Adérito Mazive

Sem Cura

Por em 26/02/2011
Sem Cura

Creio que o que matou Brenda não foi a doença, foi a precariedade do hospital. Seis meses depois de internada, ainda não se acostumara com o cheiro do hospital, continuava a pensar que só a ela davam aquela porcaria de comida, e ninguém lhe tirava da cabeça que os lençóis que a tapavam eram... »

Fim da jornada

Por em 27/11/2010
Fim da jornada

A reunião terminou três horas depois do previsto, à meia noite. Corri imediatamente para a paragem de autocarros. Conforme esperava, estava apinhada de gente, barulhenta... A confusão chegava ao auge sempre que um autocarro parasse. Tentavam todos entrar ao mesmo tempo, impedindo por vezes que os que ali desciam pudessem fazê-lo. Determinado a não... »

A praga

Por em 21/11/2010
A praga

Chamaram de pacifismo o que os proibia de chegar às vias de facto. Eu chamei-lhe de cobardia. E porque eles não desperdiçariam o primeiro instante de coragem que o acaso lhes proporcionasse, resolvi ceder aos apelos do meu frágil corpo e limitar o meu dia-a-dia ao meu quintal. Posição cómoda, comformista, dirão. Mas nada... »

Um aspirante à escritor

Por em 10/11/2010
Um aspirante à escritor

Eu gostava do meu trabalho, a literatura é que me queria só para si. Indiferente aos elogios ou broncas do meu chefe, passava quase todo dia na net, lendo contos de todos os géneros. Findo o expediente, voava para casa, sentava-me à mesa, e, ávido, começava a escrever. A inspiração sempre me disiludia. Ao... »

Dia de azar

Por em 03/11/2010
Dia de azar

Quando, depois de desgastantes dias de julgamento, estava certo que eu seria condenado, apareceu a pessoa para quem eu acidentalmente ligara naquela madrugada de sábado. Tratava-se de um homem muito alto e muito gordo, mas que denotava uma grande fragilidade interior, a julgar pelo indisfarsável medo que o dominava quando foi arrastado para a... »

A Cativa

Por em 15/09/2010
A Cativa

Há muito que não vejo entusiasmo nos olhos do doutor. Em breve o pobre tomará coragem e finalmente me dirá que a minha doença não tem cura. Mas não é esta a doença que mais me dilacera. Fustiga-me mais a possiblidade de morrer sem provar a minha sanidade mental. Não culpo a ninguem. Os... »

Por em 11/09/2010
Só

Expulso da pensão, nada me restou senão me mudar finalmente para o subúrbio. Uma velha senhora me cedeu o cubículo do fundo do seu quintal em troca de uma quantia altíssima. Mas, tirando as baratas e mosquitos que resistiam à qualquer insectisida, devo dizer que vivia razoavelmente bem. Estranhamente, o crime era uma raridade... »

Busca

Colunistas