<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões &#187; Marisa Bueloni</title>
	<atom:link href="http://www.debatesculturais.com.br/author/marisa-bueloni/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.debatesculturais.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Feb 2012 15:25:30 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator>
		<item>
		<title>Eterno Natal</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/eterno-natal/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/eterno-natal/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 03:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=15416</guid>
		<description><![CDATA[Houve uma vez um Natal e ele era um sonho. Todos os sonhos de Natal estavam dentro de mim e eu estava dentro deles, numa espécie de osmose cataclísmica, que revolucionou os elementos à minha volta e me levou ao êxtase sublime. Nada aconteceu. E foi uma vertigem de nadas. Contudo, era um Natal que eu esperara com todas as minhas forças e ele não veio. A data chegou, mas o Natal não. Eu procurei pelos quartos da casa e não havia mais Natal. Ainda que o cheiro dos frutos e guloseimas natalinos ardesse nas minhas narinas, não havia mais Natal.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Eterno-Natal.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Eterno-Natal.jpg" alt="" title="Eterno Natal" width="201" height="251" class="aligncenter size-full wp-image-15417" /></a>Houve uma vez um Natal e ele era um sonho. Todos os sonhos de Natal estavam dentro de mim e eu estava dentro deles, numa espécie de osmose cataclísmica, que revolucionou os elementos à minha volta e me levou ao êxtase sublime.</p>
<p>     Nada aconteceu. E foi uma vertigem de nadas. Contudo, era um Natal que eu esperara com todas as minhas forças e ele não veio. A data chegou, mas o Natal não. Eu procurei pelos quartos da casa e não havia mais Natal. Ainda que o cheiro dos frutos e guloseimas natalinos ardesse nas minhas narinas, não havia mais Natal.</p>
<p>     Sei que era puro sonho o Natal que eu procurava. Eu ainda morava no campo e, nas vésperas, fui de carro até a cidade fazer umas comprinhas de praxe. Trafegando pela estradinha de terra, vi uma luz. <em>“É meu Anjo!”</em> – pensei. Não sei o que era. Ele não se manifestou e não ousei interrogá-lo. Às vezes, pergunto, falando sozinha: <em>“É você?”</em> – e desta vez nem isso falei.</p>
<p>     A luz me seguiu por um bom tempo. Aliás, eu a segui, porque ela ia à minha frente. Por um momento, senti a presença de uma pessoa ao meu lado, mas não posso garantir nada. Era Natal, havia uma luz que me guiava e não era a estrela de Belém.</p>
<p>     Não senti medo, nem fascínio. Mas agradeci ao Pai que algo tão sublime me fosse dado como um presente divino. Em plena tarde, a caminho da cidade, uma luz apontava para um Natal que não me preenchia. É duro buscar Natal onde Natal não há.</p>
<p>     Então, perguntei à luz que me assombrava: <em>“Natal, onde estás?”</em>. E a resposta foi aquele vento quente do calor dezembrino, aquela brisa abrasadora das praias do verão brasileiro, da cerveja e do corpo molhado, com gosto de sal&#8230;</p>
<p>     Fui me perdendo entre as recordações de Natal e Réveillon passados no litoral, sentindo na pele este calor com sabor de panetone, champanhe e saudade. Mas o Natal que agora crescia dentro de mim possuía uma outra forma e era este que eu queria encontrar.</p>
<p>     Não mais o Natal das ceias e comidas fabulosas, das tortas de nozes e demais sobremesas fantásticas. Não. Eu queria um Natal que me trouxesse a manjedoura de palhas, o Menino envolto em panos, Jesus, Maria e José. Eu queria os pastores e as ovelhinhas. Eu queria a noite fria no estábulo, a estrela de Belém encimando a cena tão doce. Eu queria esta doçura que se perdeu, ao longo do tempo&#8230; Eu queria o próprio tempo.</p>
<p>     Ah, eterno Natal!&#8230; Ali na estradinha de terra, parei o carro. Debrucei-me sobre o volante e chorei. Chorei. Chorei. Chorei com todas as forças da minha alma. Chorei um pranto que fez meu Anjo sentir pena de mim. Ele se aproximou, passou as mãos nos meus cabelos, e perguntou:</p>
<p>     <em>- O que foi, Marisa?</p>
<p>     &#8211; Você sabe&#8230;</em> – eu respondi.</p>
<p>     Ele se afastou. E sumiu. Não vi mais a luz. Ele foi tão delicado, quis me deixar a sós com o momento de convulsão natalina, chorando de ensopar o assento do motorista. Ah, meu eterno Natal de presepinho tosco, a caminha de palha, os reis magos chegando com os presentes nas mãos. E a magia do sonho!</p>
<p>     Então, naquele momento, as lágrimas me trouxeram o Natal que eu buscava. Meu pranto se transformou em fé. A estradinha de terra era o caminho até Belém, e o gramado cultivado da cana uma planície onde deitar a alma para repousar em verdes pastagens, como no Salmo 23.</p>
<p>     Eterno Natal, não se perca mais de mim! Volte sempre, por favor. Seja para mim esta data em que me recolho para pensar em Deus e naqueles a quem amo de todo o meu coração. Quero um Natal de paz, de amor, de bondade. Quero lhe dizer: eu amo você. Conheço alguns de vocês, mas não sei muito bem quem você é, não sei como vive, o que pensa da vida e do Natal. Mas eu quero dizer que amo você, meu leitor, e não quero amá-lo só porque é Natal. </p>
<p>     Quero amá-lo, porque este Natal agora é eterno dentro de mim. Eu o encontrei e não vou perdê-lo jamais! Feliz Natal!</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/eterno-natal/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Universo respira</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-universo-respira/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/o-universo-respira/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Dec 2011 03:02:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=15208</guid>
		<description><![CDATA[Giordano Bruno viveu nos anos obscurantistas da história, que caracterizaram a Idade Média. Ordenou-se sacerdote e recebeu o grau de doutor em Teologia, em 1575. Foi para a fogueira em 1600. Era um teólogo, cientista que sofreu as perseguições da época. Suas idéias abalaram os rígidos alicerces da Igreja medieval, reconhecida por seu caráter fechado, pouco afeito às conquistas do pensamento. Para a Igreja, algumas questões além da Teologia estavam concluídas e fechadas. Giordano envolveu-se com a ciência, pensava em termos de perspectivas científicas, o que desestruturava as bases da fé. Enquanto a Igreja se fechava em normas e dogmas, Giordano Bruno propunha uma outra visão de religiosidade, uma reforma para unir a cristandade, por meio da livre pesquisa e não pelo dogma.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/O-Universo-respira.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/O-Universo-respira.jpg" alt="" title="O Universo respira" width="227" height="222" class="aligncenter size-full wp-image-15210" /></a>Abro a porta que dá para o terraço e respiro. Respira comigo uma borboleta que voa insegura o seu vôo inaugural. Trêmula, pousa suas asas amarelas nas folhagens ao canto e sonha. Suponho que sonhe.</p>
<p>     Respirar é algo vital. Tudo respira o tempo todo, pulsação contínua. Quando nos sentimos exauridos, extenuados, como se uma força não identificada nos sugasse toda a energia, é bom respirar profunda e lentamente. Aos poucos, este leve exercício nos devolve o vigor perdido.</p>
<p>     Ali, na bendita área externa da casa, respirando a manhã que viceja nas asas de uma tímida borboleta, veio-me à mente a apaixonada visão que Giordano Bruno tinha acerca do universo e sua respiração. É inconcebível que alguém tenha sido condenado à fogueira por pensar que as coisas respiram. Celebro estas mortes dolorosas, dirigindo a elas o meu atrevimento de livre pensadora – bem eu, que vivo no século 21 e posso respirar quanto quiser. Posso?</p>
<p>     Para quem pouco conhece a respeito de Giordano Bruno, aviso que também eu pouco sei. Mas sei o que estudei e o que li. E o filme que vi, há muitos anos, cujo título leva o seu próprio nome, <em>“Giordano Bruno”</em>, me ajudou a compreender que ali estava um iluminado.</p>
<p>     Giordano Bruno viveu nos anos obscurantistas da história, que caracterizaram a Idade Média. Ordenou-se sacerdote e recebeu o grau de doutor em Teologia, em 1575. Foi para a fogueira em 1600. Era um teólogo, cientista que sofreu as perseguições da época. Suas idéias abalaram os rígidos alicerces da Igreja medieval, reconhecida por seu caráter fechado, pouco afeito às conquistas do pensamento.</p>
<p>     Para a Igreja, algumas questões além da Teologia estavam concluídas e fechadas. Giordano envolveu-se com a ciência, pensava em termos de perspectivas científicas, o que desestruturava as bases da fé. Enquanto a Igreja se fechava em normas e dogmas, Giordano Bruno propunha uma outra visão de religiosidade, uma reforma para unir a cristandade, por meio da livre pesquisa e não pelo dogma.</p>
<p>     <em>“O universo está em constante mutação”</em>, afirmava Giordano. Em sua concepção, Deus era visto como <em>“alma e princípio ativo do mundo”</em>. Para o pensamento religioso medieval, o universo era estático, e Giordano considerava que as manifestações do universo são manifestações divinas.</p>
<p>     No filme <strong>“Giordano Bruno”</strong>, há uma cena de profunda sensibilidade teológica, em que ele está explicando seu pensamento a um cardeal e afirma que a Igreja tem pedido aos fiéis que <em>“renunciem aos sentidos, que apague-se o fogo da inteligência, que se seja pobre de espírito e humilde”</em>. Giordano comenta com o cardeal que todos eles, religiosos daquele tempo, aprenderam isso como religião.</p>
<p>     Uma outra cena do filme, envolvente, é quando Giordano contracena com uma garota. Ele diz a ela que <em>“as árvores, os animais e toda a máquina da terra tem um respiro interior, como nós”</em>. A frase soa belíssima naquele mundo  repressivo em que era mandado à fogueira quem ousasse afirmar que a Terra era redonda e girava em torno do Sol.</p>
<p>     Giordano pensou o homem e o universo em sua grandeza e finitude. O homem frente ao universo que respira. Respirar é mais que o gesto humano de abrir uma janela e aspirar o dia. Respirar a vida é compreender que existe uma sintonia intrínseca entre o homem e o cosmo e que o homem, na sua natureza humanística, é propenso a uma religiosidade que o liberte de suas próprias amarras existenciais. </p>
<p>     As idéias de Giordano Bruno vêm reforçar o conceito de que há uma energia universal pulsando em todas as coisas. Esta energia é que nos faz sensíveis e solidários uns com os outros nas nossas atitudes diárias. Porque todos nós respiramos. Respiro a humildade desta prática abençoada, a crença no dia-a-dia, cotidiano tecido pelas incertezas e lutas, feito de grandezas e misérias, construído com a perplexidade de nossa arfante caixa toráxica respiradora. </p>
<p>     Ao cardeal Belarmino, que o condenou à fogueira, Giordano também deve ter dito baixinho: <em>“Eppur respira”. </em></p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/o-universo-respira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O sonho acabou?</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-sonho-acabou/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/o-sonho-acabou/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 Nov 2011 03:02:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=14740</guid>
		<description><![CDATA[Quando John Lennon disse “o sonho acabou”, eu chorei. Eu chorei copiosamente. Eu sabia tudo o que viria a seguir. E que o matariam também. Sim, não iriam deixar vivo um homem que, no desespero mais doloroso do mundo, anunciou o fim do sonho. Não se diz uma frase destas impunemente. É perigoso afirmar que o sonho acabou. Que o sonho morreu. “The dream is over”. Que é isso, cara? Seria Deus um mero conceito pelo qual medimos nossa dor? Não pode ser. Deus está acima dos conceitos. E dores são subjetivas. Cada um tem a sua, cada um a conhece, em particular. Como diz o ditado: “Cada um sabe onde lhe aperta o calo”...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/John-Lennon.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/John-Lennon.jpg" alt="" title="John Lennon" width="190" height="190" class="aligncenter size-full wp-image-14741" /></a>Quando John Lennon disse “o sonho acabou”, eu chorei. Eu chorei copiosamente. Eu sabia tudo o que viria a seguir. E que o matariam também. Sim, não iriam deixar vivo um homem que, no desespero mais doloroso do mundo, anunciou o fim do sonho.</p>
<p>     Não se diz uma frase destas impunemente. É perigoso afirmar que o sonho acabou. Que o sonho morreu. “The dream is over”. Que é isso, cara? Seria Deus um mero conceito pelo qual medimos nossa dor? Não pode ser.</p>
<p>     Deus está acima dos conceitos. E dores são subjetivas. Cada um tem a sua, cada um a conhece, em particular. Como diz o ditado: <em>“Cada um sabe onde lhe aperta o calo”&#8230;</em></p>
<p>     Deve haver algo mais, além dos aviões de carreira. Todos podem sentir o cheiro de algo no ar. E não é a podridão do reino da Dinamarca. Nem a fumaça tóxica que escapa das chaminés, apagando as estrelas. Tampouco o aroma de uma flor do mal, nem nada parecido com algo que nos entorpeça os sentidos.</p>
<p>     Quem vai saber o que é? Ah, os Anjos estão de prontidão. As trombetas começam a ser ouvidas aqui e ali e riem dos que as ouvem. Você não ouviu? Eu ouvi uma tocar, eram 4 horas da madrugada. Mas ninguém acredita no que se ouve num horário destes, quando o coração quer recuperar o sonho.</p>
<p>     Ó, por favor, não digam mais que o sonho acabou. Eu quero acreditar em tudo que for possível. Eu creio na Bíblia, senhores, eu creio. Eu creio firmemente na Palavra de Deus. Eu creio. É preciso crer em algo para sobreviver.</p>
<p>     Se o sonho acabar, estaremos perdidos. Tirem tudo de um homem, mas não a sua capacidade de sonhar. Os sonhos são a nossa vida! Somos feito da mesma matéria dos sonhos. Os sonhos nos sustentam quando nada mais resta. Nem mesmo um amor. Quando o último adeus foi dado, fica o sonho. O sonho de uma vida inteira. De quem trabalhou, lutou, amou e sonhou.</p>
<p>     Onde estará John Lennon? Sonhando o sonho eterno, em algum etéreo ponto do universo? O que sabemos nós do outro lado, senão o que o sonho nos permita saber? Como tocar o invisível eterno em nosso tímido reconhecimento? Que lutas teremos de travar na passagem do possível túnel?</p>
<p>     Deus nos ajude nessa travessia. E como hoje estou um tanto enigmática demais, até para mim mesma, termino com um poema simplesinho, faceiro e digno.</p>
<p>     Lá vai:</p>
<p><strong>Morfeu</strong></p>
<p>Ocê caiu nos braços de Morfeia e eu,<br />
que não sou besta nem nada,<br />
de Morfeu.<br />
Meu!<br />
Eita deus dos bão!<br />
Ele vem alisano a gente,<br />
fazeno uns cafuné,<br />
começa lá pelos pé.<br />
Né?<br />
Aí, vai subino, subino<br />
e quando a gente vê,<br />
a gente tá durmino!&#8230;</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/o-sonho-acabou/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Assim&#8230;</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/assim/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/assim/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 03:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=14330</guid>
		<description><![CDATA[Começo este texto sofrendo o chamado “branco total”. Sim, aquele, o terror dos escritores, o temido por todos os que transpiravam abundantemente, catatônicos, diante da folha de sulfite na Olivetti cúmplice. Agora, o assombro se dá frente à tela branca do computador. Sinal dos tempos.  Assim, mergulhada no silêncio da casa, medito. O que escrever? Penso nos astros que rondam o céu todas as noites; nos planetas em suas órbitas colossais e na cosmogenia de cada coisa criada. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Assim.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Assim.jpg" alt="" title="Assim" width="212" height="237" class="aligncenter size-full wp-image-14331" /></a>Começo este texto sofrendo o chamado “branco total”. Sim, aquele, o terror dos escritores, o temido por todos os que transpiravam abundantemente, catatônicos, diante da folha de sulfite na Olivetti cúmplice. Agora, o assombro se dá frente à tela branca do computador. Sinal dos tempos.</p>
<p>     Assim, mergulhada no silêncio da casa, medito. O que escrever? Penso nos astros que rondam o céu todas as noites; nos planetas em suas órbitas colossais e na cosmogenia de cada coisa criada. </p>
<p>     Ah, que momento instigante este do branco diante do monitor. O que fazer com ele, quando se tem uma crônica para entregar ao site? O que escrever esta semana, meu Deus? Dá uma mãozinha para esta desilustre escrevinhadora? </p>
<p>     Assim como fazer um sacrifício: carregar o esquecimento por ofício.</p>
<p>     Pronto, com meu poema pífio consigo mais um santo parágrafo, meus amigos. Não é brincadeira. E agora? Como prossigo nesta inefável missão do impossível? Paro tudo e vou dar uma volta lá fora? Ligo a tevê?</p>
<p>     De repente, num canal qualquer, pego um pedaço de um programa, cujo tema é <strong>“Qual o segredo da felicidade?”</strong>. A apresentadora está com um guru americano ao lado e faz a pergunta para ele: <em>“Existe um segredo para a felicidade?”</em>. E o homem – pasme! &#8211; responde que sim.</p>
<p>     O tal guru é um professor de cabala e um dos mais importantes líderes espirituais do momento. Ele explica que cabala significa “receber”. Algumas pessoas simplesmente bloqueiam o que têm a receber do universo. A cabala ajuda a retirar estas barreiras. Ah, se fosse fácil assim!&#8230;</p>
<p>     Ó, felicidade!&#8230; Quantos à tua procura! Quantos atrás do teu rastro indefinido. Quem define felicidade? Para uns é encontrar o amor; para outros é viver sem dores físicas; para uma multidão é comprar um carro novo e desfilar pelas ruas da cidade, em estado de graça.</p>
<p>     Assim&#8230; Na indefinição da agonia diária, caminhamos todos. Há os que não perdem nada e captam as coisas erradas à sua volta. Estarei entre estes? Detecto as trevas deste mundo decaído e rezo por ele. Não vejo outro modo de ajudar no alívio de tantos males. Não vejo outra forma de elevar as almas.</p>
<p>     Há pouco tempo, um terremoto de proporções médias aconteceu no meu terraço. Senti o chão tremer. Pera lá. Não consta que em Piracicaba se registrem destes sismos. Se houve um dia, foi coisa leve. Pois tremeu meu coração pequenino diante da luz ofuscante de um átimo. Como explicar? Assim&#8230;</p>
<p>     Olha só que estou conseguindo. Já estou no décimo segundo parágrafo. Se bobear, escrevo a crônica inteira, uns 20, por aí. Muita coisa? É!&#8230; Nesta falta de inspiração, melhor não abusar da bondade do leitor. Eu tenho desconfiômetro. </p>
<p>     Nada demais, vai. Contar que deu um branco total é uma boa? Gesto de pura humildade? Quem sabe conquisto a solidariedade do leitor e ele me perdoa eternamente?</p>
<p>     Vamos para o décimo quarto parágrafo. Estou chegando lá. Falta pouco. Ai, as nossas redações no ginásio e no Curso Normal! Dava esse branco desgraçado e não saía nada, lembra? Que desespero! O professor olhando no relógio, avisando que a prova já ia acabar e a folha ali, nos desafiando&#8230; Quanta gente encheu linguiça nessa hora!</p>
<p>     Assim&#8230; Vamos lá. <em>“Não há de serenata. Dias melhores violão”</em> – se dizia antigamente, tentando fazer uma gracinha. Eu acredito em dias melhores, sempre. Sou otimista, pra cima, pra frente, pro alto, uma pessoa animada e comunicativa. Ah, se eu tivesse uma coluna cem por cento! O que eu não faria ainda nessa vida? Inscrevia-me para ser artista no Cirque du Soleil. </p>
<p>     Chega? Deu pra ti? Deu pra mim, cara. Me desculpa qualquer coisa. Não se começa frase com o pronome oblíquo, eu sei, mas peço licença poética. Soa melhor, no final deste fiasco. Pardon. Por hoje é só, mes amis.</p>
<p>     (Já sofreu esse branco também? Hi hi hi&#8230;).</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/assim/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O amor é para os fortes</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-amor-e-para-os-fortes/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/o-amor-e-para-os-fortes/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 16 Oct 2011 03:01:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=14050</guid>
		<description><![CDATA[Sim, o amor assusta os medrosos. Os que, por razões nem sempre plausíveis, se escondem atrás de argumentos que se desmancham no ar... Quem tem muito medo de tudo não se aproxime do amor. Ele vai causar uma revolução tão grande na vida da pessoa, um assombro tão arrepiante que pode matar. O amor é para os destemidos, os que não temem as feridas, as sangrias, os desesperos, as travessias de uma noite em claro, em febre, em pranto, em ânsias...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/O-amor-é-para-os-fortes.JPG" alt="O amor é para os fortes" title="O amor é para os fortes" width="182" height="226" class="aligncenter size-full wp-image-14051" /><em>&#8220;<strong>O Amor&#8230;</strong></p>
<p>É difícil para os indecisos.<br />
É assustador para os medrosos.<br />
Avassalador para os apaixonados!<br />
Mas, os vencedores no amor são os<br />
fortes.<br />
Os que sabem o que querem e querem o que têm!<br />
Sonhar um sonho a dois,<br />
e nunca desistir da busca de ser feliz,<br />
é para poucos!!!&#8221;</em></p>
<p>            Alguém me mandou este texto por e-mail. E questionei a autoria com um amigo querido. Não parece ser da escritora que o assinaria. Não. Não é o estilo dela. Então achei melhor deixar assim, sem autoria.</p>
<p>     Mas o que valem são as palavras. Seja lá quem foi que escreveu isso, tem boa parte de razão. O amor é difícil para os indecisos. Se é! Claro que o amor é para os que são determinados e decididos.</p>
<p>     Acho que não há nada pior do que ficar indeciso diante do amor. Sentir vontade de amar e fechar o coração, por falta de coragem, de iniciativa, de atitude. Amor pede decisão, sempre. Gente sem coragem não deve se aproximar do amor ou sairá dele muito machucada&#8230; Amor é para os corajosos. Amor é para os impetuosos, os arrebatadores.</p>
<p>     Sim, o amor assusta os medrosos. Os que, por razões nem sempre plausíveis, se escondem atrás de argumentos que se desmancham no ar&#8230; Quem tem muito medo de tudo não se aproxime do amor. Ele vai causar uma revolução tão grande na vida da pessoa, um assombro tão arrepiante que pode matar. O amor é para os destemidos, os que não temem as feridas, as sangrias, os desesperos, as travessias de uma noite em claro, em febre, em pranto, em ânsias&#8230;</p>
<p>     Ah, sim, é avassalador para os apaixonados! Estes sabem curtir o amor. Meu Deus, a paixão!&#8230; Que boa ela é! Que causas inflamadas ela já defendeu ao redor do mundo, ao longo da história! Mas quando se trata do amor, aquele, entre homem e mulher, Deus Pai!&#8230;Quando a paixão se instala e começa a dor de barriga, o tremor nas pernas, a secura na boca, o suor nas mãos – aí não tem volta. Mas só os apaixonados sabem que isso é avassalador.</p>
<p>     Sim, os vencedores no amor são os fortes. A frase é proverbial e incendiária. É preciso força para amar. Com o amor não se brinca. Com o amor não se pode jogar sujo. Com o amor é preciso ser honesto, correto, fiel, verdadeiro. Com o amor não se trapaceia, não se engana, não se posa de bobo. Os fortes sabem amar melhor que os fracos. </p>
<p>     Os vencedores no amor são os valentes, os que se arremessam sobre os moinhos de vento com suas lanças afiadas, com seus dardos cheios de ternura e de carinho, dispostos até a última gota de sangue. Estes são os vencedores no amor. Os que amam a pessoa amada incondicionalmente, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza; perto ou longe – não há distâncias para os fortes. Os fortes atravessam desertos e se fartam com a beleza das noites estreladas, com o frio e com o ar abrasador, quando se trata de buscar o amor.</p>
<p>     Sim, o amor é para os que sabem o que querem. E querem o que têm. Um professor de matemática do ginásio nos dizia: “é preciso lembrar que as coisas tidas já foram, um dia, desejadas”. Nós nos esquecemos fácil disso. Já desejamos ardentemente o que temos hoje. E é preciso ser grato. A Deus, em primeiro lugar. Ele é o Senhor da vida, de todas as coisas, de tudo o que nos é dado de graça. A Tua graça me basta, Senhor!</p>
<p>     Vencem no amor os que sabem o que querem e perseveram. Porque terão conquistado o que os outros perderam por terem desistido. Ganha o prêmio do primeiro lugar quem não desistiu. “Como você venceu a prova?” – “Eu apenas não desisti”. Talvez o amor não seja somente uma prova na qual se compete. Talvez o amor seja a mais dura de todas as provas – aquela que nos levará à felicidade completa. Ou não. É preciso arriscar a própria vida para saber. Para ter o que se quer; para querer o que se tem! O amor não é possuir coisas; ao contrário: é distribuí-las com alegria e bom senso.</p>
<p>     Sonhar um sonho a dois!&#8230; Deus Pai!&#8230; Quem não sonhou? É bom viver só? Há os que vivem solitários por opção e a estes admiro profundamente. Têm o meu respeito. A vida a um é duríssima e é preciso ser forte também para vivê-la. Aliás, a vida, qualquer que seja ela, nos pede força, sempre. É preciso ser forte, como é o sertanejo, antes de tudo.  </p>
<p>     Sonhar um sonho a dois e nunca desistir da busca de ser feliz. Isso é para gente louca, doida de pedra, é para criaturas que acreditam no sonho, na vida, na felicidade. Gente que sonha!&#8230; Gente que fica acordada para ver os astros, ouvi-los e falar com eles. Ora, direis, ouvir estrelas!&#8230; No entanto, estão ali, a postos, a dialogar com Aldebarã, até que surja a mais bela manhã.</p>
<p>     Estas coisas todas são para poucos? Pode ser. Na velocidade da comunicação, no mundo da informática, na frieza de alguns mecanismos que usamos hoje para nos comunicar, estes sonhos parecem pedaços de tijolo jogados num cimento frio e sem forma&#8230; Mas permanecem sonhos. Estão ali, para o primeiro sábio que passar. </p>
<p>     Sim, o amor é para os fortes. Se você é muito fraco, tome tento. Faça um exercício de enrijecimento do coração, antes de se lançar na louca aventura do amor. O amor é para os que não se escondem. É para os que não têm medo de aparecer, de se derramar nos sentimentos e na ternura. O amor é para os que vivem de dia e amam às claras. Se você precisa esconder o seu amor, não devia estar nele. Amor é algo para ser vivido com a embriaguez dos sentidos e isso só um forte pode fazer. Fracos não têm estômago para se embriagar. De amor.</p>
<p>     No amor, é preciso ser decidido. Por isso é difícil para os indecisos, para os que não têm certeza do que querem ou do que fazer com o amor dentro de suas almas. </p>
<p>     O amor é para os fortes. Para os corajosos. Para os que não temem se comprometer pelo resto da vida, quando estão certos dos seus sentimentos. É para os que se entregam, se despojam, partilham, convivem, cuidam, sofrem, choram, riem, sonham, amam. Tudo isso é ser forte. </p>
<p>     Sim, os vencedores no amor são os fortes. Seja lá quem foi que escreveu isso.</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional. É membro da Academia Piracicabana de Letras – marisabueloni@ig.com.br</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/o-amor-e-para-os-fortes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Louvor e graças</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/louvor-e-gracas/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/louvor-e-gracas/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 03:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=13625</guid>
		<description><![CDATA[As manhãs azuis deste setembro me fazem rezar ainda mais. Não tenho pressa, rezo com calma, medito e louvo. Dou graças quando há chuva e folhagens verdejantes; louvo ao Criador, também quando o cenário é a secura da estiagem. Os céus estão sobre nós, sobre esta humanidade que se esqueceu de Deus. O hedonismo é a religião das multidões e é preciso enterrar as leis do Senhor, antes que elas venham incomodar as consciências e estragar a festa. Não pode haver aridez maior.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Louvor-e-graças.JPG" alt="Louvor e graças" title="Louvor e graças" width="193" height="223" class="aligncenter size-full wp-image-13626" />Os dias estão secos como a secura dos que já não têm lágrimas para chorar. (Se estiver chovendo quando este texto for publicado, mais louvarei aos céus). Nesta aridez dos dias poeirentos, em meio à ventania dos meses seguintes a agosto, não deixo de louvar a Deus. Olho à minha volta e vejo cenas de desolação, a poeira acumulada nas folhas das árvores, a fuligem de cana que se entoca em toda parte, o gramado do condomínio definhando e pedindo chuva.</p>
<p>     Esta é a época da poeira por excelência. Tempo de poucas chuvas, tempo de economizar água. Contudo, o corpo – e creio que a alma também – clama pelo piso fresco e lavado nas varandas, nos quintais, nos locais onde se pode limpar com água. Para que tudo se refresque à luz do dia. Neste pequeno refrigério, celebro a criação, a natureza em sua condição mais difícil, que é suportar a seca.</p>
<p>     As manhãs azuis deste setembro me fazem rezar ainda mais. Não tenho pressa, rezo com calma, medito e louvo. Dou graças quando há chuva e folhagens verdejantes; louvo ao Criador, também quando o cenário é a secura da estiagem. Os céus estão sobre nós, sobre esta humanidade que se esqueceu de Deus. O hedonismo é a religião das multidões e é preciso enterrar as leis do Senhor, antes que elas venham incomodar as consciências e estragar a festa. Não pode haver aridez maior.</p>
<p>     O clima seco é a causa de muitos focos de incêndio e o planeta arde em algumas regiões, enquanto outras estão debaixo d´água. São os contrastes do clima, as mudanças drásticas que começam a inquietar. A baixa umidade do ar afeta a nossa respiração, o organismo precisa ser hidratado de alguma forma e as queimadas nas cidades canavieiras deveriam ser imediatamente suspensas quando a situação é crítica. </p>
<p>     No campo, a contemplação da paisagem pede paciência. Sobretudo quando se trafega de carro por uma estradinha de terra e à nossa frente vai um caminhão de cana. Dá para louvar? Uma nuvem de poeira nos encobre, fazendo-nos tossir. Tenta-se ultrapassar o veículo enorme, mas pouco se enxerga com o pó à nossa volta.</p>
<p>     Praguejar é contra os princípios do coração que busca o louvor a todo custo, aconteça o que acontecer. Então, paciência. Minha mãe dizia que a paciência “é tudo nesta vida”. Com a poeira, a respiração se torna difícil, melhor diminuir a marcha, ficar distante do caminhão, até que a nuvem se desfaça. E então, um turbilhão de pensamentos e raciocínios se forma na mente atordoada. O desmatamento criminoso da floresta amazônica pode interferir nas correntes climáticas, alterando o ciclo das chuvas na região sul e sudeste do país. A causa desta secura é a ação humana, é a ganância do homem que danifica e destrói. O Criador fez tudo perfeito, para que os dons da natureza sejam usufruídos com sabedoria. </p>
<p>     E assim, o coração se acalma e volta a louvar, a agradecer pelo que ainda existe de verde e de belo aos nossos olhos. Louvor e graças sejam dados ao Pai Criador em todo momento, pela água que ainda existe e mata a sede do planeta, pela chuva benfazeja que há de chegar, suficiente  para irrigar a terra, na bênção da sua estação. Uma alma agradecida nunca deixa de dar graças, em todo momento, para a maior glória do Criador.</p>
<p>     Ainda que a paisagem se deforme na opacidade turva da poeira, podemos procurar pela beleza oculta que subsiste, apesar da fúria com que o meio ambiente vem sendo depredado. Então, os oceanos parecem já não se conter nos seus limites, ameaçando invadir as cidades. Os ventos se agitam de forma assustadora. Os terremotos causam um  pânico terrível, sobretudo quando há riscos de tsunamis. E o homem se assusta com o bramido das ondas do mar. Ninguém se sente seguro, em parte alguma.</p>
<p>     Este tempo nos enche de presságios. É como se um aviso divino estivesse suspenso no ar. O céu nos protege de uma catástrofe anunciada, profeticamente aterradora. A mão de Deus paira sobre os quatro elementos e os domina com absoluta perfeição. À noite, as estrelas se acendem para lembrar que os luzeiros do firmamento estão a postos, as tochas dos anjos nos guiarão, aconteça o que acontecer.</p>
<p>     E assim, um canto ecoa pelos ares, para que se louve e se cante no topo das colinas e das montanhas, do alto dos telhados. Que toda a Terra exulte e dê glórias ao Senhor. As aves do céu cantam em louvor ao Pai que as alimenta. As cordilheiras reverberam a glória divina em toda a majestade. E um coração pequenino, que mal pode se ajoelhar, se comprime em sua miséria terrena, erguendo os braços timidamente para Deus, o Senhor dos exércitos.</p>
<p>     E então, ouve-se o tropel dos cavalos. O som apocalíptico das trombetas, o arfar das asas dos anjos, derramando suas taças transbordantes do incenso purificador. O comboio celeste está a caminho. A Terra se abrasa e a purificação dos elementos faz sair fumaça pelos poros das rochas. A profecia se cumpre em todo o seu esplendor. Ah, que espera maravilhosa! Nossa Senhora está dizendo nas últimas mensagens: <em>“Tende paciência e rezai, rezai, rezai”</em>. Que privilégio para os que testemunham este momento bíblico e histórico.</p>
<p>     Louvor e glórias a Vós, ó Senhor do Universo.</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni </strong>mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/louvor-e-gracas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Panelas brilhando</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/panelas-brilhando/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/panelas-brilhando/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 13 Sep 2011 03:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=13445</guid>
		<description><![CDATA[Eu nunca quis que minhas panelas brilhassem... Uma vez, uma empregada chamou minha atenção: “as panelas da senhora não brilham, dona Marisa”. E daí? Respondi que li uma matéria recomendando não polir o alumínio, para deixá-lo opaco mesmo, porque alumínio polido faz mal à saúde... E era verdade, eu li o artigo. Mas, com ele ou não na cabeça, nunca liguei para brilho de panelas. Eu também sempre tive mais o que fazer...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Panelas.jpg" alt="Panelas" title="Panelas" width="201" height="251" class="aligncenter size-full wp-image-13446" />Ai. Agora a coisa pegou de vez. Mexeu lá no fundo, sabe? Recebi um e-mail de uma amiga que adoro. (Adélia, é você mesma, paranaense lindona! Escritora talentosa!). Então, o e-mail é uma glória. Sobretudo para aquele tipo de mulher escrava da casa, maníaca por limpeza, coisa que vira doença braba. E mata. Morreu do quê? De raiva seca.</p>
<p>Deus Pai! O título diz: <em>“Não deixe suas panelas brilharem mais que você!”</em> – ó, por favor, não deixe, não deixe, não deixe! Também pode ter cuecas lendo este texto, tipo “dono de casa”. Quanto lindo morando sozinho, fazendo faxina, cozinhando, lavando e passando, estou certa? Pois então, belo, brilhe, vista sua bermuda jeans, sua camiseta polo, seu tênis adorado e vá passear com o Rex. Lembre de levar o saquinho e a pazinha, viu?</p>
<p>Eu nunca quis que minhas panelas brilhassem&#8230; Uma vez, uma empregada chamou minha atenção: <em>“as panelas da senhora não brilham, dona Marisa”</em>. E daí? Respondi que li uma matéria recomendando não polir o alumínio, para deixá-lo opaco mesmo, porque alumínio polido faz mal à saúde&#8230; E era verdade, eu li o artigo. Mas, com ele ou não na cabeça, nunca liguei para brilho de panelas. Eu também sempre tive mais o que fazer&#8230;</p>
<p>Mas, ela deu uma &#8220;areada&#8221; legal nelas e pronto. A casa eu mantenho limpa e asseada na medida do possível. Minha coluna não permite que eu vá além. Deixo o mais pesado para a faxineira, meu anjo da guarda que vem toda terça. E toco a vida&#8230; </p>
<p>Bom, então, o texto bate duro na nossa mania de querer os móveis limpos todos os dias: <em>“Pense que a camada de pó vai proteger a madeira que está por debaixo dela”</em>. Aqui eu preciso dar a minha risadinha. Hi hi hi&#8230; Se isso for mesmo verdade, Deus sabe o que faz e vamos todos dormir com a nossa consciência tranquila. Teremos nossos adorados móveis por muitos anos. Obrigada, Senhor!</p>
<p>Logo a seguir, vem uma frase destas que a gente ama de paixão: <em>“Uma casa só vai virar um lar quando você for capaz de escrever `Eu te amo´ sobre os móveis.” </em></p>
<p>Prosseguindo. Aí, vem uma argumentação meio longa, defendendo o seguinte: raramente alguém aparece “de repente” na nossa casa; que enquanto estamos nos esfolando para manter tudo limpo, tem gente lá fora passeando, se divertindo e aproveitando a vida. E daí se aparecer uma visita? Você vai morrer por causa disso? Nananinanão. Não temos de dar explicações da situação da nossa casa para ninguém. Adorei. Ainda mais eu que sou dura na queda.</p>
<p>A frase seguinte é:<em> “As pessoas não estão interessadas em saber o que eu fiquei fazendo o dia todo, enquanto elas passeavam, se divertiam e aproveitavam a vida&#8230; Caso você não tenha percebido, A VIDA É CURTA, APROVEITE-A!!! Tire o pó se precisar!”</em>.</p>
<p>Sim, este “se precisar” está assim, sublinhado. Sinto uma coerência filosófica e dialética nisso tudo, sabe? De fato, se não for preciso, para que tirar o pó dos móveis? Lembro-me de um texto lindo, de um padre amigo meu, mineiro, já falecido. Ele discorria sobre as qualidades e atribuições de uma dona de casa. E aludia justamente a isso: à camada de pó diária sobre os móveis. A mulher vai lá, pega um pano e limpa. Todo santo dia. A roupa que tem de ser lavada e passada; o sagrado almoço da família; as camas arrumadas, o chão varrido, tudo em ordem. </p>
<p>Por isso algumas se revoltam quando lhes perguntam: a senhora trabalha? </p>
<p>Em seguida, uma frase indagadora: <em>“Não seria melhor pintar um quadro ou escrever uma carta, dar um passeio ou visitar um amigo, assar um bolo e lamber a colher suja de massa, plantar e regar umas sementinhas? Pese muito bem a diferença entre QUERER E PRECISAR. Tire o pó se precisar”.</em></p>
<p>Fico pensando em quem escreveu este texto e o ilustrou lindamente, com figurinhas graciosas de mulherinhas conformadas, ou bravinhas, com espanadores e baldes nas mãos. Sabe que um texto desta natureza pode salvar uma vida? O mundo tá assim de gente doente atrás da limpeza da casa. Vão morrer limpando. Minha mãe dizia: <em>“A gente vai e a casa fica”</em>. Fica para alguém ir lá e continuar esfregando&#8230;</p>
<p>A mensagem do e-mail prossegue, lembrando que lá fora há um lindo sol brilhando ou flocos de neve caindo&#8230; O vento agitando os cabelos&#8230; Os pingos da chuva, mansos&#8230; E que este dia não voltará jamais. E vem o conselho de novo, aos berros: <em>“Tire o pó se precisar!”</em>.</p>
<p>Mas a frase arrepiante vem agora. Temos de lembrar que, quando envelhecemos, não conseguimos fazer muita coisa como antes. É pura verdade. Vem o desfecho fatal: <em>“E quando você partir, como todos nós partiremos um dia, também vai virar pó!!!”</em> – caramba, essa gente que põe texto na internet entende um pouco de tudo, fala sério.</p>
<p>Então, surge algo proverbial: <em>“Ninguém vai se lembrar de quantas contas você pagou, nem de sua casa tão limpinha, mas vão se lembrar de sua amizade, de sua alegria e do que você ensinou”</em>. Bingo! De fato, ali, à beira do caixão, nunca ouvimos ninguém dizer: <em>“Era uma mulher e tanto. As panelas sempre brilhando e tirava o pó como ninguém”</em>. Melhor se divertir e sair cantando na chuva como Gene Kelly?</p>
<p>Por fim, a conclusão de tudo: <em>“Afinal, não é o que você juntou, e sim o que você espalhou que reflete como você viveu a sua vida”.</em> Lapidar e mortal. Esse é o caminho. Espalhar algo para a posteridade. Nos meus pobres textos, quero tocar o coração do leitor. Quero levar o encantamento, o sonho. Eu sonho feito besta o tempo todo, me perdoe. Não largo dele. Ó, sonho!&#8230; Prefiro ficar quietinha, sonhando, do que tirar o pó&#8230; E não tem problema se minhas panelas não brilham&#8230; Hi hi hi&#8230;</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni </strong>mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/panelas-brilhando/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Obra de arte</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/obra-de-arte/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/obra-de-arte/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2011 03:02:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=13077</guid>
		<description><![CDATA[Uma obra de arte tem de ser perfeita. Ou não? Uma vez li um texto belíssimo, com a seguinte conclusão: nada está acabado, tudo está por concluir. Não existe questão fechada. Mesmo uma obra de arte poderia ser retocada, se fosse o caso... Um quadro, uma pintura pode ser modificada com uma leve pincelada... Mais luz aqui... Mais sombra ali... Tudo conspira à universalidade. E neste conceito de latência universal, tudo está aberto e em pleno andamento. Teilhard de Chardin, grande filósofo e teólogo, ficou conhecido por sua tese de que a Criação ainda está se realizando, dia a dia. Haveria uma constante e profunda revolução ocorrendo no cosmo. E quando penso nisso, sei que todos nós – eu e você, meu anjo – estamos também nos “processando”, nesta feitura diária de todas as coisas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Obra-de-arte.JPG" alt="Obra de arte" title="Obra de arte" width="250" height="202" class="aligncenter size-full wp-image-13078" />Pegou-me, especialmente, a tal da obra de arte. “Pegou-me” é muito feio, literariamente falando. Ou escrevendo. Diria que a coisa anda me inquietando, sobretudo à noite, que é quando minha alma vaga pelos rumos insondáveis do pensamento e do assombro.</p>
<p>     Tenho mais tempo para mim agora, sem os 1.200 m2 de chão para cuidar, zelar, manter maravilhoso. Agora, numa casinha menor e mais prática, ouço música. Leio. Rezo. Medito. Vejo filmes – ah, Deus Pai, ver um bom filme na tevê, deitada quietinha no sofá. Esta semana, revi <strong>“As pontes de Madison”</strong>. Acho Merryl Streep uma grande atriz e presto atenção nos diálogos – que são delicados e perfeitos. </p>
<p>     Uma obra de arte tem de ser perfeita. Ou não? Uma vez li um texto belíssimo, com a seguinte conclusão: nada está acabado, tudo está por concluir. Não existe questão fechada. Mesmo uma obra de arte poderia ser retocada, se fosse o caso&#8230; Um quadro, uma pintura pode ser modificada com uma leve pincelada&#8230; Mais luz aqui&#8230; Mais sombra ali&#8230; </p>
<p>     Tudo conspira à universalidade. E neste conceito de latência universal, tudo está aberto e em pleno andamento. Teilhard de Chardin, grande filósofo e teólogo, ficou conhecido por sua tese de que a Criação ainda está se realizando, dia a dia. Haveria uma constante e profunda revolução ocorrendo no cosmo. E quando penso nisso, sei que todos nós – eu e você, meu anjo – estamos também nos “processando”, nesta feitura diária de todas as coisas.</p>
<p>     Ó, todas as coisas! Que impressão me causam! Estariam latentes e belas, aqui e ali, o tempo todo, sem que as vejamos? E isso é doloroso, a partir do momento em que nascemos. Queremos tomar posse de tudo – estou certa? No entanto, nada nos pertence. Tudo vem do Criador do céu e da terra. </p>
<p>     Dia destes, numa situação complicadíssima, ouvi isso: <em>“A gente nasce peladinho e limpinho; e é assim, limpinhos, que temos de voltar para o Pai”</em>. Penso dia e noite nesta “limpeza”. Como é ser limpo de corpo e de alma, meu Deus? Como a gente se suja, às vezes, com um simples pensamento; com um julgamento indevido; com a poluição terrível do mundo à nossa volta!</p>
<p>     Na universalidade de tudo o que está por concluir, incluo a minha tal obra de arte. Pobre de mim! Assim, dou a mim mesma a merecida trégua. Abandono a sofreguidão de perseguir esta massa etérea e absolutamente abstrata que jamais executarei com minhas próprias mãos. Quieta, Marisa. Sossega, leão! </p>
<p>     Que bom. Não preciso mais me preocupar. Se tudo ainda está em curso – a Criação também – eu vou relaxar um pouco na minha cadeira de tomar sol lá no terraço e deixar a vida me levar, feito o Zeca Pagodinho. Vai a risadinha? Hi hi hi&#8230;</p>
<p>     Sossegai todos vós. Há coisas que podemos e devemos fazer, porque compete a nós tão somente, e é imperioso tomar determinadas decisões. Cada um sabe quais são e que peso elas têm. No entanto, quedo-me ante a perplexidade do que não se tem como mudar, transformar, restando admitir nossa pequenez diante da Criação e do universo. </p>
<p>     Uma obra de arte. Não vou mais persegui-la. Vou pegar meu terço e rezar. Se o ofereço às almas do Purgatório, darei alívio a elas. Se o ofereço pela paz do mundo, posso deter um conflito tribal na África e impedir um banho de sangue. Se o ofereço para os doentes e para os que sofrem, talvez, quem sabe, alguém alcance a cura tão almejada&#8230;</p>
<p>     Conheço o poder da oração, pois já o provei em mim mesma. Sei do valor do rosário, da santa missa, das penitências, dos oferecimentos – em circunstâncias em que nada mais teria efeito. Às vezes, uma imposição de mãos feita com fé apostólica pode curar mais do que remédios e tratamentos caríssimos.</p>
<p>     Ah, quanta gente doente há no mundo, meu Deus! Quantas mulheres andando de turbante, por causa da quimioterapia! Quantos sofredores com os olhos injetados de pranto, e de outras coisas, buscando alívio para suas penas. E quando padre Edvaldo passa em meio ao povo, elevando o Santíssimo Sacramento, preciso me segurar no banco para não levitar.</p>
<p>     Sossega, pobre peito. Deixa as florzinhas brotarem da terra. Deixa o sol nascer todos os dias. Um dia de cada vez. Deixa teu físico se recuperar de todas as cirurgias. Deixa a respiração taoista fluir nos pulmões, no sangue, nas vértebras. Que teu coração ame cada vez mais e teu corpo se encha de saúde e de paz. Uma obra de arte. Amém.</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/obra-de-arte/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Oi, Vicente!</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/oi-vicente/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/oi-vicente/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 03:02:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=12941</guid>
		<description><![CDATA[Um leitor gentil, de nome (ou pseudônimo?) Vicente postou no meu texto da Pantera. (...) Eu sou especialista nos anos 60/70. Você também é, Vicente? Sabe, cara, havia uma beleza escondida dentro das pantalonas coloridas com que a gente ia à faculdade, descendo a rua ali pelas 7 da noite, vendo a lua no céu, com um incêndio dentro do peito. A gente pegava fogo. Havia um som agudíssimo de uma guitarra saindo do chaveiro de couro que ganhei de um amigo, na época, com o qual fiz um colar lindo, arranjei as tiras no mesmo tom curtido para colocar em volta do pescoço. Ninguém tinha igual. E eu me sentia a Janis Joplin de Pira.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Angústia1.JPG" alt="Angústia" title="Angústia" width="213" height="220" class="aligncenter size-full wp-image-12944" />Um leitor gentil, de nome (ou pseudônimo?) Vicente postou no meu texto da Pantera, com as seguintes palavras: <em>“Não gostei, mas depois de um texto assim, você logo se supera, e vai criar uma nova obra de arte”</em>.</p>
<p>     E agora, José? E agora, Vicente? Como é que a gente escreve uma “obra de arte”? Estou aqui, tentando criar algo arrebatador, coisa de rasgar o coração, de disputar o Nobel de Literatura e deixar todo mundo com os olhos rasos d´água de tanta beleza. E meu esforço, debalde, se esvai.</p>
<p>     Não sei se são os tempos, Vicente. Se é a vida mesma, se é esta matéria da qual somos feitos, mas há uma incógnita no ar, há algo pairando sobre nossas cabeças, e isso traz uma inquietação absurda. Nunca me senti assim, tão à espera de algo. Vai acontecer? Não sei. Mas meu peito pressente a agonia. E esta sensação é mortal.</p>
<p>     Sabe, Vicente, continuo atrás da beleza. E você, cara? Tenho-a visto por aí, quando começo a entender que esta beleza nem está à minha volta, do lado exterior, e sim dentro de mim – porque depende sempre de como a vejo. E eu a vejo tão bela, Vicente!</p>
<p>     O que é belo para mim pode não ser para outrem. Vicente, eu estou tentando caprichar, veja só. “Outrem”. Ai, cara, você me inspira muito. Então, a pantera não mexeu com você? Tá certo, meu anjo. Vamos combinar o seguinte. Eu não escrevo mais sobre ela. Aliás, o assunto se encerrou. Se eu citar a bichinha outra vez, será porque algo de novo aconteceu. Ela bota pra quebrar, como se dizia nos anos 70.</p>
<p>     Eu sou especialista nos anos 60/70. Você também é, Vicente? Sabe, cara, havia uma beleza escondida dentro das pantalonas coloridas com que a gente ia à faculdade, descendo a rua ali pelas 7 da noite, vendo a lua no céu, com um incêndio dentro do peito. A gente pegava fogo. Havia um som agudíssimo de uma guitarra saindo do chaveiro de couro que ganhei de um amigo, na época, com o qual fiz um colar lindo, arranjei as tiras no mesmo tom curtido para colocar em volta do pescoço. Ninguém tinha igual. E eu me sentia a Janis Joplin de Pira. </p>
<p>     As margaridas, eu mesma pintava nas minhas blusas. Ainda faço o sinal de “paz e amor” com os dois dedos, indicador e médio. Outro dia, ao terminar a baliza, eu fiz o sinal para o cara que esperou, numa fila de carros, atrás de mim. Ao passar com o carrão, ele disse: <em>“Vai te catar!&#8230;”</em>. Não entendi. Achei de uma grosseria imensa. Eu agradecendo e ele me xingando, pode?</p>
<p>     A rua era a pior possível, Vicente. Estacionamento permitido só do lado direito. Então, a fila de carros ia passando à esquerda e é uma áfrica fazer uma baliza num local destes. Para meu azar, havia um carro estacionado do outro lado &#8211; proibido, claro &#8211; e então, a fila de carros se espremia para fluir. E eu ali, fazendo minha baliza, e olha que sou um cisco para isso. Três cirurgias de coluna não me tiraram a destreza, a rapidez nas manobras, a precisão cirúrgica com que coloco meu santo Palio em qualquer vaga da vida.</p>
<p>     Vaga da vida é ótimo, né, Vicente? Eu amo esta expressão. Porque acho que tem um lugarzinho para todos nós nela. Uns encontram um puta dum espaço para estacionar seus desejos e sonhos; outros, coitadinhos, se apertam como podem, sofrem, lutam&#8230; E há os que nem vaga encontram&#8230; Que mundo injusto o nosso, fala sério.</p>
<p>     Sabe, Vicente, estou desconfiada de que vou ficar te devendo um texto mais artístico. Mais refinado. Cara, não é todo dia que pinta algo desta magnitude. E eu sou fraquinha para escrever obras de arte. Luto com as palavras. Pego-as a foice, é um embate colossal. Quero escrever “tílburi”, “roldana”, “amálgama”, “inconsútil”. Mas é preciso haver todo um contexto. E a beleza? Onde a pomos, meu anjo?</p>
<p>     Ah, Vicente, se você soubesse!&#8230; Se você entrasse só um pouquinho na minha alma, para saber como me sinto agora, escrevendo para você e tentando me desculpar por não ter conseguido te dar de presente a “obra de arte” que você tanto queria. Fico aqui, me concentrando diante do computador e pedindo ajuda aos meus anjos.</p>
<p>     Você acredita em anjos, Vicente? Eu acredito. Demais. Você não tem noção do que o meu Anjo faz por mim. Tem horas que fico passada e acho até que nem mereço. O Céu é de uma doçura, cara, de uma gentileza tocante, comovente. Mas a maioria das pessoas nem liga, nem vê. Sabe o sol que seca a nossa roupa no varal? Então. E as estrelas profundas nas noites escuras? Ah, Deus Pai!&#8230; E a água, cara! A água!!! E ainda a desperdiçam. A água vai acabar. Vão gastando, vão, vão tratando a água como algo sem importância, vão! O mundo vai chorar por um copo de água!</p>
<p>     Eu fecho a torneira enquanto escovo os dentes. Você também faz isso, Vicente? E aqui em Pira, lutamos feito uns doidos contra o famoso “carvãozinho de cana”. É uma praga. Nem na Somália, nem em Bangladesh, nem na Etiópia se queima cana, tenho certeza. Aqui, por uns seis ou sete meses, ficamos sob essa chuva encardida de fuligem. Aí, varrer não dá, os ciscos voam pra todo lado; passar um pano molhado piora tudo, o chão fica uma meleca; o jeito é pegar a mangueira e lavar. Às vezes, essa prática tem de ser diária. Eu lavo o chão pedindo perdão a Deus.</p>
<p>     Consta que uma mocinha muito santa, lavando o carro da mãe na calçada da casa, teve uma visão. Sentiu algo muito forte. Viu um Anjo lindo que lhe disse: <em>“Um dia, vocês vão se arrepender muito de ter usado a água desta maneira&#8230;”</em>. Depois disso, bato aquela aguinha bem rápida, sabe? Morro de medo da ira divina. Tenho temor de Deus, Vicente! Já pensou a gente sem água, cara? </p>
<p>     Bom, chega de papo furado. Se bem que escrever um pouco sobre o uso racional da água não é exatamente um assunto irrelevante, né? Vicente, eu bem que tentei. Irrelevante. Outrem. Amálgama. Fico te devendo. Aguarde. Um dia sai.</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni</strong> mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/oi-vicente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Pantera Cor-de-Rosa</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/a-pantera-cor-de-rosa/</link>
		<comments>http://www.debatesculturais.com.br/a-pantera-cor-de-rosa/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 03:01:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marisa Bueloni</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marisa Bueloni]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.debatesculturais.com.br/?p=12808</guid>
		<description><![CDATA[Tenho uma camiseta preta, de lycra, estilo regata, com a cara da Pantera Cor-de-Rosa bordada bem na frente, em pedrinhas delicadas e que brilham mais delicadamente ainda. A camiseta é um arraso de criatividade e beleza e, quando surto, eu a visto. Para causar. Vou contar a história desta camiseta, porque ela é digna de registro. Se achar meu relato muito besta ou tolo, peço desculpas. Às vezes, a cronista sente uma necessidade vital de contar uma barbaridade destas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Pantera-Cor-de-Rosa.jpg" alt="Pantera Cor-de-Rosa" title="Pantera Cor-de-Rosa" width="234" height="215" class="aligncenter size-full wp-image-12809" />Tenho uma camiseta preta, de lycra, estilo regata, com a cara da Pantera Cor-de-Rosa bordada bem na frente, em pedrinhas delicadas e que brilham mais delicadamente ainda. A camiseta é um arraso de criatividade e beleza e, quando surto, eu a visto. Para causar.</p>
<p>     Vou contar a história desta camiseta, porque ela é digna de registro. Se achar meu relato muito besta ou tolo, peço desculpas. Às vezes, a cronista sente uma necessidade vital de contar uma barbaridade destas.</p>
<p>     Tenho uma sobrinha querida que mora em Sampa (um doce de criatura, e que tem roupa pra mais de metro). “Pra mais de metro” é uma medida de quantidade criada aqui em Pira, cidade de um linguajar refinado e das expressões inacreditáveis.Posso dizer que, quando saio com a tal blusa da Pantera, me sinto “chique no úrtimo”. </p>
<p>     Bom, esta sobrinha tem um belo guarda-roupa, não porque seja consumista ou algo do gênero. Calha que ela acaba ganhando muito, ou compra e não usa e – o principal – tem roupas de monte compradas e enviadas pela mãe que mora no interior e acredita que São Paulo carece de shoppings, claro. É cuidado de mãe. Vê isso, vê aquilo, compra, manda pra filha e nem sempre é do agrado de quem ganha&#8230; As peças vão se acumulando.</p>
<p>     De tempos em tempos, minha sobrinha se vê na contingência de “desafogar” os armários. Oba! Pega as peças que não usa, ou que ganhou e não gostou, enfim, você sabe, põe tudo numa sacola imensa e manda para cá. Ai, que festa sem fim! A gente vê o quê serve para quem, vai repartindo, e ainda sobra para oferecer às nossas empregadas e demais funcionárias. Eis que numa das sacolas lotadas de roupas lindas &#8211; algumas ainda com a etiqueta – havia a camiseta da Pantera Cor-de-Rosa.</p>
<p>     Neste dia, especialmente, eu estava junto com minhas duas filhas. A mais nova olhou bem, inspecionou de alto a baixo. <em>“Aonde a gente vai usar isso?”</em>. A mais velha concordou. <em>“É difícil de combinar&#8230; Só se for à noite&#8230; E olhe lá”.</em> E eu bem quietinha, torcendo para que detestassem a peça, porque eu me apaixonei por ela tão logo a vi.</p>
<p>     Então, fiquei com a camiseta da Pantera.</p>
<p>    <em> &#8211; Mãe!&#8230; Não acredito que você vai usar isso&#8230;<br />
     &#8211; Vou, a camiseta é linda. Vocês é que não pegaram o espírito da coisa&#8230;<br />
     &#8211; Que espírito o quê, mãe!&#8230;<br />
     &#8211; O que ela tem de errado, me digam?<br />
     &#8211; Mãe, essa Pantera bordada, as pedrarias&#8230;<br />
     &#8211; Se não fosse isso, que graça teria, filhas?<br />
     &#8211; Mãe!&#8230;<br />
     &#8211; Me dá aqui essa maravilha que eu sei o que fazer com ela.</em></p>
<p>     E contrariando minhas doces meninas, que não saberiam onde ou como usar “aquilo”, eu me esbaldo de usar e de fazer as pessoas virarem a cabeça. Hi hi hi&#8230; O risinho maroto cabe perfeitamente aqui, me perdoe. Fica quieto aí, você não sabe de nada, cara. Sabe a cena clássica de quem fica te olhando, vai virando a cabeça, andando, sem ver o poste à frente? Pois é.</p>
<p>     Ai, misericórdia.<em>“Você está bem,moço?” – “Estou.Bonita a pantera&#8230;”</em>. Eu me divirto loucamente com ela. Eu sei, cara, ela olha para todos com aquele ar de quem está eternamente contracenando com Peter Sellers, no filme que imortalizou a ambos.</p>
<p>     Um dia, fui fazer acupuntura e a usei com um jeans. A secretária ficou encantada. Fez perguntas e eu sempre explicando que ganhei de uma sobrinha de São Paulo. Eu falei: <em>&#8220;Como eu ando surtando&#8230; resolvi usar esta camiseta com a cara da Pantera&#8230;.&#8221;</em> &#8211; ela se matou de rir. </p>
<p>     Aonde vou com a camiseta é uma festa! Para gente para olhar de perto. E agora, no frio, uso-a com uma blusa fininha, tipo segunda pele, preta, por baixo. Ponho calça jeans e botas pretas. Dá um visual lindo. Eu sou loira, cabelos longos, meço 1,65m e peso 60 quilos. Ninguém perguntou, eu sei. Mas eu quero contar e pronto. </p>
<p>     Então, o visual fica bonito. Quem aparece é a Pantera. Ela é a sensação. Ela faz alguém olhar duas vezes para a blusa. Já vi gente cochichando e apontando para ela. A cara engraçada dela está bordada em tamanho grande, ocupando quase toda a metade de baixo da blusa, em pedrinhas cor-de-rosa, os olhos pretos e aquele ar blasé da Pantera mais famosa de Hollywood. Têm as orelhas da pantera, os bigodes de pedrinhas pretas, bordados sobre a cara rosada.</p>
<p>     Quem é que bordou essa pantera, por favor? Apresente-se, quero dar-lhe os parabéns, minha bordadeira talentosa e criativa. Deve ser uma mulher, claro, pela paciência e capricho. A Pantera da minha camiseta tem vida própria. Brilha por si mesma. Brilha nas continhas quadradinhas que fazem surgir a cara de um dos mais queridos personagens do cinema.</p>
<p>     Noite destas, um amigo querido me convidou para uma pizza e um vinho. Lá fomos nós e eu fui de Pantera Cor-de Rosa. O local é um dos mais legais aqui de Pira, com uma bela área externa ao ar livre, onde pessoas lindas costumam se reunir. Noite de quarta-feira. Ao me vestir, comecei a ouvir os acordes inconfundíveis. Paranparan paran paranparanparan paranparan&#8230; Cantou aí? Tenho certeza que sim!</p>
<p>     Lá foi a Pantera comigo. Noite meio fria, usei com a segunda pele preta por baixo, jeans, botas de camurça, de salto baixo e cano alto, bolsa preta, batom pink, para combinar com o tom rosa da Pantera. Eu vou pra Maracangalha/ eu vou&#8230; E fui. Desci do carro e meu amigo veio ao meu encontro. Antes de olhar para mim, olhou para ela. Ela me rouba todas as cenas. Tem entrada triunfal, sempre.</p>
<p>     Adentramos o bar maravilhoso e vou notando os olhares, vou desfilando a Pantera, na minha. Ela na dela. Paranparan&#8230; Um garçom se aproxima e vejo que ele arrisca um olhar para ela. Sim, cara, é ela mesma. Peter Sellers, salve! Farei um brinde especial a você!</p>
<p>     Agora conta aí, vai, meu lindo e minha linda. O que você veste quando surta? Qual sua peça preferida? Você tem alguma para causar também? O que te faz sentir um espécime raro e especial, pisando o solo desta mãe gentil?</p>
<p>     Hi hi hi&#8230; Ainda não tomei o fogo homérico, mas sublimo o desejo e a vontade toda vez que saio vestida com a Pantera. Paranparan&#8230;</p>
<p>     Que assunto mais reles, hein? Fala sério. Me perdoa, vai. No entanto, bem ou mal, chegamos &#8211; você e eu – até aqui. Viva!</p>
<p><em>*<strong>Marisa Bueloni </strong>mora em Piracicaba, SP. Formada em Pedagogia e Orientação Educacional – marisabueloni@ig.com.br</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.debatesculturais.com.br/a-pantera-cor-de-rosa/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

