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Gustavo Barreto

Qual a novidade no crime da Lagoa Rodrigo de Freitas?

Qual a novidade no crime da Lagoa Rodrigo de Freitas? Infelizmente nenhuma. Acreditamos que todos devem estar seguros, seja qual for o lugar. Certo? No entanto, alguém tem dúvidas sobre a seletividade da ação midiática e do poder público? Com a palavra, o secretário de Segurança do Rio: "Um lugar como a Lagoa Rodrigo de Freitas não pode de maneira nenhuma ser alvo desse tipo de atitude. É um lugar onde nós frequentamos, onde nós gostamos de ir, de frequentar. Não podemos admitir que ações dessa natureza aconteça."
Gustavo Barreto

Apressados e invisíveis

Hoje andei pelo centro histórico do Rio de Janeiro. Andei olhando, observando as pessoas, as coisas, os prédios, os cortiços. As pessoas, de um modo geral, passam apressadas, agitadas. Passam rápido, como numa corrida de cavalo. Uma oportunidade de passar à frente de outra pessoa é bem-vinda, se estiverem com pressa. A irritação com quem está com pressa é uma hipótese para aqueles que andam devagar, a divagar. Os objetos estão à vista, em geral à venda. Alguns chamam atenção mesmo dos mais apressados. Outros apenas dos que olham com mais interesse. Outros estão esquecidos.
Gustavo Barreto

Bolívia aprova lei de alimentação escolar

Em marco histórico para a América Latina, a Bolívia aprovou sua primeira lei nacional de alimentação escolar. O texto incentiva que o Estado realize compras de produtores agrícolas familiares e prevê que as merendas sejam produzidas a partir de ingredientes nutritivos e culturalmente adequados às diferentes regiões do país. Segundo a norma, é proibida a compra de alimentos geneticamente modificados para a alimentação escolar. O consenso político entre a oposição e o governo sobre o tema foi alcançado após meses de debates em 2014, que contaram com atuação dos escritórios na Bolívia do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
Gustavo Barreto

Esqueceram de combinar com o povo

O mundo não para de dar voltas. O ‪‎FMI‬, que nos anos 90 quebrou muitas economias exigindo corte de gastos, agora fala na “necessidade de se apoiar no investimento público para impulsionar as infraestruturas”. Na contramão, poderíamos pensar, mesmo do que o governo brasileiro está pregando na imprensa. Por que? Uma chamada no El País – “Brasil é o terceiro país com maior dívida externa, atrás da Espanha e EUA” – esconde que o endividamento “brasileiro” não é necessariamente público, e sim público e privado. Além disso, e talvez pior ainda, esconde que a dívida brasileira é baixa se comparada com o PIB e as exportações, um valor muito mais razoável a ser levado em conta.
Gustavo Barreto

É frágil a democracia que temos, mas é nossa!

Eu luto por um país melhor na legalidade, e muitos companheiros de luta se foram desse mundo torturados, estupradas e vítimas de outras atrocidades após um regime autoritário “moralmente melhor” derrubar um governo da legalidade. Eu tenho memória e não me esqueço. Hoje tantos outros morrem nas favelas devido ao aparato repressor que sobrou desse período, 99% administrados por governadores! Assim se declaravam os torturadores nos jornais de então: apartidários, moralizadores da coisa pública, amantes da paz e da democracia. Não existe ditador bonzinho.
Gustavo Barreto

Neonazismo avança na Áustria e Alemanha

Na Áustria o partido de extrema direita FPÖ (sigla em alemão para “Partido da Liberdade da Áustria”) pode ganhar um quarto dos votos nas eleições de outubro próximo para a prefeitura de Viena. Na Alemanha, neonazistas enviam “atestado de óbito” para jornalistas. Seis ameaças de morte são mandadas para repórteres alemães que cobrem a cena de extrema direita na cidade de Dortmund, um conhecido reduto neonazista segundo a imprensa local. Para vítimas, uma prova da crescente hostilidade à imprensa por parte de radicais.
Gustavo Barreto

Por um passado atuante

Após as reflexões sobre o Holocausto, marcado todo dia 27, talvez devêssemos falar sobre o como o governo Vargas, que era antissemita (assim como outros muitos governos da região), não só impediu a entrada de milhares de judeus no país durante os piores momentos da humanidade como puniu funcionários do Itamaraty que se levantaram contra a eugenia oficial da época. Além, acrescenta-se, de lavar as mãos em relação aos membros do partido nazista no Brasil.
Gustavo Barreto

São Pedro pediu para você fechar a torneira quando escovar os dentes!

O mundo terá até 2050 pelo menos 9 bilhões de pessoas. Hoje, cerca de 800 mil passam fome, no mínimo. Recursos não nos faltam, os possuímos em demasia, mas as instituições liberais insistirão em dizer que temos que ter mais água para fins agrícolas e aumentar a produção de alimentos, em vez de racionalizar nosso consumo, regulamentar decentemente setores que não deveriam ser um mercado e redistribuir melhor a comida. Mas não mexam, por favor, no Ocidente do hiperconsumo, dirão estas mesmas instituições.
Gustavo Barreto

Por que você não terá acesso a esta notícia sobre terrorismo em tempos de terrorismo?

Talvez você não tenha acesso a essa notícia acima, e existe um bom motivo para isso. Um homem chamado Dominic Ongwen se entregou e está em custódia. A sociedade civil internacional pede que ele seja levado a julgamento no Tribunal Penal Internacional. Mas quem é Dominic Ongwen? Trata-se de um dos comandantes do chamado “Exército de Resistência do Senhor” (Lord’s Resistance Army, ou LRA). Trata-se de um dos grupos mais criminosos e atrozes que o mundo já conheceu, atuando no norte de Uganda e muitas outras áreas da África central, incluindo Ruanda e República Democrática do Congo.
Gustavo Barreto

Mais vítimas da violência

Tendo nascido e/ou vivendo no Rio de Janeiro, eu e outras milhões de pessoas somos os maiores interessados no tema da violência urbana. E me assusta a lógica simplista com que se trata as possibilidades de solução. Quando um jovem é morto, há uma comoção. Se o(a) jovem é negro, pobre e da periferia/favela, um tipo de comoção. Branco, rico de bairro nobre, outra. Parece uma premissa óbvia, evidente, mesmo para o mais desavisado dos desavisados brasileiros (ou cariocas, nesse caso).
Gustavo Barreto

Velhos companheiros de luta

O ministro da Pesca é investigado por peculato, lavagem de dinheiro e desvios de milhões da Sudam, o de Minas e Energia por fraudar licitações e superfaturar o preço do combustível fornecido a órgãos públicos, o da Aviação Civil por envolvimento em crimes em licitações de construção de barragens. A da Agricultura odeia índio, sem-terra e ambientalista, o da Educação odeia professor, o das Cidades odeia favelado. O ministro do Esporte é pastor e nunca ouviu falar do assunto, enquanto o da Ciência acha esse lance de mudança climática coisa do diabo imperialista ou, pior, de ecoterroristas internacionalistas.
Gustavo Barreto

As raízes do Brasil machista

Um dos principais traços que os portugueses de outros tempos aqui deixaram foi justamente esse: a “família” vinha em primeiro lugar. Pouco animador: essa família tinha chefe, leis próprias e uma rigidez ímpar. Há mesmo casos na História do Brasil como o do fazendeiro que assassinara a nora por desconfiar de adultério. O homicídio contou com a mais ampla impunidade, apesar de o país já contar com legislação penal. Essa seria a origem de expressões como “briga de marido e mulher não se mete a colher”, ou o ideário machista de que uma mulher que namora não deve sair sozinha. O patriarcado foi e continua sendo instrumento de poder.
Gustavo Barreto

O machismo brasileiro

O machismo brasileiro está sofrendo, me dizem, com uma espécie de “macartismo misândrico”, cujo contexto é o “discurso do ódio” crescente. O brasileiro não está mesmo acostumado a esse tipo de comportamento, escreveu Sergio Buarque de Holanda em 1936. Aqui, as relações de simpatia estão acima das regras impessoais do Estado weberiano, fortalecendo o que ele descreveu como o “homem cordial”, que nunca pressupôs “bondade”, e sim o predomínio de comportamentos de aparência afetiva. As manifestações do homem cordial, explicou, não são necessariamente sinceras ou profundas, se opondo aos ritualismos da polidez.
Gustavo Barreto

Para que serve o WhatsApp? Para te confundir!

Tudo o que temos à disposição, hoje, já garante uma ótima comunicação para diversos propósitos. Poucas pessoas no ano 2000 acreditariam no que temos atualmente disponível em termos de tecnologias de informação e comunicação. Na ciência, já se sabe há muito tempo: quantidade não quer dizer qualidade. Não há correlação, a não ser por outros parâmetros. Muito, inclusive, pode significar um mal funcionamento de algum organismo. As pessoas usam as ferramentas de acordo com seus saberes, e cada uma se adapta melhor a você — incluindo o “radinho” de pilha, por exemplo. Pode ser o WhatsApp? Pode.
Gustavo Barreto

Cuba, o novo orégano!

Continuo estarrecido com a neurose relacionada a ‪Cuba‬, que é colocado no debate como se orégano fosse. É alguma espécie de tara da direita burra brasileira. E por que burra? Porque se essa direita efetivamente se informasse sobre a legislação eleitoral cubana, iria aplaudi-la de pé. É objetivamente, pelo menos em muitos dos princípios, o que muita gente de direita quer. Como se informar?
Gustavo Barreto

Votos nulos, brancos e abstenções: até que ponto trata-se de um protesto?

Todos aqueles que votaram nulo, em branco ou se abstiveram não poderiam anular uma votação. Diante das diversas informações equivocadas sobre isso, é importante esclarecer este aspecto da nossa frágil democracia. Anular, votar em branco ou simplesmente não participar de uma eleição invalida a sua participação neste pleito. Os votos dos que participaram são os que, constitucionalmente, contam. Estes são os chamados votos válidos.
Gustavo Barreto

O jogo do poder

Os processos eleitorais costumam ser, mesmo, tensos. Afinal, mesmo que nossa democracia divida responsabilidades em três esferas, a Presidência da República da sexta ou sétima maior economia do mundo não poderia mesmo deixar de ser intensamente disputada. Eram dois projetos que, a despeito de serem em alguns aspectos muito semelhantes, moldavam o futuro do país de formas completamente distintas.
Gustavo Barreto

Infâncias roubadas

Foi aqui pertinho de casa, no dia sete de outubro: cinco meninos e meninas corriam, como que fugindo. Dali a pouco dois ou três homens o perseguem. O que levavam as crianças? Brinquedos. Na linguagem comum do relato contemporâneo fica assim: "Cinco menores foram vistos nesta terça-feira (7), em um bairro da zona norte do Rio, fugindo após terem praticado um roubo a uma loja de departamentos. Após tentarem fugir com as mercadorias, os menores deixaram os bens na rua. "
Gustavo Barreto

Sensacionalismo é que vende jornal?

Vamos à “pauta do dia”, sobre a qual todos falam e, portanto, todos têm de falar. Ela está dada, é “óbvia” e supostamente não pode ser ignorada. Esse goleiro foi alvo de racismo: qual será a sua reação? O que ele tem a dizer? Como se comportará daqui em diante? E essa menina racista? Não seria ela a reencarnação de Hitler? Que comece o duelo, queremos sangue. Com cada vez menos postos de trabalho no jornalismo, destacamos nossos queridos opinólogos e “colunistas”, pessoas que gozam de um espaço raro e sabem comentar qualquer tema – desde a queda de um avião até o vírus ebola, passando pela economia europeia, Cuba e segurança pública.
Gustavo Barreto

Brasil vai sediar a Copa dos Refugiados

A Copa do Mundo já passou, mas o Brasil vai sediar outra Copa neste ano, ainda mais colorida e diversa: a Copa dos Refugiados. Organizada por refugiados que vivem no Brasil, com o apoio do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), da Caritas Arquidiocesana de São Paulo, da ONU Mulheres, do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) e diversas organizações da sociedade civil, a Copa acontecerá nos dias 2 e 3 de agosto em São Paulo. Serão dois dias de jogos, das 8h às 17h, com 16 times de países diferentes, entre eles Síria, Mali, República Democrática do Congo e Colômbia. Além disso, ocorrerão atividades culturais paralelas e a divulgação das campanhas da ONU “O Valente não é Violento” (contra a violência de gênero) e “Proteja o Gol” (sobre a prevenção ao HIV/AIDS).
Gustavo Barreto

Mulheres Negras lançam manifesto

No Dia da Mulher Afro-latino-americana e Afro-caribenha, 25 de julho, ativistas e organizações dos movimentos de mulheres negras e negro, anunciam a realização da Marcha das Mulheres Negras contra o racismo e a violência e pelo bem viver. A mobilização nacional acontecerá, em Brasília, em 13 de maio de 2015 – Dia Nacional de Denúncia contra o Racismo. O anúncio é feito por meio de manifesto em que avaliam o impacto do racismo na vida de 49 milhões de mulheres negras, 25% da população brasileira.
Gustavo Barreto

Um país de fome e sem-tetos

Existe um país em que uma em cada 45 crianças não tem moradia por ano. No total, 1,6 milhão de crianças. Com isso, essas crianças sofrem com as altas taxas de problemas agudos e crônicos de saúde. Um centro de pesquisa alerta que a constante experiência estressante e traumática também tem efeitos profundos sobre o seu desenvolvimento e capacidade de aprender. Neste mesmo país, uma a cada cinco pessoas passa fome, impactando na saúde (física e mental), no desenvolvimento das crianças e em sua educação.
Gustavo Barreto

O gigante acordou atrasadaço pro trampo

Há 514 anos os portugueses chegaram às costas do Brasil atrás do nosso pau-brasil. Os colonizadores foram obrigados a descer o cacete no povo como último recurso para dispersar uma minoria de vândalos que não queria entregar nossa maior riqueza, a mulata brasileira. Um grupo isolado de cara-pintada-blocs bem que tentou, mas acabou cedendo ao encanto lusitano. Os conquistadores venceram com uma ajudinha do interventor imperial – afinal, roubado é mais gostoso – e passaram a explorar outras partes mais remotas da anatomia do brasileiro, como o litoral e as costas. Mas isso já faz muito tempo...
Gustavo Barreto

A Copa do Mundo no Brasil é um sucesso!

Só fico na dúvida em relação a qual parte eu considero o maior sucesso desta Copa. Será na moradia, em que cerca de 170 mil famílias estão ameaçadas de remoção no país por obras relacionadas aos megaeventos? Ou será na falta quase que total de legado para o país em termos de mobilidade urbana? Ou será ainda no legado ambiental? Será que o sucesso maior foi na brutal repressão da polícia, com aparato e planejamento do Estado, a pedido da FIFA?
Gustavo Barreto

Imagens espetaculares

Imagens espetaculares mostram a vida na cidade-mercadoria. Os mais fascinantes empreendimentos. E montanhas cobertas de pobreza. Batalhas entre gigantes como você nunca viu antes. Ambulantes. E até trabalhadores formais brigando por território. Os reis da montanha: onde vivem os meninos varejistas desta terra abençoada por Deus. A corrida rumo a uma jornada intrigante: o cotidiano capitalista. O pedreiro que dribla a fúria da polícia. A mulher moderna e sua tripla função. Lentes especiais revelam a vida secreta do menino-de-pé-descalço. A diversidade selvagem nas mais ricas vielas do planeta.
Gustavo Barreto

O outro ‘mundial’

O outro ‘mundial’ é isso aí, foi o que vi com meus próprios olhos. Nós, cidadãos, não temos a capacidade para mudar sozinhos, isolados, essa situação. Trabalhamos 10 horas por dia, seis dias por semana, para tentar pagar o aluguel. O dinheiro vai, em grande parte, pro Estado, que tem as condições e responsabilidade de fazer alguma coisa. E o que o Estado faz? Trabalha para o lucro dos empresários, que eles chamam de “desenvolvimento”. Mas, juntos, os cidadãos precisamos mudar isso. Precisamos enfrentar a organização orientada do Estado e seus interesses não declarados.
Gustavo Barreto

O lucro ou as pessoas?

A apresentadora diz quem são os culpados, a partir de imagens de helicóptero e sem qualquer informação: "Você vê ali pontos de fogo, várias chamas, que certamente vem desse protesto dos moradores". Não é um ser humano, é o "corpo do Douglas, dançarino do programa Esquenta da TV Globo". "Ele tinha passagens pela polícia", diz o "especialista", que "lembra" que os "fatos" pedem "ações mais enérgicas por parte do Governo do Estado". Onde fica essa comunidade? Na favela, e não no asfalto, é bom separar logo, conforme declara a apresentadora: "A questão é que o Pavão-Pavãozinho, uma das entradas dessa comunidade fica em Copacabana".
Gustavo Barreto

Discutindo as causas do estupro

Sobre a pesquisa do IPEA, eu honestamente gostaria de saber quem aqui acha que mulher merece ser estuprada, seja qual for a situação. Alguém? Se não aparecem, além de idiotas são covardes. E se ninguém aparece para falar isso publicamente, então, amigos, pensem comigo: e daí? Política pública se faz com pessoas públicas, posicionamentos públicos e propostas públicas. De resto, são covardes -- e merecem nada mais nada menos que o total desprezo.
Gustavo Barreto

‘O Rio de Janeiro mostra seu lado mais agradável’

Está n’O Globo: “Criminosos atacam quatro UPPs e ferem chefe da base de Manguinhos (…) Em nota, Cabral disse que essa é mais uma tentativa da marginalidade de enfraquecer a política vitoriosa da pacificação, que retomou territórios historicamente ocupados por bandidos. Ele afirmou ainda que mantém o firme compromisso assumido com as populações das comunidades e de todo o estado de não sair, em hipótese alguma, desses locais ocupados e manter a política da pacificação.”. O que tem a ver o projeto da UPP, as autoproclamadas “Unidades de Polícia Pacificadora”, com o que está acontecendo hoje no Rio de Janeiro?
Gustavo Barreto

O programa social mais desconhecido do Brasil, o ‘Bolsa Rico’

Uma reportagem da "BBC Brasil" investigou o tema da desigualdade social promovida pela tributação e, veja só que novidade, descobriu que quem paga a conta do Brasil são os mais pobres. O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (Sindifisco Nacional) denúncia há décadas o problema e possui atualmente uma campanha, o Imposto Justo. Jornais como o "Brasil de Fato" e outros meios independentes batem consistentemente nessa tecla há anos.
Gustavo Barreto

A arte de reclamar

Conta um articulista do finado “Correio da Manhã” uma curiosa história sobre o atraso em obras realizadas pela prefeitura do Rio de Janeiro na rua Barão de Mesquita, no final dos anos 1920. A “arte de reclamar”, hoje, tem o mesmo tamanho que tinha um telegrama criativo enviado ao prefeito nos anos 1920: são milhares de pessoas, nas ruas e nas redes sociais, pedindo o bom uso dos recursos públicos, entre outras coisas. Algumas vezes com muito bom humor, pelo menos até onde nos permitimos, diante de tanta violência. (...) Mais do que atrasos, estamos numa época dos excessos, os estádios para a Copa do Mundo, orçados inicialmente em R$ 2,2 bilhões, alcançam agora a inimaginável cifra de R$ 8 bilhões. Romário já havia alertado, talvez com certo exagero: este será o maior roubo da história do Brasil. Claro, não deve ser o maior. Mas, tratando-se de corrupção, nossos governos sempre batem o próprio recorde. Imagina quando estão unidos nas três esferas.
Gustavo Barreto

Sob o pretexto dos direitos humanos

A situação dos direitos humanos pelo mundo é deplorável. O Mali acaba de sair de uma crise de segurança e alimentar, na Nigéria o grupo Boko Haram executou mais de 100 pessoas nos últimos dias. Crises humanitárias atingem o Sudão do Sul e na República Centro-Africana já deixaram milhares de mortos, milhões de deslocados internos e refugiados. Na Ucrânia, na Turquia e em outros países a violência contra manifestantes continua. No Brasil o Estado, impune, continua sendo o principal responsável por execuções sumárias nas periferias das cidades. Após um período de muita atenção, milhares foram esquecidos pelo mundo nas Filipinas. E um relatório independente sobre a Coreia do Norte vincula as violações no país a memoráveis práticas nazistas. Na última crise alimentar no Chifre da África (Somália e região), algumas milhares de crianças morreram pela inação da comunidade internacional. Isso sem falar na Síria e na República Democrática do Congo, as duas maiores crises contemporâneas.
Gustavo Barreto

Depósito infecto de seres humanos

Promotor chama maior abrigo da prefeitura do Rio de Janeiro de ‘depósito infecto de seres humanos’. "Um mero depósito infecto de seres humanos. É disso que se trata. Não há nenhuma perspectiva de restabelecimento de laços sociais, reinserção no mercado de trabalho, nenhuma politica de educação, não há nenhuma atenção para os que precisam de atendimento de saúde mental", Rogério Pacheco Alves, da 7ª promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Cidadania. Vice-prefeito e secretário de Desenvolvimento Social do Rio, Adilson Pires (PT) culpa... os moradores de rua!
Gustavo Barreto

O ódio contra as minorias continua pedindo nossa atenção!

A homofobia existe, mas não ocorre sempre que “algum” LGBT é morto. Se duas pessoas brigam por um esbarrão, a briga é pelo esbarrão. Nada mais. Assim como não há violência contra a mulher quando uma mulher morre de câncer ou em um acidente de carro. No entanto, se há um componente de ódio por motivos de gênero ou qualquer outro vínculo identitário: nacionalidade, etnia, raça etc. Nunca, em hipótese alguma, é resgatada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Ela está no princípio de nossa convivência e de nosso diálogo diário. Com ou sem consciência disso, sendo eu ou você o Feliciano ou não, toda vez que nos esquecemos de que cada cidadão é, antes de tudo, independente de suas marcas culturais ou identitárias, a priori igual a todos os demais, perdemos um pouco mais nossa humanidade e deixamos de lutar, diariamente, por esses ideais.
Gustavo Barreto

A pobreza útil

Estou abismado com gente supostamente pensante usando o argumento de que os governos dos últimos 12 anos “tiraram milhões da pobreza” e “consolidaram a classe média”. Deixa de ser pobre quem mora na mais completa miséria, em meio à insegurança (alimentar, social etc.), mas recebe mais de X centavos (transferidos forçadamente). Passa a ser classe média quem, a pretexto de continuar subsistindo e de uma formação educacional excepcional, continua pagando mais da metade do salário pros proprietários, os 1% de ricos e poderosos, por ocasião das leis sempre aptas a defender quem tem, e não quem efetivamente produz.
Gustavo Barreto

A transfobia nossa de cada dia…

Que tipo de jornalismo doentio formula uma frase como "Romário foi flagrado/visto com uma travesti"? Usariam esta formulação se fosse Romário e uma mulher? Se fosse Romário e um parente? Se fosse uma mulher famosa e um homem desconhecido? E daí? Um alerta aos que ainda não se deram conta: pessoas trans são humanos, gente como qualquer outra, que sai, fica em casa e tem amigos, ficantes, namorados, casos e companheiros. Romário pode não ser o político perfeito, porque este não existe, mas de uma coisa eu tenho certeza: ele incomoda muito "peixe" grande. E neguinho não perdoa.
Gustavo Barreto

O lado pouco lembrado do apartheid

Nenhum governo racista, nazista, fascista ou similar sobrevive sem colaboradores de peso. É o que demonstra, por exemplo, uma resolução da Assembleia Geral da ONU de 1987, que: “insta veementemente o Conselho de Segurança (…) a tomar medidas imediatas ao abrigo do Capítulo VII da Carta (da ONU), tendo em vista a aplicação de sanções abrangentes e obrigatórias contra o regime racista da África do Sul e insta os Governos do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Estados Unidos da América e outros que se opõem à aplicação de sanções abrangentes e obrigatórias a reavaliar as suas políticas e cessar a sua oposição à aplicação de sanções por parte do Conselho de Segurança;”
Gustavo Barreto

Um dia na vida de um otário

Este é apenas mais um dia de um otário que ainda acha que pagar suas contas em dia é um exercício de cidadania, que compreende perfeitamente porque o Brasil, a despeito de toda torcida ufanista, continua a merda que é. Compreende, sem dúvida, mas em hipótese alguma vai se acomodar. (...) O governo te convida a financiar um lindo apartamento, desde que seja a mais de 100 quilômetros de onde mora a sua família, de modo que essas pessoas detestáveis que precisam de financiamento de pobre fiquem bem longe dos nossos belos lofts na zona nobre, a zona da nobreza.
Gustavo Barreto

Exclusivo: informações concretas sobre Cuba!

Cuba tem muitos problemas. Assim como o Brasil, os EUA, a Holanda. Cada país tem problemas específicos. Cuba tem os seus. Eles são discutidos abertamente em assembleias populares, no Legislativo, nas praças. E são promovidas mudanças de acordo com o debate público. Em Cuba há ainda os conselhos de bairros, extremamente ativos. Cuba não está mergulhado na pobreza. Pelo contrário: o cubano comum sabe muito bem que, nas Américas, por exemplo, é o país com alguns dos melhores índices de desenvolvimento humano, segundo sucessivos relatórios das Nações Unidas. E as pessoas em Cuba possuem um ritmo mais tranquilo, notavelmente diferente da neurose capitalista de trabalho-trabalho-trabalho. O que é um fator de felicidade para muitos, opino eu.
Gustavo Barreto

Sobre os médicos cubanos

Hoje, após as revelações da vigilância global estadunidense, subitamente Cuba foi “esquecida” e a Europa está furiosa com o que está acontecendo e acusa os EUA de violações do direito internacional. E pior: parte da mídia brasileira continua a insistir que os informantes militares foram presos porque “vazaram informações sigilosas” — e dá um ponto aí. Quase nada sobre o conteúdo desses vazamentos: violações brutais e bárbaras dos direitos humanos. Vai entender. Agora, o Brasil traz médicos cubanos que são mais ‘baratos’ — óbvio — e dispostos a ir a lugares que nenhum médico brasileiro quer ir (e apenas nestes casos).
Gustavo Barreto

Milícia chega à presidência da CPI dos ônibus no Rio

Acompanhe nesta matéria em detalhes quem são os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão — e porque ter o clã Brazão à frente de uma CPI pode impossibilitá-la completamente. Outro integrante da nova CPI dos Ônibus, o vereador Jorginho do SOS (também do PMDB!) também não assinou o requerimento: o único foi Eliomar Coelho. Jorginho da SOS deu uma entrevista admitindo “ter pouco conhecimento sobre o tema”. Além disso, ele não apresentou um único projeto no ano passado. Ele diz ter sido “convidado” a participar da CPI e afirma ser “uma experiência nova, com a qual vou poder contribuir para a cidade”.
Gustavo Barreto

O gigante acordou?

As manifestações que vêm ocorrendo no Brasil desde o início de junho de 2013 mobilizaram não apenas muita gente, como estão modificando a estrutura de funcionamento de diversas instituições e causando intensos questionamentos sobre os rumos que o país tomará a partir dessa aparente mudança de comportamento.
Gustavo Barreto

Polícia militar do Rio de Janeiro cerca manifestantes e mantém usual truculência

A polícia militar do Rio de Janeiro demonstrou mais uma vez sua predisposição para a barbárie e sua luta contra a democracia. No Rio de Janeiro, a covardia da polícia militar do Rio de Janeiro é um dos motores desta crise. A raiva contra a polícia é justificada por suas ações, diárias, ações que jovens brancos de classe média começam a experimentar por querer demonstrar as suas opiniões, mas que já faz parte da vida da grande maioria dos moradores da periferia. Esse é o verdadeiro vandalismo. A intolerância à liberdade de expressão e de reunião é o verdadeiro motivo para tanto "vandalismo". Foi dito que todo poder emana do povo, mas as pessoas reais sabem que há muito tentam nos enganar. E elas cansaram e decidiram agir. Mesmo em meio à ação dos vândalos a serviço do poder.
Gustavo Barreto

Rio de Janeiro: no lugar de educação, tortura e estupros

O Degase (Departamento Geral de Ações Socioeducativas) é a instituição pública, paga com dinheiro do contribuinte, que deveria ressocializar crianças e adolescentes em conflito com a lei. O órgão, ligado à Secretaria Estadual de Educação, tem como função “acolher, cuidar, acompanhar, atender e tratar o adolescente em conflito com a lei, bem como seus familiares, objetivando sua reinserção na sociedade”. Sob a vigilância do Ministério Público e da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), no entanto, a Polícia Civil está investigando casos de torturas, abuso sexual e violência, incluindo estupros, na unidade da Zona Norte.
Gustavo Barreto

Caso Julian Assange é armação, diz agência de espionagem britânica!

Com base em uma lei britânica que permite a indivíduos pedir aos órgãos públicos informações pessoais, Julian Assange teve acesso a mensagens de funcionários da GCHQ, a agência de espionagem britânica, afirmando que as acusações por parte da Suécia a Assange eram parte de uma armação. Os funcionários ainda o chamam de “tolo” por acreditar que os suecos desistiriam da acusação. A GCHQ se pronunciou dizendo que as mensagens não refletem as políticas ou pontos de vista oficiais.