As mulheres-maravilha na volta às aulas

Por em 27/01/2010


Mulher MaravilhaO início do ano letivo se aproxima e milhares de mães-mulheres-trabalhadoras, assim como eu, estão na maior correria para comprar os livros e os materiais escolares de seus filhotes, além de mochilas, lancheiras, estojos e uniformes, isso tudo sem deixar de dar conta dos afazeres domésticos, como lavar, passar, cozinhar, arrumar… Ao mesmo tempo sendo criativas, pontuais, competentes e dinâmicas nos trabalhos, e ainda sexys, charmosas, elegantes e atraentes para os parceiros. Ufa! Mas será que damos conta de tanta coisa?

Criamos uma falsa ilusão de que somos mulheres-maravilhas, capazes de dar conta de tudo que foi mencionado sem prejuízo de nossa saúde física ou mental. O estresse nos rodeia as vinte e quatro horas do dia, até mesmo quando dormimos, isso quando conseguimos dormir, pois muitas atravessam a noite aprontando refeições para o dia seguinte ou terminando relatórios de trabalho, para cumprir prazos e não passarem por incompetentes. Até quando vamos nos sentir “a dona” da casa, a única responsável pela criação dos filhos e a culpada de todos as mazelas da humanidade?

Por falar em culpa e em ano letivo, ao final de cada um, ao recebermos os boletins, costumamos quase ignorar os resultados positivos, mas nos apegamos enormemente aos resultados ruins. Uma nota baixa nesta ou naquela disciplina já assumimos que foi culpa nossa: não demos atenção à nossa criança ou adolescente, ajudando-o a superar as dificuldades. Uma reprovação, então, nem se fala, total culpa nossa: não estivemos presente na vida deles ao longo do ano… Coitadinhos! Agimos como se tudo de ruim que acontece aos filhos fosse culpa nossa e de mais ninguém. Esquecemos que não os trouxemos ao mundo sozinhas, mas assumimos, não de ontem para hoje, mas ao longo de séculos, a total responsabilidade pelo cuidado com a prole.

Ninguém agüenta conviver com tanta culpa, para isso, ao início de cada ano, tentamos fazer tudo “certinho”: fazemos mil planos, muitas promessas a nós mesmos e juramos que não vamos nos desviar nem um centímetro deles. De novo esquecemos que não somos super-poderosas! Para não nos frustramos ao longo do ano, devemos envolver todos nas tarefas e cuidados com a casa e os filhos, inclusive os próprios, que devem ter consciência das responsabilidades que têm ao longo do ano, como membro da família e como estudantes.

Faça uma reunião com todos da família, estabelecendo as regras a serem seguidas ao longo do ano para sucesso de todos e para que alguns poucos não sejam sobrecarregados, como acontece, quase sempre, com as mulheres-maravilha! Conversas entre o casal devem ser feitas a sós, sem a participação das crianças e essas, por menores que sejam, devem participar de reuniões familiares, assim se sentem amadas e parte importante da família, o que ajuda em seu amadurecimento, além de crescimento de sua autoestima.

As regras para o novo ano devem ser claras, bem entendidas por todos e fazer parte de um acordo maior da família. Pode-se acordar algum item de recompensa para o cumprimento das regras, o que não implica, necessariamente, em prêmio, mas elogios de vez em quando fazem bem ao ego de qualquer um. Lazer e entretenimento não podem ser descartados ao longo da semana, pois é necessária uma higiene mental, apenas estabeleça os horários, de maneira que não interfiram nem no tempo para os estudos, nem no período do sono. Isso acordado, não faça exceções, pois perderá a credibilidade. Regras discutidas e entendidas por todos, elas devem ficar expostas, de preferência em um quadro de avisos, para serem lembradas a cada dia.

Tente se organizar para participar ao menos das reuniões de pais, isso alegra a criança ou o adolescente e dá a você a oportunidade de estar por dentro da vida escolar deles. Porém não se martirize se não puder comparecer a todas, mas tente, ao menos, enviar um representante, comunicando à escola e aos filhos. Na matrícula ou logo nos primeiros dias de aula, deixe bem claro sua pouca disponibilidade para estar na escola, mas ofereça todos os seus telefones possíveis e mantenha contato regularmente por telefone, email ou bilhete.

Estabeleça horários para verificar o andamento das tarefas escolares, o que pode ser feito durante a execução das mesmas, caso sejam feitas quando você está em casa. Uma olhada nos cadernos e livros a noite, quando eles já estão dormindo, às vezes, é a única oportunidade que temos, neste caso, deixe bilhetes presos ao material, orientando ou elogiando. Não se sinta mal pela falta de tempo, mas zele pela qualidade dele quando estiverem juntos e faça com que percebam que você faz tudo que pode para caminhar junto com eles na vida acadêmica.

Livrar-se da culpa não é simples, mas é possível. Resolva suas questões o quanto antes, para que você seja feliz e faça os outros felizes também. Lembre-se que existem pessoas que ficam felizes com o simples fato de nos verem felizes.

*Cristina Silveira é professora do ensino fundamental e médio, pedagoga, especialista em dificuldades de aprendizagem, docente da rede estadual de ensino (RJ) e da rede municipal de Duque de Caxias (RJ), onde atua na Subsecretaria Adjunta de Planejamento Pedagógico e autora do livro Ziraldo na Sala de Aula (Editora Melhoramentos).




Por Cristina Silveira, em 27/01/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

11 respostas to “As mulheres-maravilha na volta às aulas”

  1. Ana Valéria

    Olá!
    Como sempre, Cristina, com sua praticidade, aponta saídas viáveis para a angústia do “podertudo”. Parabéns, Cris!
    Como orgulho, beijos milsssssssssss,
    Ana V.

    #325
  2. Rosângela Serrenho

    Oi!
    Cristina, realmente agimos como “mulher maravilha” e o resultado disto é que mesmo enfatizando que não somos heroínas, nos veem assim! òtimo seu artigo, mas deixo uma sugestão, que tal dividirmos com o pai as tarefas como: comprar material, escolher a escola, participar das reuniões e festas escolares e etc?
    Beijos,
    Ro

    #327
  3. Geisa

    Parabéns Cris!!!

    #331
  4. Maria Christina

    É verdade Cris..apesar de não ter mais filhos pequenos ,passei por tudo isso e sei o quanto é difícil para nós mulheres acumularmos tantas funções… Parabéns por retratar tão bem nossas angústias.Bjs da amiga Chris Tupper

    #332
  5. jose alexandre da silva

    ARTIGO “BRILHANTE” MINHA AMIGA!!!
    E eu que pensava que era intelectual, acho que o Francisco também não vai demorar muito para pensar a mesma coisa.
    Todas aquelas mulheres da SME precisam ler este artigo com urgência. Aliás, este texto deveria ser distribuído na Rede.
    Tenho orgulho de ter te conhecido, mesmo não tendo mais o convívio diário. Precisamos beber um whisky para comemorar, ou pode ser um almoço durante o trabalho na SME.

    #333
  6. Leila Aparecida

    Olá!
    Cristina, fico feliz por você está preocupada com tarefas que nos afligem todo dia. Queremos dias melhores, mas esquecemos de praticar boas ações e aproveitar os momentos e pessoas que estão ao nosso redor.

    Parabéns pela eficiência.

    #334
  7. Oswaldina Assis

    Oi!
    Foi tão bom abrir o e-mail e ter a oporunidade de ler este artigo tão verdadeiro que retratou a minha realidade. Durante anos vivenciei esta realidade. Isto acontece com os profissionais competentes que precisam registrar para o mundo como a mulher é verdadeira naquilo que se propõe a fazer.
    Um grande abraço e parabéns. Sei do seu valor e tenho certeza que muitas vitórias virão.
    Afetuosamente,
    Oswaldina

    #336
  8. Menina, você falou tudo. Este ano eu quero me organizar desde o início para dar conta de tudo. Não tenho filhos, mas trabalho em duas escolas, estou fazendo mestrado e sou dona de casa. Não é mole não!

    #343
  9. Karina

    Cris,
    Só falou a verdade, o artigo é sensacional.
    No meu caso tenho um marido de diamante, que compartilha TODAS as tarefas de casa (menos passar roupa porque nem eu o faço), cuida dos filhos, dá banho no caçula, lava a louça, limpa a casa, arruma a cama, faz compras, etc e em cima me mima preparando minhas caipirinhas, ele está sempre pendente de me ajudar pois ser dona de casa, mãe e profissional é cansativo, cozinhar as 10-11 horas da noite e no dia seguinte acordar as 5 não é mole!!!! Passei seu artigo para minhas amigas. Bj!

    #365
  10. Irma

    Cris,
    Amei o que você escreveu, me fez lembrar a Martha Medeiros a cronista da “Revista O Globo”, pois falaste das nossas angústias e das nossas saídas do labirinto do dia a dia, de forma bem clara e como mestre dás receitas que orientam e confortam os nossos corações.

    #426
  11. Júlia Mendes

    Querida Cristina,
    Falando em falta de tempo… Você me mandou esse e-mail há muito tempo e só agora eu tive o prazer de lê-lo, num breve momento de relax. Concordo com você plenamente sobre o conteúdo do artigo, pois mais importante do que se culpar pela falta de tempo, temos que pensar na “qualidade” do tempo que dedicamos à todas as coisas importantes na nossa vida.
    Parabéns!!!!
    beijos Júlia

    #666

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