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A democracia policial e o STF

O inimigo número um da justiça no Brasil!

Tenho escutado, tenho lido e visto com preocupação, com uma frequência cada vez maior, certos formadores de opinião, muitos deles bem intencionados e independentes da mídia petista, confundirem política com justiça.

Não existe um só comentarista, analista político, ou até cientista político, que não diga, afirme e jure de “pés juntos” que o “brasileiro perdeu a esperança na política” – será que isso é verdade?

Como pode ter “perdido a esperança na política” uma nação com duzentos milhões de pessoas que aceitam, bovinamente, a cada quatro anos, votar de maneira obrigatória? Como pode ter deixado de acreditar na “via política” uma população que aceita ser desarmada e massacrada pelos criminosos nas ruas, estradas, nos shoppings e nas praias?? Uma nação que derruba uma Presidente da República “mantendo seus direitos políticos” não acreditando mais na política como forma de solucionar seus problemas? Isso não existe!

“Políticos são todos iguais”, dizem os brasileiros nas ruas. Sim! E daí? (pergunto eu). Acreditar que os políticos brasileiros são todos parte de uma organização criminosa, que estão ligados às milícias, à prostituição, ao narcotráfico e à Lavagem de dinheiro na América Latina não dá, a nenhum analista ou cientista político, o direito nem a evidência necessária para dizer que as pessoas “não acreditam mais na política” aqui no Brasil.

A política, tal como conhecida pelo mundo ocidental, surgiu na Grécia aproximadamente cinco séculos antes do nascimento de Jesus Cristo. A política veio para humanidade como uma alternativa à barbárie propondo que os homens resolvessem seus problemas em sociedade através do debate e do convencimento; não da violência. É neste sentido, e exclusivamente nele, que se pode falar em “insistir acreditando” ou “desacreditar” na política em qualquer parte do mundo e é por ainda acreditar nela (seja por comodismo, covardia ou falta de esperança) que o Brasil não vive uma franca guerra civil.

De onde surgiu, portanto, este sentimento entre nós disseminado, de que “o Brasil não tem jeito mesmo”? Surgiu, digo eu, da confusão deliberada que se faz entre política e Justiça e da ocultação, da permanente negação do senso comum, de que “não existe Justiça no Brasil” – a tragédia disso é não entender (ou fingir que não se entende) que a justiça, numa sociedade que se diz “democrática”, é a base de toda vida política, da ação e do discurso entre os homens.

É a Justiça que garante a pluralidade da vida democrática, não a democracia que garante a vida da justiça. Pode haver justiça sem democracia? Pode, sim, e já houve! O que não pode, é o contrário. Negar isso e afirmar que não há “justiça social sem democracia” é transformar todo conceito de Justiça em igualdade, numa igualdade falsa porque forjada entre seres naturalmente desiguais.

Os únicos lugares do mundo em que os seres humanos podem ser perfeitamente iguais são os hospícios e os cemitérios pois que no cemitério o homem está privado da vida e no hospício da razão que dá sentido a ela.

Milton Friedman disse, certa vez, que toda sociedade que colocou a igualdade acima da liberdade ficou sem as duas! O sistema legal brasileiro sacrificou todo seu conceito de justiça à ideia de igualdade, perdeu para sempre a noção de pluralidade, de liberdade e, finalmente, da própria ideia de justiça em si mesma. Ele agora só parece entender alguma “diferença” no tocante ao conceito de foro comum e de foro privilegiado.

É na Justiça que as pessoas não acreditam mais neste país! É nas barbaridades, nas atrocidades legais cometidas por esta legião de militantes comunistas que tomaram a Suprema Corte da nação que reside a causa da nossa falta de esperança.

Na política todos nós continuamos, queiramos ou não, acreditando – a prova é muito simples: se nossa descrença nela fosse total, estaríamos tentando resolver nossos problemas através das armas e não dos votos pois que a verdadeira alternativa às urnas são os fuzis; não as manifestações de rua, as redes sociais ou os artigos de jornal.

Repetem-se como autômatos, escrevem como zumbis, os teóricos, os operadores do Direito Brasileiro, que afirmam que a política no Brasil foi judicializada. Mentira: a justiça é que foi politizada e é isto que dá aos brasileiros a sensação de que ela, justiça, não existe mais (e não existe mesmo) pois a Justiça só pode existir quando se reconhecem diferenças e morre imediatamente quando contaminada por uma Política que nada mais é do que a “Ditadura da Igualdade” para todos aqueles que não pertencem à classe política.

O Estado de Direito acabou no Brasil. Somos governados por criminosos que, em coro, dizem ser a Operação Lava Jato um dos patrimônios da nossa sociedade, uma verdadeira garantia do nosso “Estado Democrático Direito”, quando na verdade ela só adquiriu a proporção que tem em função do fim dele!

Vejam só: somos a primeira “democracia” ocidental que se define, que se garante, pelo trabalho da sua Polícia Federal mesmo quando o STF rasga a Constituição na frente de todo país.

Criamos a primeira “democracia policial” da História, confundimos descrença na política com descrença na justiça e temos, como inimigo público número um desta última, o Supremo Tribunal Federal.

Comentários

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Comentários

  1. O Brasil está passando um momento mais amargo de sua História. Mas não poderia dar em outra coisa depois de ter sido comandado por um desgoverno de treze anos de um partido corruPTo e comunista, que arrasou com o país em todos os sentidos, principalmente na parte econômica devido o governo corruPTo comunista do PT, ter distribuído os nossos pesados impostos para várias ditaduras comunistas africanas e da América Latina. Mas para o bem do país, nós já nos livramos desta desgraça, agora só falta o chefão e a sua afilhada prestarem contas com a Justiça e eles vão prestar, querendo ou não.

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