As Cruzadas
Acima, cruzados massacrando judeus, na Quarta Cruzada.
Após um período de certa tranqüilidade na Europa, sem grandes conflitos e/ou guerras, a população européia experimentou um processo de crescimento quantitativo que acabou por gerar uma profunda crise sócio-econômica visto a estrutura do sistema feudal não estar preparada para este aumento de contingente.
Aliado a esta crise, que deixou grande parte da população na marginalidade, que se aprofundou com a invasão muçulmana no século VIII, o senso de religiosidade cresceu imensamente, pois acreditavam os atingidos que todas as mazelas pelas quais estavam passando eram castigos de Deus. Convém frisar que a religiosidade e a espiritualidade do homem medieval eram muito fortes, sendo este homem, antes de tudo, um servo de Deus, logo, também da Igreja. Logo, para este homem medieval, combater o infiel muçulmano era uma ação santa e representava a salvação eterna, garantida pelas indulgências oferecidas pela Igreja aos cruzados. Assim, empreendendo uma cruzada sobre os muçulmanos, tanto as questões políticas da Igreja seriam beneficiadas, como as pressões demográficas seriam aliviadas, pois imensos contingentes populacionais teriam que ser deslocados para as áreas até então dominadas pelos muçulmanos e assim resolver a crise pela qual o sistema feudal passava na Europa.
As Cruzadas eram um bom negócio para todos na Europa. Por exemplo, para a Igreja era um instrumento de expansão. Para os reinos e diversos impérios europeus era uma forma de conter o avanço dos turcos sobre seus territórios. Também para os chamados nobres deserdados esta era uma boa oportunidade de novas terras. Para os comerciantes de cidades como Veneza, Pisa e Gênova esta era uma ótima oportunidade de abertura para novas rotas comerciais, que certamente lhes traria riquezas.
O grande objetivo das Cruzadas, que era uma expedição militar, era abrir o caminho para peregrinos católicos para o oriente, bem como acabar com o domínio árabe na península ibérica e no sul da Itália, o que resultou na criação das Cruzadas do Ocidente.
Antes ainda da primeira Cruzada Oficial houve uma cruzada popular, composta de uma tropa mista, tendo tanto civis, como soldados, e no comando um monge, Pedro, o Eremita. A partir da pregação de Pedro, um grande contingente de cavaleiros aderiram à Cruzada e adotaram a cruz branca como seu símbolo.
A Primeira Cruzada Oficial ou Cruzada Senhorial partiu da Europa em 1096, comandada por vários nobres e representantes do Papa e, após várias lutas bastante desfavoráveis, conseguiram chegar à Constantinopla. Após várias conquistas ainda recolheram os remanescentes da tropa da Cruzada de Pedro, o Eremita. Chegaram em Jerusalém em 07 de junho de 1099, conquistando-a em 15 de julho de 1099, alcançando assim seu objetivo de libertar o Santo Sepulcro. No decorrer desta batalha pela tomada de Jerusalém mais de setenta mil muçulmanos e milhares de judeus morreram.
Acima, cidade de Jerusalém, por ocasião da Segunda Cruzada.
A Segunda Cruzada Oficial ocorreu devido à tomada de Edessa pelos muçulmanos em 1144. Esta Cruzada, que durou de 1147 a 1149, quase fracassou se não fosse a ajuda providencial do Grão-mestre dos Cavaleiros Templários, uma vez que os comandantes responsáveis eram inexperientes e não conheciam a topografia local.
Após a cruzada anterior, muitos eram os desentendimentos entre os estados cristãos com os muçulmanos e entre os próprios estados muçulmanos, possibilitando uma certa forma de sobrevivência dos estados cristãos.
A Terceira Cruzada Oficial, também chamada de A Cruzada dos Reis, pois contou com a participação de Ricardo Coração de Leão (Inglaterra), Felipe Augusto (França) e Frederico Barba Ruiva (Sacro Império), durou de 1189 a 1192 e teve como objetivo libertar novamente Jerusalém, que havia sido reconquistada pelo Sultão Saladino.
A maior conquista dessa cruzada foi a retomada da ilha de Chipre. Esta cruzada estabeleceu um marco inicial da mudança de relacionamento entre muçulmanos e cristãos, criando assim uma maior tolerância entre ambos, já ambos tiveram suas importantes vitórias e derrotas e Jerusalém acabou acessível aos cristãos mediante armistício.
A Quarta Cruzada Oficial, que correu entre 1202 e 1204, foi solicitada pelo Papa Inocêncio III que queria demonstrar o poderia da Igreja na Europa e, aproveitando a morte de Saladino, retomar Jerusalém.
Foi a cruzada responsável pelo declínio de Constantinopla e pela ascensão das cidades italianas nas rotas comerciais. Teve pouca ajuda dos Cavaleiros Templários. Foi uma cruzada que acabou por visar praticamente ganhos econômicos.
A Quinta Cruzada Oficial, ou Cruzada das Crianças, que correu entre 1217 e 1221, e foi mal sucedida. Inicialmente, composta por quase trinta mil meninos adolescentes, que acabaram ou mortos por afogamento ou escravizados, esta cruzada foi mal planejada. Conclamada pelo Papa Honório III, não obteve êxito e não atingiu nenhum de seus objetivos.
A Sexta Cruzada Oficial, que correu entre 1228 e 1229, foi organizada por André II, rei da Hungria e comandada por Frederico II, imperador do sacro Império e Rei da Sicília. Nesta cruzada, Frederico II firmou um acordo obtendo por dez anos a posse de Jerusalém, Belém e Nazaré, caracterizando um grande acordo diplomático, evitando-se assim grande derramamento de sangue.
Mais tarde o acordo foi rompido, com os muçulmanos retomando a região, sendo então retomada pelos cruzados, que com ela estiveram por mais 15 anos, quando voltou o poder aos muçulmanos.
A Sétima e Oitava Cruzadas Oficiais, que correram entre 1248 e 1270, comandadas por Luís IX, rei da França. Começou sua campanha pelo Egito em 1248 onde aconteceram violentas batalhas, ocorrendo o aprisionamento de Luís IX, que só foi libertado mediante pagamento de resgate.
O rei Luís IX após cair em uma armadilha, por ocasião da Oitava Cruzada, é assassinado em 1270. Luís IX foi canonizado pela Igreja católica com o nome de São Luís.
Após a Sétima Cruzada, houve uma série de derrotas muito sangrentas envolvendo os Cavaleiros Templários, chegando a toda uma guarnição templário ser decapitada por tropas muçulmanas.
Os Cavaleiros Templários chegaram a ter muito poder e dinheiro em dado momento de sua história, no entanto, devido a algumas derrotas em cidades cruciais, a ordem templária passou a contar com certo descrédito, principalmente no Oriente. Felipe, o Belo, rei da França, querendo poder total e não aceitando o poder que os Templários ainda possuíam na Europa, visto serem possuidores de inúmeros bens e credores da própria França, que precisou do empréstimo de dinheiro dos Templários para financiar suas tropas, após várias manobras políticas, consegue, finalmente, extinguir a Ordem dos Templários, sem ter que pagar as dívidas que tinha com ela e com o apoio da Igreja, pois esta sofreu grandes pressões por parte de Felipe, o Belo, aceitando inclusive que os bens da ordem fossem confiscados.
Por Alessandro Lyra Braga, em 30/05/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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