA. PCN + Ensino Médio: Orientações Educacionais Complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Ministério da Educação, 2002.</p>
<p>[2] FERRARO, N. G.; TOLEDO, P. A. Física Básica: volume único. São Paulo: Atual Editora, 1ª ed., 1998.</p>
<p><em>*<strong>Adílio Jorge Marques </strong>é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/educacao-cientifica-consciente-sobre-o-meio-ambiente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

