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A geração que abre mão de casar e ter filhos

Estudos confirmam o que a demografia aponta: nos países ditos desenvolvidos ou em desenvolvimentos, a taxa de natalidade cai perigosamente, estando negativo em alguns deles. Morre-se mais do que nascem pessoas. Aliás, morre-se cada vez mais tarde. No Japão, casa-se igualmente mais tarde, e a primeira gestação costuma vir entre 35 a 40 anos, se vier. Aliás, sexo por lá é cada vez mais raro. Trabalhar é preciso, e viver eletronicamente, essencial.

Lindos robôs gatinhos fazem companhias aos cada vez mais solitários idosos habitantes em asilos cheio de internet das coisas. Visitas humanas rareiam na sociedade que mais respeitava os mais velhos.

Outro estudo aponta que 67% dos nascidos entre 78 a 99 não têm planos de casar. Talvez morar juntos ou separados, ver como fica, se dá certo, se não, encaixota tudo, volta para casa dos pais ou algum amigo para rachar despesas, ou aluga quarto perto do trampo.

Ter filho, fora acidente de noitada muito louca, ejaculação precoce, camisinha furada, pílula esquecida, amnésia alcoólica ou outras “cassitas” mais, é algo descartado por dois terços dos millenials ou geração “Y”. Visto como despesa, peso de quem quer ter liberdade, viajar mundo a fora, fazer pós, mestrado, phD, e sei lá mais o que. Pois trabalhar que é bom, parece que requer tanta especialização, curso, idiomas, congressos que experiência que é bom, só depois que aposentar.

Tudo que é descartável enjoa fácil, quer sempre o que é novidade. Cada semana, vamos à caça em baladas regadas a excessos de tudo, menos bom senso e maturidade. Eterna “adultecência”, exibindo

as aves raras abatidas, paisagens deslumbrantes, sorrisos de clareamento dentário. Aparência é tudo.

Para quê compromisso? Escolher alguém, formar família, gerar descendência e construir um lar? A conta da responsabilidade é alta. Exige maturidade, lealdade e compromisso. Construir é o ato de agir, planejar e sonhar. É para os fortes de caráter, para os nutridos pela fé e para os que querem semear um novo tempo, sobre o solo queimado pelas cinzas. Renascer naqueles que serão melhores que nós, seus antepassados.

Amo ser pai, embora não exija que eles me amem. Não nasci para o casamento, mas tentei três vezes, tive bons momentos e fui testemunha de ótimos casamentos, mas de outros lastimáveis. Como dizê-los se não tive-los?

O mesmo vale para filhos, muitos maravilhosos outros “o cão chupando manga”. E novamente: como sabê-los, se nunca tivermos? Eis o mistério da vida. Fui um bom filho? Sou um bom pai? Serei um divertido avô? Com certeza, nenhuma resposta será igual. Triste é não ter quem as responda. Enquanto isso, num cemitério abandonado qualquer a lápide sentencia: “Aqui jaz Fulano, uma semente que escolheu não florir, nem dar frutos. Temia ser amargo, ou azedo, ou sem gosto. Morreu de vaidade solitária, uma epidemia da época. Que Deus o regue, no jardim do Éden”.

Fonte: Jornal O TEMPO

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