A implosão da Ética!

Por Uili Bergamin em 18/10/2009

Aula de ÉticaO pânico é geral. O medo anda nos rondando como lobo esfaimado. Nós, mansas e brancas ovelhinhas, apenas aguardamos o golpe, a dentada na jugular. O mundo está se desfazendo sob o impacto de uma crise sem precedentes. Há quem chame tal crise de demoníaca. Sim, algumas religiões não perdem tempo para afirmar que é o Armagedon, a Apocalipse que se anuncia.

Eu, de minha parte, ouso dizer que tudo decorre de uma crise ética. Nunca se falou tanto na dita cuja e, paradoxalmente, nunca se viu tão pouca por aí. Acho que até seu significado se deturpou. Por isso, trago à baila minha humilde e talvez vaga concepção sobre ela.

Ética é o estudo dos juízos sobre a conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal. Com tais juízos, tomamos consciência do bem ou do mal que resultam das nossas ações em relação a nós mesmos e/ou aos nossos semelhantes.

É incrível como em todas as nossas ações estamos praticando o bem ou o mal. Das mais simples, como fumar um cigarro, fazer exercícios físicos, comer ou beber em demasia, até as atividades mais complexas, como estabelecer uma relação afetiva, exercer uma atividade profissional ou atuar como líder político.

Precisamos ter consciência ética de cada um de nossos atos, buscar a própria felicidade, respeitando a dos outros, ter virtudes, ter moral, eleger o bem como valor a ser perseguido, independente da religião. Fazer o bem esperando a recompensa do paraíso talvez nem seja tão ético.

O indivíduo ético não quer o gozo e a riqueza às custas da infelicidade de ninguém. Toda conquista humana sem ética tem o gosto amargo da falta de mérito, do vazio de um mundo sem valores, construído com os tijolos da mentira, da pequenez, do desamor e da miséria.

Ser ético é a condição sem a qual ninguém pode alcançar a grandeza, o saber, o progresso e, principalmente, a felicidade. Talvez o mais antigo e importante preceito ético seja “amar ao próximo como a si mesmo”. E reparem que podemos tirar dele qualquer coloração religiosa que ele continuará tão válido quanto antes, ou talvez mais.

Se o mundo irá se desfazer de fato, se as profecias dos livros apocalípticos de confirmarão, isso eu não sei. Mas sei que podemos fazer do nosso planeta – ou do que resta dele – um lugar melhor para viver, se compreendermos e colocarmos em prática esta pequena palavra.

*Uili Bergamin nasceu em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.

Obras publicadas

O Sino do Campanário (2005, contos, Editora Maneco) – Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.

Cela de Papel (2006, novela, Editora Maneco) – Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.

Do Útero do Mundo (2007, poesias, Editora Doravante) – Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. Do Útero do Mundo vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.

1 resposta to “A implosão da Ética!”

  1. A “raridade” da palavra em nossos dias nos leva ao espanto quando assistimos num telejornal (ou lemos numa mídia impressa) um cidadão humildemente devolver uma mala recheada de dinheiro à polícia.
    Que mundo é esse que estamos vivendo onde nos espantamos com ações éticas que deveria ser COMUNS?
    Na “nossa” política, por exemplo, a palavra foi excluída do dicionário (principalmente na nova ortografia).

    Abraços em sua alma

    #175

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