A voz da terra
O Parque Ambiental do Inhotim é um local de sobrevivência, alimentação e reprodução das mais variadas formas de vida. Tem como diretrizes a conservação dos remanescentes florestais pertencentes aos biomas Mata Atlântica e Cerrado; resgate, ampliação e manutenção de coleções botânicas; emprego de técnicas sustentáveis de manejo; elaboração e desenvolvimento de programas socioambientais.
A surpresa que aguarda seus visitantes é que sua área em constante expansão (com 600 hectares de mata nativa conservada, 45 hectares de jardins e coleções botânicas e 3,5 hectares de lagos ornamentais) abriga um acervo de pinturas, esculturas, desenhos, fotografias, vídeos e instalações de artistas brasileiros e internacionais. Inhotim é um complexo museológico original, constituído por uma seqüência não linear de pavilhões em meio a um parque ambiental. Suas ações incluem, além da arte contemporânea e do meio ambiente, iniciativas nas áreas de pesquisa e de educação. É um lugar de produção de conhecimento, gerado a partir do acervo artístico e botânico.
Se tudo isso pode ser lido no site ou nos folders de divulgação dessa Oscip que fica em Brumadinho, a 60 quilômetros de Belo Horizonte, nada substitui a experiência de estar em Inhotim. Entretanto algo me move a relatar um mágico momento que lá vivenciei no carnaval. Foi no “Sound Pavilion” do artista Doug Aitken. No alto pavilhão circular envidraçado, as pessoas se sentaram em silêncio, vendo a mata ao redor. E ouvimos, ouvimos o som da Terra. Por um buraco de duzentos metros de profundidade, através de microfones de alta sensibilidade, ressoavam naquela sala os sons produzidos ou repercutidos pela Terra.
É comum ouvir as pessoas dizerem que a arte contemporânea não tem nenhum sentido. No caso dessa obra de Doug Aitken, em Inhotim, é possível captar a lição de uma parábola: em tempos de aquecimento global, desmatamentos, terremotos e tsunamis, não seria desejável que mais pessoas se sentassem em silêncio para tentar ouvir e entender a Terra?
*Afonso Guerra-Baião é professor, vive no município de Curvelo, no estado de Minas Gerais desde 1976 e desenvolve um projeto de tradução de poetas de língua inglesa.
Por Afonso Guerra-Baião, em 13/03/2010 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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Afonso, parabéns pelo belo texto. Que maravilha ouvir o som da Terra! Sim, que bela é a possibilidade de ouvir os rumores do planeta, os gemidos da sua alma, e compreendê-los, sobretudo num momento em que a vida é ameaçada de todas as formas. Um abraço!
Caro Amigo, como dizia Nietzsche: “Os grandes valores quase sempre são compreendidos tardia ou postumamente”. Em tempos de sistema neoliberal excludente, onde ecoa o lucro e o supéfluo aos quatro cantos da Terra, onde impera a ética do “eu mínimo” com o individualismo exacerbado, nada melhor do que vivenciar experiências como essa, não é? Parabéns pelo texto e pela divulgação de um espaço de graça do Criador.
Forte e terno abraço
Afonso, ainda não conheço este pedacinho do Paraíso. Mas é bom saber por você, a descrição deste lugar, e ouço até A voz da Terra. Parabéns primo, pelo lindo texto!….Abração MMaris.
Estamos num mundo onde precisamos cada vez mais o resgate do “ouvir” … parar, deixar o bombardeio visual, sonoro, midiático de alguma forma e cultivar somente a contemplação, tão enriquecedora para alma… Abraços.. belo texto.
Amigo Afonso,
Este texto mostra um pouco do tanto que Inhotim é maravilhoso! Graças ao bom Deus já tive o privilégio de conhecer e apreciar este lugar que pra mim é um pedaço do paraíso com certeza! E ouvir a terra é uma das experiências mais fantásticas que o homem pode sentir. E ouvir este verbo que poucos sabem praticar! Fica registrado então o meu elogio a este lugar que adoro e a seu trabalho que é sempre primoroso. Beijos.
Afonso, parabéns, você expressou muito bem o que pode ser visto e principalmente sentido em Inhotim. O som da terra é realmente muito interessante e criativo. As outras obras também são marcantes. Já utilizei até uma foto que fiz em Inhotim para um trabalho na faculdade. O professor pediu uma imagem “que expressasse o que você é ou sente em relação ao curso”. Utilizei aquela obra japonesa das esferas metálicas para mostrar a força do trabalho em grupo, assim como a beleza da obra está na união das peças de arte com a água e as plantas que compõem o ambiente, formando um quadro de admirável beleza. Um grande abraço.
Afonso, ao ler seu texto pude perceber o quanto Inhotim é belo. Arte e natureza juntas, mostrando que o homem pode trabalhar sem entrar em conflito com o planeta.Seu texto me faz lembrar de uma frase de Gandhi: “O homem deve ter a consciência de aprender tudo o que for ensinado pelo mundo afora. Isso lembraria os erros cometidos,para que não mais se repitam.” Inhotim era uma área, que antes era devastada pela mineração. Hoje, tornou-se um pedido de socorro da natureza!
AFONSO, GOSTEI MUITO DA SUA DESCRIÇÃO SOBRE INHOTIM, QUE ATÉ “SENTI OS SONS DA TERRA” E VISUALIZEI A BELEZA DESTE PEDAÇO DAS INÚMERAS MARAVILHAS FEITAS POR DEUS. BEIJOS DA SUA IRMÃ QUE MUITO O ADMIRA E AMA.
Realmente, Afonso, todos deveriam se sentar e ouvir os sons da terra que reclama das maus tratos e suas consequências; mas parece que a maioria dos homens só quer seguir em frente não importando a quem e a quantos estão prejudicando. Abraços.
Já visitei Inhotim por 3 vezes. Nenhuma me causou emoção tão profunda quanto visitá-lo através dos seus olhos e do seu coração, Afonso. Parabéns pelo texto, parabéns por sua sensibilidade. Felicidades, Rina.
Uma das características fundamentais no ser humano é a inquietude. Sem ela não seria possível a busca. Sem a sua, como iríamos nos surpreender?
O Inhotim merece ser visitado por alguém como você! Bjo.
Afonso, muito pouco há que se dizer agora, considerando os comentários que me antecederam. Entretanto, há que se ressaltar a clareza do seu texto que, de forma magistral, desperta em nós o desejo urgente de conhecer Inhotim. Meu amigo Nonô Nardy, frequentador assíduo de lá, sempre me conta sobre suas experiências lá, mas ainda não havia falado nada a respeito do “Sound Pavillion”. Parabéns, Afonso, por mais este texto, pelo qual você deveria ser eleito “Embaixador de Inhotim”. Breve, muito breve, irei conhecer esse paraíso.
Um grande abraço.
Companheiro Afonso
Li e gostei de seu texto, mostra sensibilidade , conhecimento e valorizaçao da natureza.
Fiquei com vontade de conhecer este parque
Parabens, continue assim fazendo cultura
Um fraternal abraço
Rubens Silveiro e Nida
Meu caro Afonso,
Tenho o raro prazer da vizinhança com o Inhotim. Da minha casa lá na Serra da Moeda avista-se parte do Vale do Paraopeba e o caminho que conduz a este projeto impressionante. Na verdade, é muito mais do que um projeto. Podemos dar muitos nomes: refúgio, beleza, exemplo, carinho com as pessoas e com a natureza, arte, experimentação… Não me canso de ir lá e de levar pessoas para conhecer. Quando quiser retornar, dê notícias. Inhotim não é para se conhecer apenas. É para se degustar de todos os modos bons. Como você fez e fará de novo, certamente. Um abraço. Geraldo Leite