A mãe de todas as reformas

Concordo com os observadores que reclamam a reforma política no Brasil e a consideram a mais importante e urgente de todas as reformas. Não é possível que cerca de quarenta divisões pretendam ostentar uma diretriz autônoma, distinta e original, quanto ao que se concebe como Nação e como projeto de governá-la.

O excesso de partidos políticos no Brasil é nefasto. Comece-se pelo Fundo Partidário, que cresce a cada dia – acena-se com quase quatro bilhões de reais este ano! – e que sustenta minorias cada vez menos representativas. Não é possível que o povo tenha de manter opiniões que não logram convencer ninguém e que só existem para atender a interesses menores do que a paróquia. Interesses domésticos e nem sempre condizentes com a melhor concepção do que deva ser a política.

“Os partidos se multiplicaram, desde que se possa ainda chamar de partidos agrupamentos ocasionais, nascidos de um dia para o outro, sem história e sem futuro e, além do mais, sem sentido”. A afirmação é do notável Norberto Bobbio, no livro “Contra os novos despotismos – Escritos sobre o berlusconismo”, obra da qual se pode extrair muita utilidade para o Brasil.

Depois, a multiplicidade de partidos impõe o chamado governo de coalizão. Reunião de diferenças nem sempre compatíveis, forçando convívio artificial e mantendo a tensão da desconfiança.

Quando a confiabilidade é o cimento que entrelaça as relações entre políticos que levam a sério a sua missão de oferecer tempo, energia, força de trabalho e infinita paciência para perseguir o bem comum.

É urgente se faça uma reforma política profunda e estrutural. Que reabilite a política partidária, hoje tão ferida em virtude da descrença da população em lideranças que frustraram as expectativas e produziram imenso e duradouro mal à nação. Que haja sensibilidade nos que ainda têm coragem de permanecer no front e que são os responsáveis pela devolução da esperança a um povo sofrido e descrente.

*José Renato Nalini é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, secretário da Educação do Estado de São Paulo, imortal da Academia Paulista de Letras e membro da Academia Brasileira da Educação. Blog do Renato Nalini.

One thought on “A mãe de todas as reformas

  1. Alfredo Santos disse:

    Gostaria que alguém pudesse informar
    -Porque que Renan recusou receber a Notificação do Oficial de Justiça,e parece que ficou por isso mesmo?
    -O que pode acontecer se uma pessoa comum se recusar a recebe uma notificação do Oficial de Justiça?
    -Porque foram reclusos o presidente e conselheiros TCE no Rio de Janeiro.?
    -Porque a Adriana de Lourdes Anselmo (Caso Cabral) foi cumprir reclusão domiciliar?
    -Porque esse beneficio não foi concedido anteriormente a detentas reclusas que teve seus direitos usurpados anteriormente,
    -Porque só depois deste episodio de Adriana de Lourdes Anselmo (Caso Cabral) que a Presidente do Supremo Tribunal Federal Carmem Lucia manda estender a todas as reclusas?
    -São perguntas simples,que mostra onde deve ser iniciada a reforma.
    -As Leis da maneira que é interpretada abre brechas aos políticos.
    A reforma tem que iniciar pelo judiciário em qualquer esfera,depois do judiciário reformado poderá estender aos Políticos,inclusive ao Presidente.

    CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
    Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
    II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
    II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei

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