A Ciência

Por em 27/12/2009


CiênciaA Ciência, pura e simplesmente, propõe-se a captar e manipular a realidade assim como ela é, de forma plena e desmistificada.

A realidade já foi manipulada de inúmeras maneiras na História. Antigamente, os índios pretendiam captar a realidade através dos mitos. Para eles porém, não se tratava de mitos e sim da mais pura e simples explicação objetiva da realidade. Quando o índio diz que seu deus está triste e por isso chove cinco dias sem parar, ele acredita piamente no que está dizendo, e desta maneira ele propõe uma explicação para a existência de uma frente fria.

Posteriormente, a função mítica foi superada em parte pela religião, que também trouxe sua explicação da realidade. Assim, quando na Bíblia se montou uma história da criação e do surgimento do mal, não se pensou em se fazer um conto interessante, mas certamente em dar uma explicação de como começou o mundo. Nesta mesma época, quem tentou dar outra explicação para o surgimento do mundo de outras maneiras, como o “Big Bang” por exemplo, foi severamente punido, como é o caso de Galileu Galilei e Giordano Bruno, que foram condenados pela Inquisição, sendo este último condenado à fogueira por heresia.

Certamente podemos afirmar ser a Ciência um processo de desmitologização e dessacralização do mundo, em favor de uma racionalidade comprovada.

A Ciência é um processo histórico, onde a realidade é sempre volúvel, mutável, contraditória e sem um fim definido. Em Ciência estamos sempre começando de novo. Portanto, pode-se, sem nenhuma sombra de dúvidas, definir Ciência como sendo o conhecimento sistemático dos fenômenos da natureza e das leis que os regem, obtido através da investigação e comprovado pela observação, pelo raciocínio e pela experimentação intensiva. Podemos ainda entender Ciência como sendo um empreendimento preocupado exclusivamente com o conhecimento e a compreensão dos fenômenos naturais.

Este conhecimento porém, tem-se evoluído continuamente o longo dos tempos. O que era considerado verdade científica para o cientista da Antigüidade, já não mais o é para o cientista do Renascimento, o mesmo cabendo para o cientista da atualidade. Vale ainda ressaltar que devemos aos gregos o desenvolvimento do pensamento conceitual, base para as premissas do silogismo aristotélico e a sistematização da lógica.

Logo, uma vez que a concepção de Ciência que temos hoje em dia é o de acúmulo de conhecimento, acima de tudo, racional, sistemático, exato e completamente verificável da realidade, esta passa a ser infinita e suas verdades sempre passíveis de alterações, uma vez que a própria Ciência se auto-evolui em velocidade tão acelerada.

Anteriormente, a Ciência significou qualquer ramo do conhecimento de estudo. Hoje, o campo do conhecimento foi dividido em vários grupos: Ciências Naturais, Ciências Sociais, Ciências Físicas e Ciências Humanas. Todas fundamentadas em observações cientificamente comprovadas e organizadas em um sistema de proposições ou leis gerais.

A Ciência, por ser passível de inúmeros pontos de vista, também possui, ao longo de sua evolução histórica, três diferentes concepções: a Ciência Racionalista ou Hipotético Dedutiva, que define racionalmente objeto, leis e verdades às quais estão submetidas, sendo suas experiências apenas de cunho comprobatório das demonstrações teóricas. A Ciência Empirista ou Hipotético Indutiva, para a qual a única fonte de conhecimento é a experiência, a observação, do objeto da Ciência. E, por último, a Ciência Construtivista, de concepção moderna, onde faz-se uma fusão das duas concepções anteriores, desenvolvendo modelos explicativos e comprovados, de validade ainda questionável, porém de valor científico mais consistente.

Nos tempos modernos, a Ciência, tanto como conhecimento quanto como método, agrupa dois elementos essenciais: o empírico e o racional.

Portanto, percebe-se que a Ciência é um conjunto de inúmeros tipos de conhecimentos que, ao serem aglutinados, formam um SABER. Logo, dentro de todo o universo científico, podemos destacar quatro formas principais de conhecimento que, somados, nos levam à Ciência: o Conhecimento Empírico, o Conhecimento Científico, o Conhecimento Filosófico e o Conhecimento Teológico.

Conhecimento Empírico: é o conhecimento obtido por intermédio da observação, da experiência vivida e/ou da aquirida, sob as mais diversas formas, pelas pessoas.

Conhecimento Científico: é o conhecimento obtido por intermédio de investigações metódicas e sistemáticas da realidade. Transcendendo fatos e/ou fenômenos, analisando-os em seus mecanismos para descobrir suas causas e assim concluir e estabelecer as leis que regem estes fatos e/ou fenômenos.

Conhecimento Filosófico: é a forma do homem de refletir sobre determinado fato ou fenômeno, buscando dentro de si razões para o tal, despertando aí o espírito científico. É, sem sombra de dúvida, o ponto inicial para o desenvolvimento da curiosidade ciêntífica, sem contudo ficar delimitado pela capacidade comprobatória da Ciência.

Conhecimento Teológico: é, pura e simplesmente, o produto da fé humana na existência de uma ou mais entidades divinas. Logo, tudo aquilo que a princípio fugiria de qualquer “explicação lógica” explícita, era atribuído às vontades e caprichos de deuses ou entidades místicas ou míticas. Exemplo bastante claro é o da mitolodgia grega, por onde até a beleza humana tinha explicação a partir da vontade de deuses.

Uma das perguntas mais comuns junto aos meios não acadêmicos, é como a Ciência se aplica? Com que benefícios ela nos contempla?

Estas respostas são ao mesmo tempo simples e complexas, pois sentimos a Ciência e suas aplicações a cada instante de nossas vidas, quer ao acendermos a luz ou ao sabermos do poder destrutivo de uma arma nuclear. A melhor maneira porém, que temos de mostrar como a Ciência se aplica é tomarmos consciência de como a nossa realidade está sendo estudada e analisada nos mínimos aspectos. Por exemplo, a questão dos clones. Após mais de cinqüenta anos em pesquisas, estas iniciadas ainda com os cientistas nazistas de Hitler, vêm-se buscando maneiras de se manipular geneticamente os seres vivos, no intuito de um aprimoramento, quer produtivo ou meramente estético, de diversas espécies, humanas ou animais. Esta manifestação da Ciência certamente mudará de forma mais do que definitiva toda a Humanidade, por isso é que pergunta-se, será isto ético? Que benefícios poderão surgir para a Humanidade, nos dias de hoje, esta descoberta?

Questões desse tipo é que nos levam a pensar, para que ela, a Ciência, existe?

Certamente, a Ciência existe para que possamos ter plena consciência da realidade que nos cerca e desta forma interagirmos com ela em perfeita harmonia, científica e sociologicamente falando. Portanto, é necessário um pleno conhecimento das marés para que portos mais eficientes sejam construídos, um pleno conhecimento meteorológico para que se possa melhor planejar épocas mais propícias às semeaduras, a fim de existirem melhores colheitas. Finalmente, a Ciência existe para que a Humanidade obtenha uma melhor condição de vida e/ou sobre-vida sob as mais variadas realidades físicas que nos circunda à todos.

A Ciência Empírica

Baseada na observação dos fenômenos ocorridos ao longo da vida cotidiana, esta forma de ciência baseia-se no senso comum e não se encontra consubstanciada em bases cientificamente comprovadas, e sim em fatos comuns e continuamente observados, quer por uma ou mais pessoas. Por exemplo, podemos citar o conhecimento que possuem todos àqueles pescadores que lançam-se ao mar, munidos apenas daqueles conhecimentos de navegação adqüiridos de seus descendentes, de forma informal.

O empirismo é a metodologia mais simples, é a experiência vivida, pois se baseia na observação, não se atendo necessariamente a especulação teórica. No lugar da especulação aplica-se o teste experimental, a mensuração quantitativa como critério do que seria ou não científico.

Logicamente, que nos primórdios da evolução humana, a Ciência Empírica era considerada válida e verdadeiramente a mais pura forma de Ciência. Porém com o passar dos tempos, e com a evolução da própria Ciência, apenas observação e indução não mais bastariam para se encontrar as explicações a que a Humanidade almejava. A partir daí, deu-se a necessidade de se comprovar de forma meticulosa e sistemática toda e qualquer manifestação da natureza e de nossas realidades.

BIBLIOGRAFIA

HUXLEY, T. H. -”The Method of Scienfic Investigation”, in Science: Method and Meaning, por S. Rapport e H. Wright (New York: Washington Square Press, 1963), páginas 2 – 10.
HÜHNE, Leda Miranda (organização) – “Metodologia Científica” (Rio de Janeiro: AGIR, 1989)
ESCOBAR, Carlos Henrique – “Epistemologia das Ciências Hoje” (Rio de Janeiro: Pallas, 1975)
KOYRÉ, Alexandre – “Do Mundo Fechado ao Universo Infinito” (São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1986)
“Enciclopédia Barsa” (São Paulo: Encyclopaedia Britannica Editores Ltda, 1973), volume 15.




Por Alessandro Lyra Braga, em 27/12/2009 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

2 respostas to “A Ciência”

  1. Teresa Cristina de Carvalho Piva

    Parabéns Alessandro,conseguiu explicar de maneira clara a diferença dos conhecimentos. Vou utilizar seu texto como motivador nas aulas da disciplina Metodologia Científica.

    #45
  2. carlos humberto scansetti

    Muito bom.Bastante claro e muito fácil de assimilar.Parabéns

    #78

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