200 anos de independência da América Hispânica?
Acima, pintura retratando San Martin.
O ciclo de independências da América Hispânica tem dois momentos. O primeiro, após a ocupação por Napoleão da Espanha e a prisão em solo francês, de Carlos IV e Fernando VII, seu filho, a quem transferiu a coroa, que na prisão renunciou em favor de seu pai, e esse em favor de José Bonaparte, irmão de Napoleão.
Nesse período, a coroa espanhola foi substituída por Juntas Governativas com a presença das autoridades espanholas anteriores. Quase todas as tentativas de independência, aproveitando o vácuo de poder, foram frustradas. Moreno, líder portenho, afirmava que a América Hispânica não era subordinada a Espanha, mas a Coroa que com a deposição dos reis, não havia porque se submeter a José Bonaparte. Mas seria com o retorno.
Apenas em uma província, a independência ocorreu desde aí, de forma definitiva: o Paraguai. Na hoje Argentina, na época províncias do vice-reino do Prata, o movimento inicial se circunscreveu a Buenos Aires estimulado pelas tentativas de ocupação pela Inglaterra em 1806 e 1807, e se alastrou levando a independência em 1816. O que se comemora em 2010, é o início do processo de independência em 1810. O Chile, que também comemora este ano os 200 anos de independência, na verdade, depois das tentativas de derrubar a Junta Governativa, esta recuperou o poder inteiramente para a Coroa e a independência só ocorreu em 1817 sob a liderança de San Martin, vindo da Argentina.
Com a expulsão de Napoleão e a reassunção da coroa por Fernando VII, com as exceções citadas, a Coroa de Espanha recuperou o poder, ao meio de um quadro de reação crescente dos que lutavam pela independência, com as simpatias da Inglaterra. Esse processo começa a ser revertido com a reação “liberal” ao absolutismo das Coroas da Espanha e Portugal que culminaram com as chamadas revoluções constitucionalistas de Madrid e do Porto.
Esse período é o ponto de inflexão definitiva e de independência de fato e de direito de todas as províncias da América Hispânica, com o estilhaçamento dos vice-reinados e a criação de quase todos os países como conhecemos hoje. Cuba foi o único a não se tornar independente até 1902, quando da guerra EUA-Espanha. Assim mesmo permaneceu até 1933 com uma clausula constitucional que permitia a intervenção dos EUA se sentisse que seus interesses estavam ameaçados (Emenda Platt).
Só no período 1816-1822, é que ocorreram de fato e de direito as independências da América Hispânica. Mesmo assim o desenho de alguns países só foi definido muitos anos depois. É o caso dos EUA que comprou a Lousiania em 1802, absorveu a Florida em 1817, o Texas em 1834 e a Califórnia em 1848.
As razões pelas quais a desintegração da América Hispânica e os países resultantes disso, não construíram sistemas estáveis e a América do Norte sim, é outro capitulo que se explica pelas razões que levaram a independência em um e outro caso. Fica para outra vez.
Por César Maia, em 31/05/2010 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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