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A arte de renascer!

Arranque da face a máscara da hipocrisia, jogue no balde imenso da vaidade a arrogância, retire dos olhos a trava escura da ignorância, lave com água de cândidas flores as mãos que ardem por restarem sempre fechadas e passe a usá-las para o carinho, amizade e solidariedade. Deixe que a alma brote do fundo da mais profunda emoção, renasça em alegrias e seja apenas o ser humano que Deus construiu com amor. Escancare as gavetas de seu coração, há muito trancafiadas e atire pelas janelas da solidão os rancores, a raiva, o amargor e, principalmente, aquele feixe ressequido de lamúrias. Reorganize todos os sentimentos e deixe apenas nos gavetões agora arejadas de seu coração, o amor, a alegria e a paz. Então, tranquilamente, tal menino entretido na brincadeira favorita, sem conflitos, faça pacotinhos de alegria, embrulhe-os delicadamente na seda fina de seu sorriso, amarre-os com fitilhos de carinho e ofereça a quem encontrar pelo caminho.

E, quando seu coração estiver bem leve, sopre-o com todo o ar de humildade que puder inspirar e deixe-o vagar pelo mundo maravilhoso da solidariedade, pois um coração pacífico é muito mais feliz e tal pássaro da amizade voa ao encontro de outros corações. E, num repente, você estará abraçado por pessoas maravilhosas que caminham ao seu lado e nunca mais a solidão habitará seu viver, e sua mente resplandecerá para a festa maior: o surpreendente reconhecimento de quem é você! Não mais o baile de máscaras! Não mais a enfadonha fantasia rebordada de preconceitos rançosos, apenas o leve e delicado manto da imensa pequenez dos humanos envolverá seu coração que restará iluminado pelo brilho intenso da autenticidade. Somente quem faz da alma um renascer de atitudes pode sentir a importância do ser na mais pura e refinada essência.

Imperativo é descobrir que a felicidade é o grande e melhor presente a ser ofertado sem que onere a vida. Portanto, abrace o amigo, perdoe o inimigo, estenda as mãos, agradeça a graça de viver e ofereça sempre durante uma despedida, um largo sorriso para quem fica. Jamais diga um adeus marcado por rastros de ironias e mágoas, pois ninguém sabe se haverá tempo e oportunidade de um reencontro para o tão necessário pedido de perdão, por desconhecermos quando será a última vez, pois estas são as grandes e únicas certezas dos humanos: a surpresa do fim e a gélida e irreversível verdade do nunca mais. Portanto, urge construir um ano novo realmente novo através da arte de renascer enquanto sorvemos da vida, quiçá, nossos últimos momentos!

*Valderez de Mello, poeta, escritora, advogada, pedagoga e psicopedagoga. Autora dos livros “Lágrimas Brasileiras” e “Trama e Urdidura”. Membro efetivo da Academia Jundiaiense de Letras Jurídicas, Academia Jundiaiense de Letras e Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí.

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