A Festa

Por em 03/10/2009


Feira do Livro de Caxias do Sul
Como todo leitor que se preze, gosto de circular por Feiras do Livro. As Feiras são uma Festa, como respondi a uma repórter que me abordou dia desses entre os saldos de uma banca.

Para mim, pelo menos, é Festança. O local onde encontro amigos, onde conheço gente bacana e onde gasto meu dinheiro com prazer. Danço entre uma livraria e outra, ouço músicas vindas de bocas diversas. Músicas de qualidade, de autores renomados ou nem tanto. Local onde as crianças se divertem e mostram-se felizes. Onde adultos lançam olhares sequiosos por conhecimento. Tem coisa mais bonita que uma criança, ou mesmo um adulto, atento às palavras de um mestre numa palestra ou bate-papo, bebendo de suas palavras, na ânsia por se tornar pessoa melhor? Ora, isso é raro e, portanto, digno de nota.

A Feira é também local de troca. Escritores trocam com escritores. Leitores trocam com escritores. Leitores trocam com leitores. Trocam livros, experiências, elogios e críticas. Tudo muito bem-vindo. A Feira é democrática, é do povo. A Feira é um mundo. O mais próximo do ideal que se pode chegar.

Nossa Festa, em Caxias do Sul, para quem não sabe, é a segunda maior do estado. Nosso estado, para quem não sabe, é um dos que mais lê no Brasil. E nossa região, a da Serra Gaúcha, é uma das que mais consome livros no Rio Grande do Sul. Isso nos coloca muito bem na foto, e uma foto nessa Festa, nos faz até mais belos. Sempre pode melhorar, é verdade, e deve, mas comparativamente ao resto do país, estamos muito bem, obrigado.

Nossa Feira é exemplo. Um belo exemplo que vem sendo seguido por outras cidades. Tive o prazer de ser convidado para outras, em todo o estado: Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Veranópolis, Gramado, Carlos Barbosa, Boa Vista do Sul, Paraí, Cotiporã, Nova Prata, Passo Fundo, Palmeira das Missões entre outras, são municípios que passam a valorizar cada vez mais o saudável hábito da leitura. Sem contar as escolas, que dentro de seus muros passam a também promover Feiras aos pais e alunos. Eis uma das poucas iniciativas com real potencialidade de transformar o mundo (antes as pessoas, pois esta é a ordem).

Assim, fica minha dica para que participem destes eventos. Prestigiem. Tenham a pretensão de torná-los ainda maiores. Deixem de tomar algumas cervejas, aguardem mais um pouco para trocarem de sapatos. Seu time não irá perder o jogo se você deixar de ir ao estádio uma única vez.

Quem sabe um dia não nos igualemos aos países de primeiro mundo em termos de leitura. E, tenho certeza, assim que isto acontecer, em pouquíssimo tempo seremos país de primeiro mundo em todos os sentidos.

Vá à Feira. É uma Festa.

*Uili Bergamin nasceu em Bento Gonçalves, RS, no dia 02 de fevereiro de 1979. Destaca-se por sua escrita concisa, e pela busca das palavras certas, que encaixam perfeitamente ao texto. Bergamin é também colunista em jornais e revistas de circulação em Caxias do Sul e região.
Obras publicadas

O Sino do Campanário (2005, contos, Editora Maneco) Coletânea de catorze contos e obra inaugural do autor. Apesar do título, não é propriamente um livro religioso. Talvez seja antes o contrário. O conto que nomeia a obra, por exemplo, narra a história de um padre que, aos 70 anos, revê sua vida e relembra um grande amor do passado. A solidão do celibato, a angústia de estar teminando de viver, o fracasso de uma vida que não realizou seus sonhos nem o de seus pais, faz com que transfira suas dores ao sino de sua igreja, como única forma de redenção. Praticamente todos os contos têm como fio condutor a crença, o amor e a dúvida. Seus contos são independentes e escritos de maneira simples, porém, seu texto é polêmico e questionador, e incita à reflexão sobre crenças, verdades e dogmas.

Cela de Papel (2006, novela, Editora Maneco) Novela fragmentada, com nuance autobiográfica. É uma fantasiosa alegoria sobre a arte da leitura. Repleta de metalinguagens.

Do Útero do Mundo (2007, poesias, Editora Doravante) Impiedosos e intensos, luminosos e sombrios, a maioria dos poemas que compõem a obra já obteve alguma premiação literária. Do Útero do Mundo vem sendo muito elogiado pelos leitores e também pela crítica.




Por Uili Bergamin, em 03/10/2009 - 00:02. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “A Festa”

  1. cristina pisoni

    você está cada vez melhor, parabéns, você fez colocações bem interessantes, deveria escrever, para os jornais da cidade, troca essa idéia com a Adri. Beijos Cris.

    #119

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