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Lasana Lukata

Igreja Internacional da Garça

Uma garça frustrada no mundo secular, precisando de alimento, sem coragem de trabalhar e sabendo que uma multidão de peixes aguardava o arrebatamento, disse de si para si: vou abrir uma portinha. Abrir uma portinha é fundar uma igreja. Fala-se em abrir uma portinha como quem abre birosca. Abriu: Igreja Internacional da Garça. Sabia ela que a cidade não se emendava e os peixes estavam cansados de esperar que aquela parte do rio ficasse limpa.
Lasana Lukata

Pagliarin e a Língua Portuguesa

Eloquência é uma coisa, sabedoria é outra. Aquela é veículo desta, mas com eloquência podemos veicular as maiores bobagens. E aqui um novo problema, há os que veiculam por ignorância, no sentido de não saber mesmo, e os que veiculam deliberadamente. Com estes últimos cuidado maior, são homens preparados que querem um resultado, torcem a Palavra de Deus inclusive por vaidade. O que me parece não ter sido a intenção de Juanribe Pagliarin no caso em apreço.
Lasana Lukata

Rodas emperradas

A Bíblia relata em Êxodo 14:30 que Israel viu os egípcios mortos na praia do mar, mas Deus não chamou almas para ficarem emperradas, olhando egípcios mortos na praia do mar. Melhor seria imitar crianças com hábitos de catarem conchinhas na praia para levar e não andar com um egípcio morto embaixo do braço e pior, levando-o na mente, emperrando a roda da vida. Uma roda presa. Quando os israelitas viram aquela multidão de rodas girando para o lado deles, temeram, sem saber que quando se avista muitas rodas girando simboliza uma tristeza seguida de alegria, e foi o que aconteceu, temeram, ficaram tristes ao perceber as rodas, mas quando foram emperrando e o mar se fechando sobre elas, veio uma tão grande alegria que Miriam cantou e dançou na presença de Deus.
Lasana Lukata

A emoção nos peitos de Olenka

João Emanuel Carneiro teve uma visão reducionista da classe C, em especial da mulher. Em Avenida Brasil, Olenka foi mulher sem criatividade, principal atributo do povo brasileiro, porque vai buscar socorro na razão, no raciocínio lógico para resolver o problema emocional de Adauto “Chupetinha”. João Emanuel Carneiro dá uma fala para Olenka, um surrado sofisma de que “se você não acabar com a chupeta, a chupeta acaba com você”, clichê do “Se o Brasil não acabar com a saúva, a saúva acaba com o Brasil”, como se a razão pudesse dar conta de uma vontade de mais de vinte anos.
Lasana Lukata

Fanini, Juanribe Pagliarin, Guilhermino Cunha e Cia.

Sei que esses pastores e reverendos vão para as rádios com as melhores intenções possíveis, mas meu Deus, assim acabam é entortando em vez de aplainar... Não podem ficar trazendo teses prontas para dentro do texto, é preciso respeitar o que o texto está dizendo. É de dentro para fora e não de fora para dentro. Como já disse alguém importante por aí, a obra é aberta, mas não é escancarada. O normal é ver a cena de um pastor desenganchando ovelhas com o seu cajado do precipício, mas há dias em que pastores também caem no precipício e precisam de alguém que os tire de lá.
Lasana Lukata

De mãos vazias

Meu radinho de pilha fica direto na estação de rádio Metropolitana porque aos domingos há o Programa Debates Culturais, que tem uma revista homônima e na qual escrevo minhas crônicas. Tendo o relógio parado de funcionar, a televisão queimado, para saber a hora liguei o radinho e dei com uma história conhecida sobre Frederick Nolan. Era um pastor de uma igreja batista falando sobre Nolan. Na internet há outras versões da história de Frederick Nolan, por exemplo, o pastor João Soares da Fonseca disse que Nolan estava sendo perseguido por um grupo de fanáticos. Na versão mais antiga não fala fanáticos, mas um capitão e seus soldados.
Lasana Lukata

Jato sólido

No esguicho da mangueira de apagar incêndios, usada pelos bombeiros, há o jato sólido, a neblina de alta e a neblina de baixa. Há muita gente com o salário em neblina de baixa. O Bolsa Família é uma neblina de baixa se comparado não aos governos anteriores, mas ao volume de riqueza que entra no país. Só um jato sólido acabaria com a miséria.
Lasana Lukata

Tony Maneiro: O vampiro de Meriti

No dia 21 de março é o Dia Internacional da Poesia. Quando escrevo crônicas o leitor já deve ter notado que o meu estilo é o de capinar um terreno sentado; na linguagem do boxe, eu seria aquele lutador que vai jabeando durante a luta para no final soltar a bomba, o tão esperado cruzado de direita. Sou destro. (...) Na literatura também há os mortos que se alimentam dos vivos, por exemplo, no excelente romance de Adonias Filho, “Os servos da Morte”, a personagem Elisa que tanto sofreu nas mãos do marido, jura vingança, e ela entre os muitos filhos que teve, dá à luz um filho cujo nome era Ângelo e é através dele que ela, já morta, vai se vingar.
Lasana Lukata

Governo rosa: uma anilina no salário.

Quem entrou na Câmara dos Deputados, na última quarta-feira, deu de cara com um palíndromo. Palíndromo é a frase ou palavra que se pode ler, indistintamente da esquerda para a direita ou vice-versa. Vem do grego palíndromos: que corre em sentido inverso, que volta sobre seus passos. “Roma me tem amor” é um dos muitos exemplos que temos. O palíndromo também é verificável em outros línguas: “nun” na alemã.
Lasana Lukata

A adúltera e os adúlteros

O normal é ver a cena de um pastor desenganchando ovelhas do precipício com o seu cajado, mas há dias em que pastores também caem no precipício e precisam de alguém que os tire de lá. Segunda-feira, Dia do Marinheiro, passando eu pela rádio Melodia, vi dois pastores caindo num precipício: eram eles, reverendo Guilhermino Cunha e Juanribe Pagliarin. Os dois caíram num precipício intelectual, na mesma noite, ao fazerem comentários sobre o caso da Mulher Adúltera que está na bíblia no evangelho de João capítulo 8: versículos 1-11.
Lasana Lukata

O navio adernado

Há uma unanimidade, inclusive entre especialistas, em dizer que durante estes oito anos de governo Lula todos ganharam, os bois de todos engordaram: banqueiros, empresários, ruralistas, a Classe Média aumentou e houve distribuição de renda, contrariando a velha doutrina do Delfim Neto: esperar crescer para depois dividir o bolo. Baseado nessa história de bolo é que escrevi um poeminha cujo título é “O Pedaço Pequeno” e ele é assim: Do bolo desta vida nunca se quer o pedaço pequeno, mas por que nessa vida um tem que ficar com o pedaço pequeno? Do boldo desta vida sempre me deram o pedaço grande, embora eu preferisse o pedaço pequeno. Por ficar uns com o pedaço grande e outros (os pobres) com o pedaço pequeno é que dá para dizer que o Brasil é um navio adernado.
Lasana Lukata

A cólera da água

Precisamos ficar de olho nas nossas crianças, pois a Baixada Fluminense ou qualquer lugar desses Brasil que tenha um rio ou uma poça d’água corre o risco de enchente nesse ano eleitoral. Vejam os senhores que descansando, após uma caminhada com o meu amigo, Carlos Serpa, somos dois pretensos escritores, notamos um garotinho com uma suposta vara de pescar, junto à água pútrida e fétida da sarjeta no meio fio. Ficamos olhando e o menino de não mais que oito anos, tinha na ponta da sua linha de “pescar” um santinho de um candidato a deputado estadual que pra roubar não tem igual. Rimei sem querer.
Lasana Lukata

Votar ao entardecer

O impacto da crise financeira internacional atingiu o preço da farinha e do pãozinho e agora está atingindo a crônica. Antes minha mão escrevia de 45 a 50 linhas, depois da crise, trinta, trinta e cinco, porque estando o pãozinho mais caro, eu como menos, vejo menos, penso menos, escrevo menos, embora seja da alma da crônica a economia de palavras.
Lasana Lukata

O rei da Pérsia

Outro caso mais antigo ainda é o de Diopites que já falecera quando lhe chegaram os presentes do Rei da Pérsia. E como não me apresentei até agora, muito prazer, pode me chamar de Diopites. A vida é isto: só muda o século e os Diopites, porque as rabanadas continuam a chegar depois do Natal, frias, da geladeira...
Lasana Lukata

Diná do cão

Luís da Cadeira de Rodas e eu tínhamos uma coisa em comum: madrasta. Na sala de aula o professor dizia que a experiência universal com as madrastas não era grande coisa... Numa noite de saudades da infância passava na pequena ruazinha em que morei, a velha Abílio Machado, no bairro histórico de Vila Tiradentes e lá estava o, sentado numa cadeira comum. Dessas que sentamos para almoçar e jantar. A rua não mudou muito. Recebeu uma capinha de asfalto, uns postes de luz. E o Luís tinha mudado de cadeira.
Lasana Lukata

Os 30 inocentes de Pagliarin

Não faz muito tempo que o rádio da vizinha estava alto e ouvi uma pregação de um pastor cujo nome é Juanribe Pagliarin. O título da pregação era: “a vida de Sansão”, Baseada no livro de juízes capítulo 14, 7... Tive que parar de estudar. Afetou a minha concentração, mas se a gente reclamar vão dizer que é o diabo tentando parar a obra de Deus. Não se trata de diabo, mas de respeito ao vizinho.
Lasana Lukata

De que espírito sois?

Numa outra igreja, essa uma Assembléia de Deus em Vila Tiradentes, uma irmã teve uma visão e a visão era uma cova aberta para um rapaz que não aceitava as falcatruas do pastor. Este pediu à igreja que ficasse em pé disparou: “irmãos, vamos fazer uma oração para esse rapaz cair logo nessa cova!”. De que espírito sois. O Pastor pedia ao mecânico dos seus caros para cobrar na nota, por exemplo, R$250,00 reais por um serviço que custava na realidade R$50,00. O pastor Assembleiano, ganhador de medalha de honra do município e medalha Tiradentes, dava R$50,00 para o mecânico, saindo o serviço por R$100, mas na igreja o pastor apresentava a nota de R$250,00 e a pobre igreja reembolsava o gasto, que na verdade foi de R$100,00. De que espírito sois?
Lasana Lukata

Semáforo

O cronista é um vendedor de jujubas no sinal. E a crônica já começa no vermelho. É hambúrguer em lugar de almoço, é começar perto do osso. Cuidado moço: eu disse hambúrguer, X-Tudo é outra coisa. Porque a crônica não é barbuda, nem peluda como a morte de Neruda. O hambúrguer não leva o verde da alface, o vermelho do tomate e do presunto, o branco da clara, o amarelo do queijo, da gema e batata palha. Mas tem que ser colorida, ao menos com catchup e mostarda. A crônica deve ser como o pregão: simples, direta, fácil, atraente, de um modo que se torne permanente.
Lasana Lukata

Pastores sem encanto: vai no tapa!

Mas tenho observado muita gente frustrada que procura se realizar na igreja, fazendo do púlpito um palco, um palanque, um comércio, business... e a igreja tem sido usada como escada para muitos espertalhões. Ora, o pastor existe para servir à igreja e não a igreja para servir ao pastor. Não foi Jesus, que os chamando para junto de si, disse? Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles.
Lasana Lukata

No mundo tereis aviões…

Pastores nas TVs se dizem voltados para o interesse coletivo, mas no meio do caminho trocam o interesse coletivo pelo interesse individual. A compra de jatinhos não é um sintoma? Pastores que montam empresa; formam-se em direito; sociologia, o Diabo a quatro, tudo nas costas da membresia e alguns deles ainda usam as dependências da igreja para advogar para si mesmo.
Lasana Lukata

Clínica dentária Sorrindo Sempre

Todos os dias passando pelas calçadas dos centros urbanos nos dão prospectos e mais prospectos. Sempre divulgando uma idéia, um evento, um produto, serviço, empresa etc. É a tal da propaganda. Os profissionais de propaganda dizem que a publicidade penetra nos sentidos do receptor pelo som, pela cor e, se possível, pelo olfato e pelo tato. No caso de Luzivaldo, a propaganda o pegou pelos olhos e olfato. Na maioria das vezes, estendemos as mãos para apanhá-los por educação. Sequer olhamos para quem nos dá o prospecto.
Lasana Lukata

A rabanada fria

Passando em frente a uma padaria vimos uma travessa de rabanadas na vitrine. Convidei-a para deliciarmos algumas enquanto conversávamos, porém, a atendente ao dizer que a rabanada estava fria, Natalina recusou. Arrepiou-se toda. Os olhos se encheram de lágrimas. Não como rabanada fria! Mais adiante ofereci sorvete: Natalina, sorvete só pode ser frio, né?! O arrepio deu lugar ao sorriso. Aceitou.
Lasana Lukata

O mal de Salomão

Salomão, o terceiro rei de Israel, conhecido por sua sabedoria, oprimia o povo com impostos e mais impostos, tanto que causou a divisão do reino. Pois na semana que passou, um leitor carioca reclamou da nova taxa, taxa de iluminação pública a ser cobrada na cidade do Rio de Janeiro e que virá na conta de luz. O leitor reclama ainda que isso se dê às vésperas de Natal.
Lasana Lukata

Minha primeira metátase!

Tudo bem que na Literatura eu já tinha ouvido nomes estranhos como Homeoteleuto, Poliptoto, Mesoteleuto, Paragoge. Mas Metátese? Parece coisa de Lingüística. Porém, não se assuste. Se o nome é estranho, a prática é bem conhecida pelo mundo. É mais simples do que está por vir aí. Segundo a Koogan/Houaiss, metátese é a troca de fonemas no corpo de um vocábulo. O latim semper deu origem ao português, sempre. Desvariar deu origem a desvairar.
Lasana Lukata

Por alguns minutos…

Minha sobrinha que nunca tinha visto um motorista de madame de perto, tocou nele para ver se era de verdade. Queria ter um quando fosse madame. Já pequena queria ter um motorista para levar as suas bonecas à escola.
Lasana Lukata

Pelo avesso (Memórias de Itinga)

À noite eu ficava olhando o Trem de Prata passar pela Estação de Éden (Antiga Parada de Itinga). Éden antes se chamava Itinga (Águas Claras). Não era uma estação no estilo parisiense. Era uma estaçãozinha. O trem vinha feito um jabuti sobre os trilhos da RFFSA. Vinha tão jabuti que dava para ver a toalha vermelha, os copos de cristais, talheres de pratas e eu de cima da estação observando, um homem, talvez marido,
Lasana Lukata

Parabéns pela crônica: as más companhias!

A Fé anda mais cara do que um botijão de gás. Adianto que por algumas dessas crônicas, pastores hoje me chamam de ouriço-cacheiro; chamam-me também de sorriso macabro; portas se fecham; políticos reclamam de agulhadas, chegam a dizer que se eu escrevesse isso no tempo da ditadura já estaria morto, mas o que fazer? Tudo tem um preço.
Lasana Lukata

A marmita do meu pai

Se existe algo que pertence ao trivial é a marmita. A marmita do meu pai era daquela antiga, retangular e desmontável. Chamavam-na marmita da farinha, pois sendo desmontável, o caldinho de feijão escapava, sujando os passageiros, dava confusão; às vezes sujava o próprio que a transportava. Por certo foi mente feminina que teve a idéia de cercar todos os cantos da marmita com farinha. Funcionava. São as pequenas ciências do lar. Quem lavava a marmita era sempre eu. A marmita está aí pra você lavar! Quem arrumava a marmita na madrugada era eu.
Lasana Lukata

Judas também era ladrão e primeiro “Pai dos pobres”.

O quê?! Se Cristo faria aliança com Judas? Ora, ele não fez aliança com Zaqueu, outro ladrão! Cristo entrava na casa de um ladrão para convertê-lo à honestidade, bem diferente dos dias de hoje em que muitos cristãos entram nas casas dos Zaqueus e saem de lá assim: Zaqueu & Pastor S/A.
Lasana Lukata

Nas águas de Durban

E navegar sozinho meu navio já não podia. Como um velho guiado por outra pessoa, andava a reboque, e em junho de 1997 afundou nas águas de Durban ao enfrentar mau tempo a caminho da Índia onde seria desmanchado. Por que “Zé do Norte” o afundar tão longe, em mau tempo alheio, e não logo aqui, na boca da barra, em suas próprias águas? No Rio há tanto mau tempo. O navio afunda onde quer, pois há navios que gostam muito de afundar nas águas de Durban, mas não em suas próprias águas. Há doutores em águas de Durban, mas não em suas próprias águas.
Lasana Lukata

O homem bom dos olhos verdes.

Um dia, fazia novamente frio, vinha eu pela Rua do Homem Bom dos Olhos Verdes e percebi que o mendigo tinha voltado a dormir na calçada sob jornais. E pensei: mendigo não tem jeito mesmo! Olha só! Cara-de-pau! E o mundo ainda reclama a falta de ajuda! Voltou para a fria calçada. Feito um cão que volta ao seu próprio vômito. Gosta da sarjeta.
Lasana Lukata

Tração nas duas rodas dianteiras.

Fui navegar na internet à procura dos Aerowillys. Fiquei olhando as fotos, a evolução, o apogeu, a decadência. De um lado minha prima anotava as placas e dizia para eu apostar no jogo do bicho; do outro, outra prima da Assembléia de Deus dizia que era um sinal de que Deus ia me dar um carro e em forma de agradecimento eu colocasse aquele adesivo bem grande: “Deus me Deu!”, mas tenho visto muitos carrões que passam com os adesivos “Deus me deu!” e daí a pouco passa a polícia, os alcança e diz, Deus mandou pegar de volta! Não.
Lasana Lukata

No chão da praça da Matriz.

Encontrei um espírito vagando pelo mundo desde os tempos de Montaigne. E como não vivemos totalmente no mundo do invisível, precisamos dar um corpo a esse espírito. Todo conceito é um espírito e Montaigne nos deixou esse conceito de avareza, vagando sem corpo por aí: De vray, ce n’est pás la disette, c’est plustot l’abondance qui produict l’avarice (Na verdade, não é a fome, e sim a abundância que produz a avareza). E como só espírito é intemperança, vamos ao corpo:
Lasana Lukata

Meu cartão azul

A cada ida, sem nem precisar nebulizar, perdi as contas dos cartões azuis que lhe dei na esperança de que ao retornar você acertasse a jogada, partisse para o ataque, mas você ali, parado... É um oligofrênico! Veio um Prometeu roubou a bola e chutou no ângulo.
Lasana Lukata

Meu cartão amarelo!

Entre os deuses gregos não houve deus mais decepcionado do que Netuno. Assim como o Estado perdeu o Rio de Janeiro para o Tráfico, Netuno perdeu Corinto para o Sol; Delfos para Apolo; Argos para Juno; Egina para Júpiter; Naxos para Bacos; Atenas e Trezena para Minerva. Os deuses têm as suas decepções. Veja, Cristo perdeu para César. Não temos outro rei senão César! Perdeu até para Barrabás. Barrabás! Barrabás!
Lasana Lukata

Meu cartão vermelho

Sabes o que é um pastor de Assembléia de Deus numa ONG colocar três crianças para comer num prato só e receber a verba de três pratos? Ou uma professora assinar contrato de R$400 e receber R$150? Que mão amiga é essa, senhores? Vermelho nesse também!
Lasana Lukata

Se o fotógrafo é fiel….

Machado de Assis viu com bons olhos a chegada da gravura aos jornais em 26 de maio de 1895. Reconheceu que as palavras não davam conta de tudo, bem ao contrário da idéia absoluta de hoje que diz: imagem é tudo. Absoluta? Entanto, em 13 de janeiro de 1901, Olavo Bilac, substituindo Machado cronista, não viu com bons olhos essa chegada, porque chegaram demais, e desenhistas, caricaturistas, ilustradores já estavam tomando os espaços dos jornais. Ninguém estava ligando para a leitura.
Lasana Lukata

Nos tempos de Machado de Assis a mulher de 30 anos já era velha.

Hoje, o que tem de meninas largando as bonecas para brincar de amor é de arrepiar. Se bem que a gente já não se arrepia com quase nada. As Bonecas de Chumbo lembram as Nereidas da Ilha do Amor camoniana, passeando em nossas praias e adjacências! Nos pacotes de turismo elas, sem nos darmos conta, são assim meio sem sabermos, oferecidas como “Prêmio” e os turistas veem e vêm.
Lasana Lukata

Mônica, Cascão e Cebolinha…

Por hoje encerro com uma curiosidade que ninguém se dá conta da metáfora que existe por trás da Mônica, Cascão e Cebolinha: A Mônica é o grande símbolo de resistência que com o seu coelhinho sempre bate na Sujeira do Cascão e no Vazio do Cebolinha. Pode ser até vertigem, mas se muitos fossem Mônica haveria menos sujeiras, menos cebolas nesse mundo.
Lasana Lukata

O sermão da Picanha

Quem descobriu o fósforo foi Hennig Brand, no ano 1669, em Hamburgo, na Alemanha. E quem descobriu o fósforo que hoje vem na cabeça do palito foi Anton Von Shöter, no ano de 1845, Alemanha, mas quem descobriu o fósforo aceso em contato com o balde cheio de gasolina junto ao barracão, na Vila Tiradentes, em 1970, fui eu.
Lasana Lukata

Cajá ferido de raio.

Durante esses quarenta e cinco anos de vida sempre reclamei que ninguém nunca fez a minha vontade. Pois eu vinha desde o centro do Rio com vontade de comer uma coisa diferente, mas não sabia bem o que era. Quando a dona do cajá falou “come não que é cajá ferido de raio”, disse a mim mesmo, taí a coisa diferente: Cajá ferido de raio. Era cajá - manga.
Lasana Lukata

Ao fazer a barba

Às vezes gastamos dinheiro que não temos, comprando jornais para a próxima crônica e às vezes a crônica está ali, de graça, mordendo o nosso calcanhar.
Lasana Lukata

Testa de Tanque

"Quero fazer justiça ao comportamento do senador Collor e do senador Renan, que têm dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado". Não. Não era abraço de Tamanduá. Era um abraço sincero.
Lasana Lukata

As moedas de 25 centavos

Quanto aos motoristas e cobradores pedi que ouvissem porque lhes tinha a contar essa história: fiz a faculdade com fome e falta de dinheiro de passagem e certa noite caminhava para o fim do curso de Direito, chovia muito e não tinha o dinheiro para voltar à Baixada Fluminense.
Lasana Lukata

Com muita igualdade.

Logo depois os jornais vieram trazendo a comemoração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Direitos Humanos... Tinha até esquecido. E não é ironia. É que toda vez eu lavava os penicos lá de casa e me lembrava da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da igualdade.