A elegância da educação
Como de costume, assisto aos telejornais pela manhã, ao “pequeno almoço”. Para minha surpresa e diria já nesta altura, uma certa indignação, ouço uma notícia veiculada na imprensa que a nossa “querida” Maitê Proença, teria realizado um vídeo a fazer “chacota” com os portugueses. Como é óbvio, não quis acreditar, e tentei racionalizar, na tentativa de minimizar a notícia. Claramente não podia crer que uma atriz tão querida e tão bonita e que com alguma frequência visita o país teria feito “coisa” tão chocante a ponto de ser matéria no noticiário nacional.
Entretanto, conforme os detalhes e o avanço da matéria através do veículo visual de comunicação, qual foi minha surpresa ao perceber que a tal atriz brasileira tinha mesmo editado um vídeo, que supostamente vazou publicamente, onde expõe ao ridículo os portugueses!
Depois do primeiro impacto e já sem condições de racionalizar mais qualquer coisa que fosse, revi a matéria com mais atenção e posso começar a dizer que, como brasileira, fiquei chocada com a forma com que esta senhora vem aqui e se acha no direito de:
1 – Demonstrar sua falta de conhecimento a nível histórico. Por ser pessoa que edita livros a nível internacional, pensei eu, com a minha humilde ignorância que deveria ser detentora de pelo menos, conhecimentos de História de Portugal.
2 – E a que sinceramente mais me choca, o comportamento observado de cuspir numa fonte. Diria eu, que esbarra mesmo na esfera da delinquência. Entenda-se aqui delinquência (wikipédia) como: “Dá-se o nome de delinquência ao comportamento caracterizado por repetidas ofensas (delitos), considerado principalmente no seu aspecto social, mas também criminoso. É essencialmente constituído por crime em pequena escala. A conotação pejorativa da palavra é geralmente dirigida a um grupo de indivíduos, e a sua natureza é mais associada ao infrator do que ao acto criminoso em si. O termo inclui frequentemente o conceito de repetição”. O ato desta senhora que, novamente cito, dentro de minha humilde ignorância, pensei ser divulgadora da cultura brasileira, me espanta e me amedronta. Afinal, é isto que exportamos?
Sem tomar as dores ou ser defensora do país que a tempos elegi, como “casa”, não cabe a uma personalidade deste escalão (atriz global, escritora, portanto, divulgadora da cultura nacional, ou pelo menos pensei eu, ser) tomar atitudes que embaracem relações entre países que se dizem “irmãos”, ou a qualquer outro país. Talvez, se não fosse a pessoa em questão, seria muito mais fácil digerir, ou encarar de forma jocosa (isto com excepção do ato de cuspir numa fonte). É claro que em muitas partes deste mundo de “meu deus”, fazem-se piada, brinca-se e debocha-se. Aqui temos as piadas dos alentejanos, dos lisboetas “alfacinhas”, como no Brasil temos dos baianos, dos cariocas, mineiros e tantos quantos não serei aqui capaz de citar. Porém o que me preocupa em termos de comportamento social de uma pessoa pública, que acaba consequentemente por ser algo do tipo “modelo a seguir”, como a Sra. Maitê e, também diria aqui das outras que participaram do programa em que tal vídeo foi mostrado, é a inversão dos valores e o comportamento que assemelha-se ao transtorno de personalidade antissocial, e se quiserem, falta de educação e moral.
Será que são mesmo os portugueses, “esquisitos”?
Será que no país do Tio Sam, a mesma senhora, esboçaria tal atitude? “Se calhar” não, pois não são de lá suas origens. Mas isto já é assunto para um outro texto…
*Maria Cristina Saraiva de Sousa é psicóloga e mora em Sintra, Portugal.
Por Maria Cristina Saraiva de Sousa, em 16/10/2009 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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